¿Concurseiros¿ de carteirinha

Eles tentam uma, duas, três, quatro... dez vezes. Mergulham em apostilas e livros, encaram cursos preparatórios, fazem pesquisas e participam de fóruns na internet. Essa é a rotina daqueles que abandonam a vida privada em busca da estabilidade no serviço público.

Redação |

Por que tentar?

Quando começa a vida profissional do estudante, nem sempre é possível seguir o caminho idealizado (colégio + faculdade + estágio = emprego fixo e carreira consolidada). Muitas vezes, principalmente no início, é preciso se submeter a salários baixos, cargos que nem sempre se relacionam ao desejado e é preciso ter muito jogo de cintura para entrar e permanecer no mercado.

Além disso, grande parte das empresas privadas, hoje, evita registrar seus funcionários, exigindo um cadastro de pessoa jurídica com emissão de nota para efetuar os seus pagamentos, o que tira muitos benefícios do contratado. Ou seja, abrir empresa está a caminho de ser quase uma obrigação. Com essa realidade cada vez mais evidente, o funcionalismo público ganha espaço. E é com base nas principais vantagens (aposentadoria integral, estabilidade no emprego - só pode ser mandado embora com processo administrativo ¿ benefícios próprios de cada carreira etc.) que pessoas abandonam seus empregos e se dedicam, durante meses, somente a estudos que lhes dêem bagagem para entrar nesse universo.

Conheça algumas histórias de pessoas que se dedicaram e continuaram em sua área de formação; e de outras que tiveram de mudaram radicalmente. Mas o que vale nisso tudo é que, apesar de estratégias e perfis diferentes, cada um conseguiu desbancar a concorrência pesada nos concursos e conquistou o tão disputado cargo público.     

Dez concursos e alguns anos depois ...

Cristine Vecchi foi estagiária em uma ONG e depois em uma editora de revistas de tecnologia. Na mesma empresa, foi promovida a redatora e, em seguida, a editora. Em 2005, aos 22 anos, resolveu prestar concurso público. É autora do Guia de Concursos Públicos, edições 2006, 2007 e 2008, e do livro Português para Concursos Públicos. Sempre gostei da área pública, porque 90% dos meus parentes próximos são funcionários públicos e têm uma vida legal, tempo disponível, qualidade de vida e estabilidade financeira. De lá pra cá, Cristine prestou aproximadamente dez concursos.

Comecei com o da Caixa Econômica Federal (CEF), depois prestei o do Banco do Brasil (BB). Tinha cerca de 20 mil inscritos, em cada um, e eu fiquei em 262º na CEF e em 382º no do BB. Foi então que percebi que não dava para fazer prova sem estudar. Em março de 2007, entrou em um curso preparatório com oito meses de duração. Aproveitei que tinha umas economias na poupança e pedi demissão. No começo, estudava no mínimo três horas por dia e oito horas aos sábados e domingos, mas, desde outubro, me dedico exclusivamente a concursos.

Cristine sempre troca figurinhas com outros concurseiros no site de relacionamentos Orkut e no Fórum dos Concurseiros . Tanto estudo não poderia ser em vão. Passei em primeiro lugar no Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), na área de comunicação. Assumi o cargo em março deste ano. Mas quem pensa que Cris desistiu dos concursos está enganado. Atualmente, estudo de cinco a oito horas por dia e pretendo prestar o da Receita Federal e o do INSS.

Muitas tentativas

Aos 21 anos, Rodrigo Chaves cursava o quinto ano de Direito, quando decidiu prestar Concurso Público. Era um caminho que dependia só de mim e não de indicação. Não fiz uma faculdade de tradição na área jurídica e não tinha muitos contatos em grandes escritórios em São Paulo, já que sou de Caraguatatuba.

Chaves fez cursinho preparatório e estudou por apostilas e livros. Fazia cursinho de manhã, estágio à tarde e faculdade à noite. Esta foi a sua rotina durante um ano. Quando se formou, como tinha um dinheiro guardado que recebeu por conta de uma rescisão trabalhista, resolveu ficar um ano inteiro só estudando.

Mas uma hora a grana acabou e tive de voltar a trabalhar. Pouco tempo depois, saiu o resultado do concurso para Procurador. No momento em que corri o dedo pela lista de aprovados e vi meu nome, fiquei maluco e comecei a gritar: Passei! Passei! Antes de ser aprovado no concurso da Advocacia Geral da União, onde está há cinco anos, Chaves prestou aproximadamente dez concursos, durante três anos.

Enquanto a convocação não vem...

Após encarar três estágios durante o ensino técnico de processamento de dados, aos 18 anos, Laura Almeida passou em seu primeiro concurso público: técnico em informática da Sabesp. Isso foi em 1998. A Sabesp pagava mais do que a maioria das empresas e não exigia experiência prévia. Em seguida, voltou a trabalhar em empresa privada na área de design, onde ficou por dois anos.

Foi então que passei em outro concurso, desta vez para a Prodam, e trabalhei lá por cinco anos, em multimídia. Saí por livre e espontânea vontade no início de 2005 para trabalhar em uma editora do setor privado. Decidi prestar de novo o concurso da Prodam, porque agora o salário é bem mais alto. Foi aprovada na área de programação visual, e, na classificação final, ficou em segundo lugar.

A empresa não informa em quanto tempo fará a convocação, mas o prazo para chamar os aprovados é de até dois anos. Então, fiquei bem em cima do muro na hora de aceitar outro emprego no setor privado, mas como o concurso pode demorar muitos meses para efetivar a convocação, estou, de novo, em uma empresa privada.

À espera de um chamado

Renata Assumpção começou a trabalhar com produção e edição de vídeos aos 21 anos. Oito anos depois, em busca de uma estabilidade financeira e de horários livres para realizar outras atividades, Renata radicalizou e apostou em uma área totalmente diferente ¿ escrevente técnica judiciária do Tribunal de Justiça de São Paulo ¿, para a qual prestou concurso. Antes, já havia prestado outros sete.

Fiz um cursinho específico durante dois meses, quando estudei pouco mais de três horas por dia, de segunda a sexta. Tanto esforço deu resultado. Passei no concurso e acredito que em um ano ou pouco mais eu serei chamada.

Dicas de estudo

*Analise o edital e inicie os estudos pelas disciplinas que mais lhe interessam; 
*Faça um cronograma de acordo com número de horas que dispõe para os estudos, quantidade de disciplinas cobradas no concurso, matérias de sua preferência e tempo que lhe resta até o dia da prova;
*Se optar por estudar a semana inteira, tire um dia de folga para arejar o cérebro; 
*Não torre toda a sua grana em livros, escolha dois mais interessantes daquela disciplina e faça resumos para relembrar a matéria; 
*Tente resolver os exercícios das provas anteriores e procure ler questões comentadas. 

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