Como conseguir uma bolsa como atleta em universidade americana

Empresas especializadas buscam vagas de acordo com o perfil do aluno, mas é possível se candidatar direto com técnicos esportivos

Tatiana Klix, iG São Paulo |

A decisão sobre quem recebe bolsa esportiva em faculdades norte-americanas é dos técnicos das equipes universitárias, que usam o benefício para atrair bons atletas – e consequentemente resultados positivos – para os seus times. A chance de um estudante ser escolhido está, na essência, em convencer pelo menos um deles de que merece o benefício.

Como todas as faculdades têm páginas na internet com informações sobre a área de esportes, o nome e o email dos técnicos, atletas brasileiros interessados em uma vaga podem tentar se candidatar entrando em contato diretamente com eles. Podem também procurar indicações de pessoas que já conhecem os treinadores ou terem a sorte de serem observados (e escolhidos) por olheiros que eventualmente visitam clubes brasileiros em busca de talentos. No entanto, o caminho mais fácil de obter uma vaga, e muitas vezes mais seguro, é através de empresas especializadas em realizar o meio-de-campo entre o atleta e as universidades.

Desde 2001, o Daquiprafora oferece consultoria para preparar alunos para a graduação nos EUA e encontrar uma bolsa adequada ao perfil de cada um, conforme preferências, condições econômicas, potenciais esportivos e acadêmicos. “Se o cara é bom de bola e bom estudante, tem que procurar um tipo de universidade, mas se é um atleta de alto nível e nem tão bom aluno, provavelmente vai se adaptar melhor em outro lugar”, diz o fundador e diretor da empresa Felipe Fonseca. “Somos o empresário do estudante: em vez de procurar time, buscamos uma bolsa”, exemplifica.

No ano passado, o Daquiprafora enviou 250 atletas para os EUA. A empresa ajuda esportistas de 12 modalidades (das populares futebol e vôlei às menos praticadas golfe e esgrima). Pelo trabalho, que começa um ano antes da viagem e inclui gravação de vídeo, contato com técnicos, avaliação de potencial, do nível de inglês, orientação sobre treinamento para os testes exigidos pelas faculdades e encaminhamento de documentos necessários, a empresa cobra de R$ 7 mil a R$ 9 mil. Antes de embarcar o aluno ainda precisa desembolsar em torno de R$ 5 mil em passagens aéreas, aulas de inglês, inscrições nos exames, tradução de documentos, visto e seguro de saúde.

Flickr/The West End
Instalações esportivas de faculdades americanas são de nível profissional, como o estádio da universidade de Yale, em New Haven, Connecticut
Outras operadoras de intercâmbio como CI , STB e World Study são representantes no Brasil da empresa Idea, que seleciona estudantes de vários países para 100 universidades em um evento anual de duas semanas na Flórida. Os candidatos participam de competições de basquete, futebol, golfe, tênis e vôlei enquanto são observados por olheiros de faculdades. A viagem também inclui passeios à praia e visitas a parques temáticos.

O pacote custa em torno de R$ 6 mil e é válido para alunos de 16 a 26 anos. Na volta, eles recebem cerca de 10 propostas de bolsas ou o dinheiro de volta. “Isso nunca aconteceu. Ninguém paga esse programa se não tiver condições de apresentar um bom desempenho esportivo e ser escolhido”, diz Bruno Seixas, gerente de Higher Education (educação superior) do STB.

Os custos não terminam no momento da seleção. Como apenas uma pequena parcela consegue propostas que cubram 100% da faculdade, ainda é preciso investir de R$ 6,6 mil (US$ 4 mil) a R$ 15 mil (US$ 9 mil) por ano para se manter estudando. No programa Idea, entre 10 e 15% dos participantes obtêm bolsas integrais; de 30 e 35% recebem bolsas de estudo, mas pagam pela acomodação e alimentação; e de 50 e 60% dos alunos recebem benefícios parciais. “Se botar na ponta do lápis, ainda vale a pena. É o que se paga por um curso superior no Brasil, mas a experiência é muito diferente. Lá os alunos moram no campus, tem uma estrutura física fantástica à disposição, vivem a universidade”, diz Fabiana Fernandes, gerente de produto da CI.

Quem não tem condições de arcar com todos esses gastos pode procurar o auxílio do EducationUSA-Alumni e tentar concorrer a uma ajuda extra – além da bolsa universitária – do próprio governo norte-americano. Para Thaís Burmeister Pires, gerente do centro de orientação, os estudantes devem se informar bastante para conhecerem todas as oportunidades que têm à disposição: o Education USA promove palestras sobre opções de intercâmbio, tem bibliotecas em várias unidades do País, informações disponíveis na internet e presta esclarecimentos gratuitamente. Já a Fundação Lemann oferece ajuda para cobrir os custos da viagem e do serviço do Daquiprafora para jovens considerados muito talentosos, mas com poucos recursos financeiros. A seleção, nesses casos, é feita pela própria consultoria especializada.

Informe-se

- EducationUSA-Amumni: www.alumni.org.br/estudeua.htm e http://www.educationusa.org.br/
- Fulbright Brasil (Comissão para intercâmbio educacional entre EUA e Brasil): www.fulbright.org.br/estude.html
- Universidades nos EUA: www.topuniversities.com/ e www.arwu.org
- Liga de esporte universitário nos EUA (NCAA): www.ncaa.org/

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