Cinco presos de Minas Gerais aprovados para cursos superiores

Eles iniciam faculdade em cursos presenciais e à distância em 2012. Ao todo, o Estado tem 17 detentos nesta situação

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Cumprindo pena em regime fechado, Roberto da Silva Pereira, 28 anos, prepara-se para começar a estudar em uma faculdade nesta segunda-feira. Aprovado no curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Estudos Administrativos (Fead), ele vai estudar a distância e conseguiu bolsa de 50% por causa de boas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dentro do Programa Universidade para Todos (Prouni).

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Divulgação
Sala de aula dentro de presído em Minas Gerais
Para ajudar a família a pagar o curso à distância, Pereira pretende começar a trabalhar na Penitenciária José Maria Alkimin, em Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte. Além dele, outros quatro detentos passaram no Enem e vão cursar faculdades neste ano, mas apenas um deles fará o curso presencialmente, pois está em regime semi-aberto e obteve autorização judicial. Atualmente já existem 12 detentos de Minas cursando faculdades.

“Minha família me apoia, graças a Deus. Como sou pedreiro e pintor, acho mais fácil uma área ligada à engenharia. Desde 2008, tento o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). A pessoa tem que querer, gostar de si mesmo, procurar futuro melhor. Isso (prisão) não é vida para ninguém, sempre procuro puxar isso quando converso com outras pessoas”, diz Pereira, que estudou em supletivo o final do ensino médio logo quando entrou no presídio, em 2008. Pelo estudo, os detentos têm redução da pena : a cada 12 horas de estudo, um dia é reduzido da sentença a ser cumprida. No caso dele, a pena termina em 2019.

Enem prisional

Em novembro do ano passado, 795 detentos de 43 unidades prisionais de Minas Gerais se inscreveram para o Enem. Somente na Grande Belo Horizonte foram 227 presos inscritos, sendo 70 deles da Penitenciária José Maria Alkimin (PJMA), a unidade com o maior número de inscrições no Estado. Conforme informações da Secretaria de Estado de Defesa Social, cerca de 5.500 detentos estudam atualmente.

“Temos investido fortemente na ressocialização dos detentos, para que eles estudem e trabalhem e nunca sejam um peso para a sociedade. Aprendendo um ofício, seja pela profissionalização dentro das unidades prisionais, seja pelo aprendizado de um Ensino Superior, estes presos poderão ter um futuro diferente quando cumprirem suas penas”, destacou o secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada.

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