Fernanda Portella de Almeida e Guilherme Carvalho Stefani, ambos de 17 anos, vivem momentos de satisfação, alívio e reconhecimento. Há 10 dias, receberam uma notícia que os tornaram privilegiados: foram aprovados no vestibular da Universidade de Brasília (UnB). O detalhe é que eles ainda não haviam concluído o ensino médio.
Fernanda de Almeida conquistou uma vaga no curso de direito e recebeu o diploma de conclusão da escola
Há muitas coincidências entre as trajetórias de Fernanda e Guilherme. Além da idade, os dois são estudantes do Colégio Militar de Brasília e ainda cursavam o 3º ano do ensino médio quando se inscreveram para o vestibular da única instituição federal de Brasília. Escolheram dois dos cursos mais disputados da instituição: direito e medicina.
Fernanda saiu do último dia do vestibular, 18 de julho, sem esperanças. As provas difíceis a desanimaram. Corrigiu os testes a partir do gabarito e continuou desiludida. Quando decidiu comparar as próprias notas com as dos colegas, porém, tudo mudou. Voltou a acreditar que uma das 48 vagas do curso de direito, disputadas por 924 candidatos, poderia ser dela.
Guilherme, por sua vez, ficou em dúvida se o esforço feito no primeiro semestre teria sido recompensado porque não completou todos os itens do segundo dia de provas. A partir da divulgação do gabarito oficial, no entanto, ficou confiante de que tinha conseguido uma das 29 vagas de medicina, cada uma disputada por 84 candidatos. Ele ficou em 3º lugar geral no vestibular.
Aprovados em cursos tão concorridos, os estudantes não têm dúvidas de que os três últimos meses de aulas no ensino médio perderam o sentido. “Para passar no vestibular, tive de estudar toda a matéria do ensino médio. Não acho que esse período de aulas vai me fazer falta”, pondera Guilherme.
Maturidade para encarar uma universidade, segundo eles, também não falta. “Estou tranquila. Muita gente entra na universidade nessa faixa etária, mesmo. Foi muito bom ter passado. É um alívio não precisar mais ir para a escola ou o cursinho”, analisa Fernanda.
Com o apoio dos pais, Guilherme e Fernanda solicitaram avanço de estudos na escola. O Colégio Militar prevê a possibilidade de antecipar a entrega do diploma de ensino médio para estudantes que passam no vestibular no meio do 3º ano em uma portaria assinada pelo comandante do Exército e válida para todas as unidades do País.
Guilherme Stefani vai iniciar o curso de medicina e garante que está pronto para a universidade
Para solicitá-la, o candidato precisa cumprir as seguintes regras: estar com todas as notas acima da média da escola (nota 5,0), ter bom comportamento (no Colégio Militar, ele também é medido em nota e precisa ser de mais de 6,0) e, por fim, ter 75% de freqüência nas aulas. Segundo o coronel Bandeira, metade dos 450 estudantes foi liberada.
O que diz a lei
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regulamenta a oferta de ensino no País, prevê, no artigo 24, a “possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado”. Mas não detalha regras ou períodos em que isso possa acontecer. De acordo com o documento, as escolas têm autonomia para fazer esta análise.
Os Conselhos Estaduais de Educação poderiam dar orientações aos colégios, mas não é uma prática recorrente. No Rio de Janeiro, não há esse tipo de regra e cada escola adota o critério que achar melhor para deixar os estudantes avançarem. Em São Paulo, a antecipação de diplomas não é permitida, segundo a Secretaria Estadual de Educação.
No Distrito Federal, o Conselho de Educação local criou uma resolução para orientar o sistema educacional, na qual estão as regras que as escolas da cidade devem seguir caso optem por conceder o avanço de estudos. Os colégios têm autonomia para adotar ou não a medida, que deve estar no regimento.
Somente os alunos do 3º ano podem solicitar o diploma do ensino médio antecipadamente. Precisam ter cursado o primeiro semestre letivo na escola, ter todas as médias (de cada disciplina) acima de 8,0 e ainda passar por uma prova com o conteúdo do semestre ainda não cursado. Nela, o aluno terá de alcançar a média da escola para as provas.
Com base nessa norma, a escola onde estuda Júlia Mezzomo de Souza, 17, não concedeu o avanço à aluna. Júlia obteve médias superiores a 8,0 em todas as disciplinas. Exceto uma: língua portuguesa, na qual ficou com 7,9. Mesmo depois de recorrer a todas as instâncias da escola, inclusive o Conselho Escolar, que tem de avaliar cada caso, ela não conseguiu autorização para fazer a prova que poderia lhe garantir o diploma.
