Campus da Unila também será atração turística em Foz do Iguaçu

Projeto da sede da Universidade da Integração Latino Americana é do arquiteto Oscar Niemeyer e prevê investimentos de R$ 500 mi

Tatiana Klix, enviada a Foz do Iguaçu (PR) |

Não menos audacioso que o projeto da nova Universidade da Integração Latino Americana (Unila), a primeira bilíngue do País e que pretende reunir 10 mil estudantes e 500 professores de todo o continente em cinco anos, é o de sua sede. Um prédio para salas de aula, outro para laboratórios de pesquisa, um edifício para a reitoria e salas de professores, um anfiteatro com palco giratório para uma área de eventos com capacidade de até 10 mil pessoas, um restaurante universitário e uma biblioteca devem ser construídos em um terreno de 40 hectares doado pela Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Tudo isso projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. 

Para concretizar a obra, que prevê ainda passarelas de acesso entre as principais edificações e uma galeria de serviços para atender toda a estrutura do campus, serão necessários pelo menos três anos e um investimento da ordem de R$ 500 milhões. Além da sua função, a de abrigar uma instituição de ensino, a construção pretende agregar um atrativo turístico à região. 

“Muitos estrangeiros que visitam as Cataratas do Iguaçu não vão ao Rio e a Brasília, onde estão as importantes obras do arquiteto Niemeyer, muito conhecido no exterior. Para uma cidade como Foz, incorporar um projeto dessa natureza potencializa ainda mais o turismo e favorece a taxa de permanência na cidade”, diz o pró-reitor de planejamento e administração da Unila, Paulino Motter, que acrescenta que a torre do prédio vertical, onde ficará a reitoria, vai ter 20 metros acima da crista da barragem de Itaipu, de onde será possível ter uma vista do lago.

A construção está prevista para ser feita em etapas. Na primeira, em fase de preparação da licitação, estão os prédios de salas, da administração e o refeitório, o básico para que a estrutura da universidade possa se transferir para a nova sede, ao lado do Parque Tecnológico Itaipu, onde a Unila está provisoriamente instalada. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) teria se comprometido em investir R$ 306 milhões até 2013. O laboratório e o anfiteatro ficam para uma fase posterior, mas que também poderia ser feita em paralelo. 

Preocupado com o projeto que doou para a Unila, Niemayer fez uma carta para presidente Lula pedindo para que toda a obra fosse licitada de uma vez. 

“O arquiteto tem receio de que a obra seja iniciada, com toda uma concepção amarrada, mas que não venha a se concretizar”, conta o pró-reitor. “A preocupação é pertinente, mas não vemos impedimento em fazer em duas etapas”, acrescenta.

Em paralelo, já está sendo tocado o prédio da biblioteca, que pretende ser também um centro de documentação da América Latina. Trata-se de um projeto internacional, que vai receber a maior parte dos recursos do Fundo Estrutural de Convergência do Mercosul, que reúne recursos de todos os países do grupo e, portanto, tem uma licitação internacional à parte. 

Sede provisória

Tatiana Klix
Campus atual fica no Parque Tecnológico Itaipu
Enquanto o novo campus não fica pronto, a Unila se beneficia do apoio da Usina de Itaipu e de seu parque tecnológico, o PTI, onde fica o campus provisório. A estrutura, localizada no antigo alojamento de barrageiros que construíram a usina, abriga também uma incubadora tecnológica, instituições de pesquisa, um pólo presencial da Universidade Aberta do Brasil (instituição de ensino à distância) e salas de aulas e laboratórios de outra universidade, a Unioeste. Além disso, a estrutura compartilhada tem refeitório, postos de serviços como bancos e correios, auditórios e tudo o que a Unila precisa nesse momento para abrigar seus 206 alunos. Já pensando no crescimento da universidade, novos prédios também estão sendo reformados para abrigar salas de aula. 

“É um privilégio estarmos aqui neste espaço. Até a conclusão da nova sede, não vejo impedimento ao crescimento da Unila com a estrutura que o PTI pode prover”, diz o pró-reitor Motter.

O professor argentino Eduardo Jorge Vior, o único concursado de fora do País na universidade (há outros cinco estrangeiros na condição de visitantes), no entanto, aponta um problema. Como o campus fica em área de segurança binacional da usina hidrelétrica, existe um rígido controle na entrada. Alunos, professores e funcionários têm um crachá para entrar no PTI, mas convidados precisam se identificar previamente e receber autorização.

“Como vamos fazer para fazer atividades de extensão?" pergunta. 

Para atenuar essa dificuldade, a Unila está buscando um espaço na cidade, onde possa organizar atividades para a comunidade. Apesar disso, para o pró-reitor de graduação Orlando Pilati, compartilhar o espaço com outras universidades e instituições de pesquisa não é negativo e os alunos podem se beneficiar da convivência.

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