Com que vestibular eu vou?

Compare os processos seletivos entre universidades brasileiras e estrangeiras.

Isis Nóbile Diniz |

É comum as avaliações gerarem descontentamento. Vestibular é decoreba. Não exige o conhecimento adquirido com os estudos, todos os anos a queixa é repetida pelos alunos do terceiro ano do ensino médio. Mas as instituições precisam encontrar uma maneira para selecionar os futuros universitários. Se é que existe, qual o melhor método?

Este ano, o Ministério da Educação (MEC) propôs que as universidades federais, essencialmente, utilizassem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no lugar do vestibular. De acordo com o MEC, a decisão foi tomada porque a prova do Enem é interdisciplinar e contextualizada, diferentemente dos modelos e processos avaliativos tradicionais. Enquanto os vestibulares promovem uma excessiva valorização da memória e dos conteúdos em si, o Enem coloca o estudante diante de situações-problemas e pede que mais do que saber conceitos, ele saiba aplicá-los, cita o site do Ministério.

Até o ano passado, o Enem era feito com 63 questões e uma redação. Agora, ele terá 200 questões de múltipla escolha e uma redação. Deverá ser aplicado em dois dias. A nota de corte dos cursos universitários escolhidos pelos alunos será determinada pela concorrência entre eles. Quanto mais notas altas os interessados em determinado curso tirarem, maior será a nota de corte.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aderiu ao novo sistema proposto pelo MEC. "Este é um importante passo na democratização do ensino superior", afirma Walter Manna Albertoni, reitor da Unifesp. Mas o pró-reitor Miguel Roberto Jorge alerta: "Cursos mais antigos e disputados - como o de Medicina - provavelmente deverão adotar o Enem como primeira fase de seu vestibular.

A maioria das universidades públicas e privadas adota métodos diferentes. A cada ano que passa, são diversificados os processos seletivos usados pelas instituições brasileiras. A universidade particular Centro Universitário FIEO (UNIFIEO), na capital paulista, criou uma prova única e eliminatória para o vestibular no meio deste ano. A Universidade Metodista de São Paulo oferece opções para o vestibulando: usar apenas a nota do Enem, fazer a prova tradicional e somar os pontos a nota do Enem ou escolher a prova digital e somar o resultado ao Enem.

No vestibular da pública Universidade de São Paulo, por exemplo, o candidato poderá escolher se quer o aproveitamento da nota do Enem de 2009, feito na primeira fase. Ela terá 90 questões objetivas de múltipla escolha, mas eliminatórias. Na segunda fase, essa nota será desconsiderada e as provas serão discursivas, realizadas em três dias consecutivos.

Diferença entre brasileiras e estrangeiras

Poucos são os países que possuem vestibular como aqui. Até o nosso tende a acabar com a implantação da nova prova (do Enem), acredita Mariana Lima, gerente de São Paulo da agência World Study. Vestibular é um processo brasileiro, diz Renata Baldini da agência Intercâmbio Global. Generalizando, diferente do que acontece no Brasil, para um estudante ingressar em universidades mundo afora deve ter fluente o idioma do país e notas altas no colégio.

Na Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, e Estados Unidos não existe vestibular, conta Baldini. A universidade analisa todo o histórico e desempenho escolar ¿ participação em feiras, iniciação científica, voluntariado - para verificar se o aluno pode ingressar na faculdade escolhida, explica.

O planejamento do aluno deve ser de médio a longo prazo. É importante se preparar para ter um currículo bom, afirma Baldini. Algumas instituições também solicitam cartas de recomendação dos professores da área escolhida. Por exemplo, quem quer cursar zoologia, pede para os professores de biologia e química uma recomendação positiva. Ao final do processo, a universidade entrevista o candidato.

Para entrar na universidade nos Estados Unidos, o aluno americano ou residente também deve fazer um exame que se chama Scholastic Aptitude Test (SAT), conta Lima. Trata-se de um teste que contém questões sobre inglês, matemática, entre outras. Ele é aplicado ao longo do ano letivo, várias vezes.

A Itália é uma exceção. Na Itália existem dois tipos de cursos, o numero chiuso e o numero libero, diz Lima. A maior parte deles é 'numero libero', ou seja, basta fazer a matrícula e começar a estudar. O vestibular como conhecemos no Brasil é aplicado aos cursos de 'numero chiuso', aqueles que possuem maior procura por parte dos estudantes como o de Medicina, explica.

Após comparar as opções, qual o melhor processo seletivo? A seleção feita nos Estados Unidos pode estimular os alunos ao longo da vida acadêmica. A italiana pode gerar uma decisão mais precisa aos cursos concorridos. No Brasil, a assessoria de imprensa do MEC explica: O novo Enem foi proposto pelo Ministério como forma de acesso ao ensino superior em substituição aos atuais vestibulares com o objetivo de testar a capacidade analítica dos candidatos, em vez de valorizar apenas a capacidade de decorar, que é mais cobrada no modelo atual. Basta esperar para checar se, na prática e atualmente, esse é o método mais adequado para as universidades brasileiras analisar os 12 anos passados na sala de aula.

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