Júlia não vai receber o diploma para assumir a vaga na UnB. Ela ficou com média abaixo de 8 em uma disciplina
Júlia, que adora a escola, conta que não acreditou quando soube que havia conquistado uma vaga no curso de direito. Ela conhecia as normas do colégio, o Centro Educacional Sigma, para antecipação do diploma, mas não imaginava que 0,1 ponto faria tanta diferença. “Fundamentei recursos contra questões da prova, mas não me deram uma justificativa. Eu queria a chance de fazer a prova”, lamenta.
Os pais, Odete e José Derli de Souza, contam que decidiram procurar a Justiça depois de terem esgotado as tentativas na escola. “Não queremos benefícios para a minha filha. Ela é nova, é capaz, pode passar de novo. Mas será que 0,1 ponto é suficiente para dizer que ela não é capaz? E nós não sabemos se ela passaria na outra prova. Queríamos essa chance”, desabafa Odete. O juiz que analisou o pedido de Júlia entendeu que ela deveria continuar na escola.
Carlos Artexes Simões, diretor de Concepções e Orientações Curriculares da Educação Básica do Ministério da Educação, esclarece que a permissão de avanço foi criada para casos excepcionais, de jovens com altas habilidades. “Não existe caráter de progressão pra cumprir critério de acesso. Não devemos estimular essa saída precoce do ensino médio, isso não fortalece a formação dos jovens”, afirma.
Para Artexes, a saída antecipada do ensino médio por causa da aprovação em vestibulares reduz o papel da última etapa da educação básica. “Ela deveria ter um caráter formativo, que não é preparação para o vestibular apenas”, comenta. Clélia Alvarenga Brandão, integrante do Conselho Nacional de Educação, acredita que a pressa pode prejudicar o próprio desenvolvimento do estudante. “Nem sempre a urgência corresponde à maturidade e ao desenvolvimento humano da criança”, diz.
Cedo ou não?
Álvaro Domingues, diretor do Sigma e do Sindicato das Escolas Particulares do DF, argumenta que a escola segue fielmente os critérios da legislação. “A lei é para atender casos excepcionais. Nós trabalhamos de acordo com ela. Acho que, muitas vezes, o aluno imagina estar ganhando ao entrar mais cedo na universidade, mas se ele fica mais alguns meses na escola, consolida conhecimento e formação”, defende.
Para a especialista em desenvolvimento humano, professora do Instituto de Psicologia da UnB, Angela Branco, mais importante do que o tempo que os estudantes estão “pulando” é a maturidade de cada um. “Seis meses não é um período tão significativo. Muitas vezes, estudantes entram mais velhos e ainda despreparados para a universidade. A clareza vocacional é muito relativa” analisa.
Angela acredita que é preciso conversar com o adolescente, saber se ele está certo do que quer, refletir. “É preciso pensar direitinho se essa é uma boa opção. Cada um tem um ritmo. Os pais não devem antecipar etapas, iludidos com a idéia de que quanto mais cedo melhor. Nesse caso, acho que a preocupação deve ser a qualidade da formação e a maturidade de cada um”, opina a psicóloga.
Hipocrisia pura. E nos comentarios, tambem. Comentar sobre educacao e fazer um monte de erros de grafia e concordancia. No minimo interessante... mas na realidade e triste, muito triste.
Quem faz as leis nao pensa, o povo pensa menos ainda e nao se interessa por LUTAR para mudar leis ridiculas. Se ha o vestibular para permitir o acesso, passou, pode cursar e acabou-se. Cursa, termina o segundo grau e apresenta o diploma depois. Lei para antecipar? Precisa? Precisa MESMO e bom senso e vontade de melhorar o que e retrogrado e anti-progressista. BRASILEIROS vejam e leiam o que esta na nossa bandeira!
E desculpem- me, mas eu nao posso usar acentuacoes pois estou num maquina no exterior e nao possuo acesso a caracteres portugueses.
Brasileiro II | 08/09/2010 17:37
Concordo! Hipocrisia pura! Passou, passou! Em países civilizados há a possibilidade dos pais educarem os filhos em casa e eles apenas prestarem provas períodicas de avaliação de conhecimento adquirido. Recentemente, uma nova lei permite que uma pessoa que nunca estudou, se tiver 18 anos, faz o ENEM e é certificada caso alcance a média, a qual ainda poderá usar para entrarm em uma universidade. Ora! Então, uma pessoa jovem, cheia de saúde e inteligência e que já sabe o que quer, tanto que teve o desejo e a iniciativa de prestar a prova, alcança média e é condenada a permancer na escola, perdendo tão almejada vaga??? Que país é este???
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Sabem porque quem tem nota sificiente para fazer curso superior não se aceita que faça o curso se não tiver terminado o ensino médio? ELES SABEM QUE A PROVA FOI UMA PORCARIA QUE NÃO MEDIU CAPACIDADE NENHUMA!!!!
