Com greve de 100 dias, alunos de Minas vão para cursinho por Enem

Como a paralisação de professores da rede estadual não tem data para acabar, os estudantes lotam preparatórios

Denise Motta, iG Minas Gerais |

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Bárbara Lima, 17 anos, quer estudar física e ser professora: ela está há 3 meses sem aula e teve apelar para o cursinho
Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e sem perspectiva de normalização das aulas por causa da greve dos professores, alunos da rede pública estadual de Minas Gerais buscam alternativas de preparação para o exame.

O governo do Estado anunciou a contratação de professores substitutos e também oferece aulas pela TV, mas nada substitui a sala de aula, na avaliação dos próprios alunos. Cursinhos particulares de preparação para o Enem têm sido a principal alternativa para quem tem um dinheiro extra.

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A família de Bárbara Lima, 17 anos, investe no cursinho particular preparatório ao Enem. O sonho de Bárbara é cursar física e ser professora. Por causa disso, ela diz ser a favor da greve dos professores, pois defende que os profissionais da educação sejam melhor remunerados. “O salário de professor é horroroso. Muita gente que eu conheço não entrou em cursinho porque não tem condição. Eu entrei antes da greve, pois já previa essa situação. Fiquei quase três meses de greve”, diz ela, aluna do Instituto de Educação, uma das escolas mais tradicionais de Belo Horizonte. Para frequentar o cursinho, a família de Bárbara paga R$ 114 reais por mês.

Marcos Vinícius Nascimento, professor de biologia no cursinho de Bárbara, diz que por causa da greve uma nova turma foi aberta. Segundo ele, houve maior procura a partir de agosto, quando a greve dos professores estaduais completou mais de dois meses. “Os alunos dão razão para os professores em greve porque as melhores escolas têm professores bem remunerados, são de escolas particulares. Não por acaso as escolas particulares têm as melhores notas no Enem”, diz.

Bárbara Judite Maria Guedes Pereira, 17 anos, é outra estudante de escola estadual adepta do cursinho para se preparar para o Enem. Aluna da Escola Estadual Professora Maria Amélia Guimarães, ela diz que até há pouco tempo não tinha aulas. Professores substitutos voltaram há duas semanas. “Todo mundo se desesperou, principalmente quem não pode fazer cursinho”, conta ela, que até hoje não tem aulas de física e química. As aulas de história, importantes para ela, que pretende cursar direito, não foram ministradas durante três meses.

“Comecei o cursinho por causa da greve. Sinto que os professores estão desmotivados. Não acho a greve legal porque prejudica os alunos, mas penso que, se estivesse no lugar deles, faria o mesmo”, confessa. A família de Bárbara Judite paga R$ 140 de mensalidade pelo cursinho preparatório para o Enem, além dos R$ 50 de matrícula e R$ 35 do material didático.

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Rodolfo Pimentel, 17 anos, sonha em cursar engenharia mecânica: "Há um problema grande de falta de professores. Desde agosto estou sem professor de literatura e química"
Não são apenas alunos da rede estadual frequentadores de cursinhos. O estudante do Cefet-MG, Rodolfo Pimentel, de 17 anos, que sonha em cursar engenharia mecânica, contou à reportagem do iG que começou o cursinho em agosto. “Há um problema grande de falta de professores.

As alternativas de cursinhos em Belo Horizonte podem custar bem mais alto. Thiago Silva, professor de biologia em outro cursinho preparatório para o Enem, conta que a procura pelo curso está grande, apesar do alto custo de R$ 1.600.

“A procura está muito grande principalmente por causa de dificuldades matemática, física química e biologia”, conta Silva. Questionado sobre qual conselho dá aos alunos preocupados com o desempenho por causa da greve, ele diz: “Tente estudar mais as disciplinas que está com dificuldade. Se puder comprar um material e estudar sozinho e pela internet também ajuda. Acho a melhor forma de estudar fazer questões de outras provas do Enem porque a metodologia é muito parecida ao longo dos anos”, aconselha.

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