Chile e Uruguai investem em tecnologia em classe

Países estão à frente do Brasil quando o assunto é Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Educação

Gabriela Dobner, iG São Paulo |

Chile e Uruguai estão à frente do Brasil quando o assunto é TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Enquanto o País ainda não definiu uma política integrada de validação e aplicação de padrões de práticas pedagógicas envolvendo tecnologia, os chilenos já criaram um método que avalia o impacto do uso dessas tecnologias pelo programa Enlaces e os uruguaios implementaram o Plano Ceibal, que distribuiu computador a quase 100% dos estudantes e professores do primário (ensino fundamental) de escolas públicas.

“O uso de TICs em educação requer recursos e tempo. É um programa muito caro. É fundamental haver incentivo do governo para implantar um sistema e definir um padrão de avaliação”, explica Patricio Rodríguez, professor e pesquisador do departamento de Ciência da Computação da Universidade Católica do Chile. Ele participou do evento o Impacto das TICs na Educação na América Latina e no Caribe, organizado pela Unesco esta semana em Brasília.

Miguel Nussbaum, que desenvolveu o método ao lado de Rodriguez, diz que não basta apenas investir em infraestrutura e capacitação de professores. “Precisamos ver se o que estamos fazendo é efetivo. Queremos ver o impacto das TICs.”

O pesquisador contou que em algumas escolas é usado Multiple Mouse. Cada computador é compartilhado por três estudantes munidos de três mouses. “A idéia é que os alunos sejam protagonistas do seu processo de aprendizagem. O professor orienta e eles são avaliados individualmente com relação a aprendizagem da linguagem.”

O Uruguai já distribuiu 380 mil notebooks para escolas públicas e 6 mil para escolas secundárias e privadas. De acordo Ana Laura Martinez, responsável pela Área de Estudos de Impacto Social e Educativo do Plano Ceibal, a meta de dar computadores a 100% dos alunos e professores de instituições públicas e disponibilizar Wi-Fi em todo o entorno das cidades está perto de ser alcançada.

“Antes do plano, menos de 6% das escolas tinham computadores. Nenhuma agência ou ministério é capaz de implementar um programa como esses sozinho. É preciso um envolvimento de várias áreas do governo. Também é preciso preparar professores, alunos e famílias para receber estes computadores”, afirma.

No Brasil, o programa Um Computador por Aluno (UCA) ainda está na “fase embrionária”. Até o final de junho, de acordo com o secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação, Carlos Bielshowsky, serão distribuídos 150 mil computadores. “Ainda não sabemos a dimensão do UCA.”

*Gabriela Dobner viajou a convite da Unesco

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