Responder comentário | Denunciar comentárioAluno que se dedica estudar em escola pública ou particular sempre vai se destacar dos demais, não há prioridade, cada caso é um caso, cada ser é único, o que é bom para um pode não ser para outro. É injusto um Estado brasileiro adotar uma medida outro Estado outra, a avaliaçãopara avanço é muito peculiar. Se pensarmos que o Ensino Médio não prepara apenas para o vestibular, segundo a LDB.
O aluno que termina o Ensino Médio não recebe diploma, mas um certificado de conclusão.
É un tremendo absurdo o que vemos em nosso país. O total descaso com a educação, que está cada vez mais sucateada e distante de seus valores de formação. O sistema realmente é um lixo e as escolas públicas uma vergonha, em sua grande maioria, principalmente nas grandes cidades. Assim como "direitos humanos" deveriam ser para "humanos direitos", "ensinos para todos" deveria ser para "todos que queiram aprender", pois hoje nas escolas estamos, ao invés de estimular os estudos, estamos desestimulando os que querem aprender colocando na mesma condição os que NÃO querem. Precisamos mudar de uma vez esse conceito de escola para todos; de progressão automática, que já se mostrou fadada ao fracasso e do resgate ao respeito e a seriedade das instituições de ensino de nosso país. Precisamos tratar com seriedade nosso ensino, acabando de vez com as cotas para "isso" ou "aquilo" e garantindo um ensino de qualidade para todos aqueles que realmente queiram estudar. NÃO há duvida quanto a matéria acima. Se ela pode fazer o exame, então deve ser aprovada e tem condições de dar prosseguimento aos estudos demonstrados através da seleção (uma vez que se mostrou mais capaz que os demais candidatos). Se não querem esse tipo de questionamento, então que não permitam que se façam as provas.
Responder comentário | Denunciar comentárioSimples,passou pode ir,então acabemos com o vestibular.
Quem não,passa não vai.
Esse negocio de justiça não ta com nada,um bom advogado consegue uma matricula até para Dom Corleone.
palhaçada. fiz o 1º ano e antes da metade do segundo ano tive que parar para trabalhar. Depois de uns dois anos fiz um supletivo que foi um fim de semana de provas e depois passei no vestibular estudando em casa, terminei a faculdade tranquilamente. E era federal.
Sacanearam a garota.
Não há dilema nenhum. Quem faz antes da hora faz porque quer. geralmente para ver como é que é o vestibular. Minha filha passou para engenharia civil quando estava nosegundo ano do segundo grau e, como ela, vários de seus colegas. E sempre se fez isso. Há regras sobre o assunto que todos deveriam conhecer antes da prova. Parece que vocês andam sem pauta por aí.
Responder comentário | Denunciar comentárioanonimo | 05/09/2010 23:41
Caro Péricles. Trabalho numa universidade pública e o nosso drama é que não podemos pensar em fazer nada que preste, pelo simples fato de que isso precisa de seriedade, coisa que não neste país. Avaliação tendo isso, promove de imeiato todo que cumpra o que foi pedido..Assim, se vestibular fosse sério, medisse mesmo o conhecimento, todo que tirasse nota para ingressar em curso receberia automaticamente todo os diplomas anteiores que precisava e se matriculava. E um vez dentro, antes de se matricular em qualquer disciplina poderia pedir para ser avaliado o seu conhecimento para ser dispensado desta. Obiviamente isso é coisa para pouco quanto se tem seriedade, mas ajudaria muito que os jovens que já decidiram o fazer, conseguir isso o mais rápido possível. Porém, num país em que jovens de escola pública quando diz que quer fazer curso superior a turma toda cai na gargalhada, nada disto é possível.
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Paremos de hipocresia, no estado de São Paulo onde não é possível fazer a aceleção, avanço, no nível fundamental a evolução de séries é automática, ou seja não precede de quisquer meios de avaliação, basta a frequência, em contrapartida quem se esmera e esforça no nível médio e consegue êxito em superar os concorrentes no vestibular fica impossibilitado de avançar em seus estudos.
Tenho em minha casa exemplo prático disto, minha filha cursou até o 2º ano do nível médio e ao término conseguiu ingressar no curso de farmácia/bioqúímica na UFMS, onde passou em 9º lugar, inclusive, com opção em odonto, onde ficou em 22º lugar.
Ao término do curso optou em fazer aprimoramento na USP, onde novamente disputou a vaga com mais 300 pessoas e conseguiu êxito, em seguida, dando continuidade, pretou no mesmo lugar para mestrado, onde, atualmente, aprimora seus conhecimentos.
Assim, não vislumbro nenhuma objeção ao avanço, desde que com critérios objetivos, ou seja a capacidade de dar continuidade aos estudos sem afetar a integridade mental do aluno.
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