Ao contrário do Brasil, as faculdades em países da América do Norte, Ásia e Europa exigem boas notas já na escola e o processo de admissão também requer pontuação mínima em provas parecidas com o nosso vestibular.

Com o sistema educacional brasileiro, o estudante não precisa ter notas altas no ensino médio para entrar numa universidade. No último ano do colegial, o estudante participa dos processos seletivos das instituições de ensino superior e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também o ajuda a pontuar e conseguir créditos para ingressar nas universidades.

Em países de todo o mundo, além das provas que classificam se o aluno está ou não preparado para encarar a rotina de "adulto" de uma universidade, as notas do colegial e as provas de admissão parecidas com o nosso vestibular são só mais uma das exigências.

Japão

No país, os alunos estudam obrigatoriamente até os 15 anos de idade. Depois disso, podem decidir se querem dar continuidade ao estudos ou não. De acordo com dados do governo japonês, 40% desses optam por cursar escolas técnicas e cursos preparatórios para a universidade.

Para entrar numa faculdade no Japão, os alunos devem passar pelos "juken", exames de admissão (assim como o nosso "vestibular"). As provas são difíceis e exigem uma longa preparação, que é feita geralmente em cursinhos universitários. Por causa dessa dificuldade para ser aprovado, os japoneses chamam o processo de "shiken jigoku" (traduzido para o português: "inferno de exames").

Para o estudante brasileiro Sergio Kiyokazu, que mora no Japão desde os 9 anos, não basta estudar apenas o que os professores ensinam na escola. O ensino aqui é de qualidade, mas também tem suas falhas. Percebi isso logo que entrei no cursinho. Vários assuntos que não tive no colégio estão sendo reforçados nas aulas para a prova da faculdade, conta.

Entre as universidades mais famosas e concorridas do Japão estão a Universidade de Tóquio, a Universidade de Waseda, a Universidade de Keio e a Universidade de Kyoto.

Alemanha

Os governos estaduais da Alemanha são caracterizados por sua autonomia no sistema educacional. A duração de cada período escolar (primário, colegial, etc) pode variar de acordo com o estado.

Uma peculiaridade do ensino na Alemanha é, logo após o encerramento do ensino primário, os adolescentes são encaminhados para uma escola que possa os ajudar na profissão que escolherem. No "Gymnasium" (5ª a 12ª série), eles são obrigados a optar pelo menos duas línguas estrangeiras, sendo o inglês obrigatório.

No último ano da escola, as notas do aluno e uma prova final avaliam os créditos adquiridos. Com esse "valor de créditos", o aluno escolhe a universidade que tenha vagas para a sua média.

Espanha

O sistema para ingressar numa faculdade na Espanha é parecido com os demais. O estudante deve ter tido boas notas na escola e se inscrever para as "PAU - Pruebas de Acesso a la Universidade". Essas provas têm um valor de 40%, enquanto as notas do ensino médio valem 60%. O acesso na universidade é permitido para quem tem uma média igual ou superior a 5.

Não tem muita diferença do vestibular brasileiro, mas continua sendo mais difícil, principalmente pra quem vem de fora do país e ainda não está familiarizado com os assuntos mais tratados nessas provas por lá. Eles dão muito valor pra as atualidades nas provas, diz a estudante Marina Lemos, de 18 anos, que saiu de Fortaleza para tentar entrar numa universidade em León.

Inglaterra

O ensino secundário da Inglaterra é dividido em dois estágios (Key Stage 3 e Key Stage 4, respectivamente KS3 e KS4). O KS3 dura 3 anos e só se for aprovado nele é que o estudante tem acesso ao KS4. No KS4, que dura 2 anos, o aluno se prepara para o "General Certificate of Secondary Education", ou GCSE.

Quando é aprovado no GSCE, o jovem termina o período de estudo obrigatório e tem autorização legal para começar a trabalhar. Quem deseja continuar os estudos, entra numa "Further Education School" (Escola de educação adicional), que o prepara para a entrada na universidade.

Depois do GCSE, muita gente na Inglaterra decide dar um tempo nos estudos para trabalhar e juntar dinheiro. A escola aqui termina cedo, então pouca gente sabe o que quer fazer no futuro. A maioria das pessoas que eu conheço entrou na faculdade depois dos 20 anos, diz Leroy Banks, de 24 anos.

No país, de acordo com as novas regulamentações aprovadas em 2003, cada universidade é livre para escolher seu processo de admissão, que vai de entrevistas à provas especiais.

Estados Unidos

Com uma das maiores taxas de alfabetismo do mundo - 97% - os americanos têm um dos maiores e melhores sistemas de ensino público do mundo. Apesar de ter escolas de ensino superior públicas e privadas, todos os alunos pagam para estudar (o que muda é o valor).

O Ensino Médio, que dura dos 14 aos 17 anos, é composto por matérias já estudadas no "Middle School" (Ensino Médio Junior). Se o estudante pretende entrar numa universidade, ele se inscreve para a realização do chamado "SAT" (Scholastic Aptitude Test), que ocorre sete vezes ao ano e tem questões de todas as matérias estudadas.

No fim do ano escolar, além da pontuação do SAT, as notas do colegial também são importantes para a admissão. Alunos com aptidões especiais também são melhor aceitos nas universidades daqui. O cara que se destacou no time de futebol da escola ou o que apresentou um trabalho legal de química nos últimos anos do colégio ganha pontos no curriculum, conta a estudante de literatura Jodie Bethany.

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