Cai diferença entre alunos brasileiros e de países desenvolvidos

Resultados do Pisa mostram que, em nove anos, média do País em leitura, matemática e ciências subiu 33 pontos

Priscilla Borges, iG Brasília |

Os alunos brasileiros ainda estão longe de obter o desempenho ideal no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), avaliação educacional criada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas as notas alcançadas por eles em leitura, matemática e ciências estão entre as que mais aumentaram nos últimos nove anos. A análise feita a partir dos dados divulgados pela OCDE mostra que a média nas três áreas cresceu 33 pontos desde 2000.

Enquanto isso, a média dos países desenvolvidos ficou a mesma ao longo dos anos: 496 pontos. “Vários países cresceram, como a Alemanha. Mas, na média, os países da OCDE estagnaram. O mundo desenvolvido está com dificuldade de melhorar a própria média. A ideia de que ficaríamos sempre atrás dos países desenvolvidos não está se confirmando”, analisa o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Quando o Brasil participou pela primeira vez da avaliação, as notas obtidas em leitura, matemática e ciências foram, respectivamente, 396, 334 e 375 pontos. A média ficou em 368 pontos. O País estava em último lugar entre os avaliados. No ano passado, os estudantes brasileiros superaram as metas previstas pelo Ministério da Educação para a avaliação. O MEC esperava que a média nacional no Pisa chegasse a 395 pontos em 2009. Os brasileiros alcançaram 401 pontos. Em leitura, pularam para 412. Em matemática, para 386 e, em ciências, 405. 

Brasil x outros países na média do Pisa

Em 9 anos, desempenho de alunos brasileiros evolui. Resultado nos países da Organização de Cooperação dos Países Desenvolvidos (OCDE) permanece o mesmo

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OCDE

“O Brasil é o terceiro país que mais cresceu nas médias na última década. Ficou atrás apenas de Luxemburgo (que aumentou 38 pontos) e Chile (37 pontos). São países com realidades muito diferentes da do Brasil”, avaliou o ministro. Dos 33 pontos a mais que o País obteve nas avaliações dos últimos nove anos, 17 foram atingidos no último triênio. Para o ministro, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) contribuiu para isso.

Em 2007, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva aprovou um conjunto de ações para as diferentes áreas educacionais. O PDE define metas de qualidade, prevê ações para alcançá-las e aumento de recursos. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é a avaliação nacional criada para traçar as metas. Cada escola, estado e o País precisam atingir notas específicas ao longo dos anos com o objetivo de alcançar o mesmo nível de ensino dos países desenvolvidos (da OCDE) em 2021.

Na opinião de Haddad, a divulgação dos resultados por escola do Ideb impactou positivamente os resultados. “A aprendizagem do aluno voltou a estar no centro do trabalho das escolas. Eles têm de apresentar proficiência. A educação transcende os resultados em testes padronizados, claro, tem a ver com a cidadania, a ética”, afirma. Segundo o ministro, organizadores do Pisa procuraram o MEC para entender as mudanças promovidas nos últimos anos. “O resultado chamou a atenção deles e as entrevistas feitas conosco serão publicadas em abril”, diz.

Evolução brasileira no Pisa

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OCDE e MEC

Longe do ideal

O ministro reconhece, no entanto, que a proficiência dos estudantes ainda não é boa. Para atingir as metas estabelecidas para o próximo triênio (chegar a 417 pontos) e 2021 (473 pontos), será preciso investir em educação infantil e na valorização do magistério. Com a oferta obrigatória da pré-escola, Haddad acredita que o desempenho escolar das crianças será melhor. “A valorização do magistério é primordial para atingirmos as próximas metas. Se quisermos atrair jovens talentos para a carreira, ela precisa ser fortalecida. Nenhum país de alto desempenho paga menos aos professores do que a média de salários de outros profissionais com diploma de ensino superior. No Brasil, o valor é 40% menor”, ressalta.

Os investimentos precisarão crescer. Haddad diz que o Ministério da Educação estabeleceu a meta de 7% do PIB ser destinado ao financiamento da educação no Plano Nacional de Educação, que será enviado ao Congresso Nacional. Durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em abril, quando entidades, professores e educadores discutiram as metas para o plano, o objetivo era que esse valor chegasse a 10% nos próximos dez anos. Para o ministro, os 7% são factíveis.

Pisa X Ideb

Haddad lembrou que as metas de qualidade definidas para o Ideb foram traçadas baseadas no desempenho dos estudantes dos países desenvolvidos, que fazem parte da OCDE. De acordo com o ministro, o crescimento das notas dos alunos brasileiros no Pisa confirma a realidade mostrada pelo Ideb. “Serve como controle externo da avaliação brasileira e reflete de alguma maneira o que está acontecendo no País mesmo que não sejam avaliações iguais”, ressalta.

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