Central Estudantil da USP terá 300 diretores contra a reitoria

Chapa vencedora da eleição do DCE assume no dia 14 com críticas às ações recentes da direção da universidade

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A Universidade de São Paulo (USP) terá um novo Diretório Central dos Estudantes a partir do dia 14, quando toma posse a chapa “Não vou me adaptar”, vencedora das eleições concluídas na semana passada. A linha é a mesma da gestão anterior: combater atos da reitoria considerados autoritários.

Boa parte dos integrantes da nova direção fazia parte das últimas gestões, mas o novo grupo tem uma grande diferença, o tamanho: apenas diretores serão 300. “Metade já estava na anterior”, diz Pedro Serrano. Aluno do 4º ano de Ciências Sociais, ele começará seu terceiro mandato como diretor e tem sido um dos principais porta-vozes do grupo. “Nossa intenção é ter um DCE cada vez maior, mais atuante e independente da reitoria.”

Leia entrevista em que ele fala dos planos do grupo:

iG: Quantos diretores assumem e quantos destes já eram da direção anterior?
Serrano:
Somos 300, mas não sei exatamente quantos já eram da gestão anterior, aproximadamente a metade.

iG: Isso aponta para uma continuidade nas ações do DCE?
Serrano:
A chapa “Não Vou Me Adaptar” vai ser nova, diferente de Todas as Vozes (a anterior), embora mantenha alguns elementos. Vai trazer novas possibilidades de mostrar nossas reivindicações e de expandir o movimento estudantil. No ano passado, já cumprimos uma função importante de fazer frente à reitoria truculenta, mas nós vamos expandir.

iG: Como a gestão pretende fazer a expansão?
Serrano:
Isso vai se dar através dos mecanismos do movimento estudantil, politização, debate, palestras, assembleias gerais, conselhos acadêmicos. Também vamos organizar novos protestos, atos de rua e manifestações.

iG: Como o novo DCE recebeu a notícia da nova Superintendência de Segurança da USP ?
Serrano:
A presença de um ex-policial, de um ex-coronel da PM é mais uma amostra da postura truculenta da reitoria. Ainda não está sendo feito nada em protesto por causa do recesso (o calendário da USP prevê uma semana de folga na Páscoa). Antes mesmo da morte do estudante da FEA (que incentivou a parceria da USP com a PM ), os alunos tinham uma série de reinvindicações para aumentar a segurança na universidade. No entanto, a gente acredita que a USP, até pela massa de conhecimento que produz, pelos estudos sociológicos e em todas as áreas, é capaz de fazer um plano de segurança melhor, sem o uso da força policial. Nós tínhamos uma série de propostas para isso. Uma delas era melhorar o treinamento da Guarda Universitária, outra ter efetivo feminino. A gente acha que essa medida anunciada vai no sentido contrário. Queríamos uma segurança humanizada e o reitor vai, entre aspas, militarizar a guarda, o que é um ataque à autonomia universitária.

iG: A reitoria anunciou a nova Superintendência como uma medida votada no Conselho Universitário. Os estudantes não acompanharam?
Serrano:
Eu não soube que isso tivesse passado pelo conselho, mas o conselho universitário tem uma representação de estudantes e funcionários bastante restrita. Há muito tempo tem se tornado um mecanismo de passar a toque de caixa medidas da reitoria e que diz sempre sim à vontade do reitor. A gente vai continuar reivindicando medidas que resolvam a segurança de fato e não de fazer um controle ideológico. Recentemente foi noticiado que policiais que patrulhavam a USP estavam ligados ao tráfico. O contrato deveria ser revogado até que a denúncia fosse apurada, pelo menos.

iG: O DCE discutirá o novo regimento da pós-graduação em análise?
Serrano:
Antes de mais nada, é bom ressaltar que se trata de mais uma medida tomada na universidade sem que isso tenha sido discutido. Em momento algum, antes da proposta do regimento, foi aberto um espaço para sugestões. Agora que estas alterações apareceram vieram questões como parcerias com instituições privadas e a supressão de um parágrafo que garantia a gratuidade. Para que o parágrafo iria sumir? Abre um procedente para cobrança . Essas mudanças, na nossa opinião, estão em um contexto de reformulação da universidade que também já existiu nas diretrizes para graduação, sugerindo inclusive com fechamento de curso. São medidas na direção da mercantilização da USP.

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