Como eram feitas as mumificações?

Retirar o cérebro pelo nariz, cortar o abdômen, guardar os órgãos numa jarra e enfaixar o que resta do corpo. Parece sadista demais? Para os egípcios, que desenvolveram o processo de mumificação, essa é só uma técnica para evitar a decomposição dos cadáveres.

Aline Vieira |

As primeiras múmias surgiram por volta de 4 mil anos a.C., no Egito. Naquela época, já se acreditava na ressurreição: a crença popular era que os espíritos dos cadáveres embalsamados retornavam ao corpo para lutar contra possíveis inimigos e defender lugares sagrados das redondezas.

Com o intuito de proteger a terra, os valores e a cultura local, os egípcios criaram uma técnica de conservação de corpos bastante avançada, a mumificação. O processo durava cerca de 70 dias e era marcado por rituais especiais.

Os povos egípcios acreditavam que, depois da morte, os agentes internos agiam rapidamente nos órgãos, ajudando na decomposição e, assim, destruindo a parte externa (a pele, por exemplo) do corpo. A ideia de retirada dos órgãos surgiu justamente para conservar o físico que, mais tarde, segundo eles, lutaria pelos interesses da população.

Os responsáveis pelo embalsamamento eram os sacerdotes, que trabalhavam em tendas abertas em áreas desertas perto do rio Nilo. Antes de os órgãos serem retirados, cada cadáver era levado ao Ibu, conhecido como "Local da Purificação". Lá eles passavam por uma lavagem com águas sagradas do rio, o que representava assim uma espécie de renascimento.

Depois dessa "santificação", o processo de mumificação começava para valer. Primeiro, com a ajuda de um gancho, o sacerdote mexia na massa do cérebro, fazendo-a escorrer pelo nariz. Os egípcios achavam que o órgão pensante não era uma parte importante do corpo humano e, portanto, o jogavam fora.

O próximo passo da mumificação era retirar as outras partes. Com uma lâmina, os embalsamadores abriam uma pequena incisão no lado esquerdo do corpo e, cuidadosamente, retiravam tudo - exceto o coração - e guardavam em jarros, chamados de canopos.

Já "vazio", o corpo era empacotado, coberto por natro (sal) e deixado para desidratar durante 40 dias. Depois desse tempo, passava por uma nova lavagem e era banhado por um óleo aromático, que mantinha a elasticidade da pele. Só então a múmia era enfaixada e estava pronta para o enterro.

Além das múmias que eram conservadas propositalmente, também existiam múmias naturais. Apesar de raro, esse processo natural foi responsável pelas múmias mais antigas já encontradas. Entre as mais conhecidas, está a Oetzi, The Iceman (Oetzi, Homem de Gelo), congelada há mais de 5300 anos nos Alpes Otzal e encontrada em 1991, na fronteira da Áustria com a Itália.

Leia mais sobre: Múmias

    Leia tudo sobre: egitoegípcioshistóriamúmia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG