Cocal dos Alves tem república de estudantes em Teresina

Só no 1º ano, Universidade Federal do Piauí tem 16 alunos da cidade fenômeno em concursos educacionais, 10 dividem apartamento

Cinthia Rodrigues, enviada a Teresina (PI) |

Passar em uma universidade pública, se mudar para uma capital, alugar um apartamento e se dedicar exclusivamente aos estudos. Até poucos anos atrás, essa descrição só valia para alunos pertencentes a famílias com boa situação financeira. Aos poucos essa realidade muda, como exemplifica a “república de Cocal dos Alves”, em Teresina, onde vivem 10 estudantes da cidade fenômeno em concursos educacionais , que esse ano teve 16 aprovados na Universidade Federal do Piauí.

Cinthia Rodrigues
Cocalalvenses reunidos na sala da república de estudantes da Federal do Piauí
Desde que Cocal dos Alves começou a se destacar em competições como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a faculdade se tornou mais acessível. Além de confiarem que conseguirão aprovação, os premiados têm direito a uma bolsa de iniciação científica, de R$ 300 pagos pelo Ministério da Educação.

Nos últimos anos, sempre houve um ou outro cocalalvense aprovado na instituição pública de maior prestígio no Estado, mas em 2010, o número cresceu bastante. Da turma de 29 alunos do último ano do ensino médio da Agostinho Brandão, a única da etapa de ensino no município, 13 prestaram vestibular e todos passaram. Outros três se inscreveram pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e também foram aprovados em suas primeiras opções.

Destes, 10 foram morar juntos em Teresina, em um apartamento de três quartos em um condomínio ao lado do campus, apelidado de república de Cocal dos Alves. Os demais estão na residência estudantil.

Entre eles, só Sandoel Vieira, de 16 anos, vencedor de três medalhas de ouro e duas de bronze, optou pela carreira de Matemática. “Por enquanto”, diz, brincando, para assustar o coordenador das olimpíadas no Estado e professor do Departamento de Matemática, João Xavier da Cruz Neto, que visivelmente gostaria de ter todos em sua área. “Dariam ótimas contribuições, tenho certeza”, comenta.

Os demais se decidiram por Educação Física, Comunicação Social, Letras, Biologia, Engenharia Civil, Nutrição, Estatística, Química e Engenharia de Produção. Por serem áreas diferentes das que se dedicavam mais, contam que precisam estudar muito para acompanhar as aulas. “A faculdade está difícil, só paro de ler para almoçar”, diz Francilene Magalhães de Brito, que se destacava em exatas e resolveu ser nutricionista.

Os adolescentes contam que em suas turmas, estudantes de escolas públicas são raros. “Mas a Augustinho Brandão não deixa nada a desejar em conteúdo, pelo que percebo”, diz Francicleiton Cardoso, que estuda para ser jornalista, acrescentando que a unidade em que estudou tem até uma vantagem. “Em Cocal dos Alves, os professores são amigos, dispostos a ajudar a qualquer momento, não só dentro da escola, isso meus colegas de sala não tiveram.”

Apesar de gostarem da experiência na capital, todos consideram a hipótese de voltar a morar na cidade natal, mas temem que não haja mercado de trabalho. “Se tiver emprego, com certeza”, afirma Maria Siqueira, que cursa Educação Física.

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