Brasileiros consideram vagas do Prouni insuficientes

Pesquisa do Ipea mostra como educação é percebida no País. Falta informação sobre programas e função dos conselhos escolares

Priscilla Borges, iG Brasília |

A quantidade de vagas oferecidas pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) é insuficiente na opinião dos brasileiros. É o que mostra pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feita com 2.773 pessoas em suas residências entre os dias 3 e 19 de novembro de 2010. O objetivo do estudo é saber como os brasileiros avaliam o serviço educacional do País.

A percepção de que há poucas vagas no ProUni é unânime: 84,2% dos entrevistados consideram as vagas oferecidas “poucas ou muito poucas”. Apenas 15,8% acham o número suficiente. Na seleção do programa para este semestre, por exemplo, o programa do Ministério da Educação que distribui bolsas de estudo para estudantes de baixa renda em instituições privadas ofereceu 123 mil vagas com isenção parcial ou total.

Quantidade de vagas no Prouni

Os brasileiros consideram o número de bolsas oferecidas pelo governo federal pelo programa insuficiente (em %)

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SIPS Ipea/2011


O Prouni foi apontado como o programa mais conhecido pela população: 61% dos entrevistados afirmaram conhecê-lo, mesmo quando não tinham filhos ou eles próprios não fossem beneficiados. Para a grande maioria, o programa deve ser mantido (24%) ou ampliado (73,4%). Contudo, os brasileiros não querem que a isenção de impostos concedida a instituições de ensino participantes seja aumentada. Na opinião de 37,7% dos entrevistados, a isenção deve permanecer a mesma, 16,3% sugerem a extinção e 18,6% a redução dela.

Manutenção do Prouni

A maioria dos entrevistados pelo Ipea defende a manutenção do programa (em %)

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SIPS Ipea/2011


Enquanto o Prouni já faz parte do conhecimento de boa parte dos brasileiros, um importante instrumento de participação social na exigência de qualidade de ensino é completamente desconhecido pela população: o conselho escolar. Órgãos que devem fazer parte do sistema de ensino em todos os níveis (municipal, estadual e federal), os conselhos são formados por pais, professores, gestores, estudantes, servidores para acompanhar a gestão financeira, pedagógica e administrativa das escolas.

De acordo com o estudo Sistema de Indicadores de Percepção Social, 71% da população não sabe que eles existem, especialmente os mais velhos ou menos escolarizados. Entre as pessoas com mais de 55 anos ou que só estudaram até a 4ª série do ensino fundamental, mais de 80% desconhecem os conselhos escolares. Quem conhece o órgão, no entanto, reconhece sua importância para fiscalização financeira e pedagógica.

Ensino melhor

O estudo do Ipea mostra que, de modo geral, grande parte dos brasileiros (48,7%) considera que a educação pública melhorou. Para 27,2% dos entrevistados, não houve mudanças e para 24,2%, piorou. Somente 12,1% acreditam que a educação no País “melhorou bastante” e outros 13,1% avaliam que “piorou bastante”. As críticas são mais fortes entre as mulheres: 26,9% acham que o ensino na rede pública piorou, contra 21,1% dos homens. Outras 46,6% concordam que o ensino está melhor, enquanto 51% dos homens têm a mesma opinião.

O Ipea chama a atenção para o fato de que, além das diferentes respostas entre gênero, há discrepâncias regionais, de renda e de raça na avaliação da educação pelos brasileiros. A percepção mais favorável é dos entrevistados pretos e pardos, com menor renda e escolaridade e os moradores das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Para 50,9% dos entrevistados pretos e pardos, educação melhorou, enquanto 46,4% dos que se declararam brancos pensam o mesmo. Entre os brancos, 26,6% consideram que o ensino piorou, contra 22,2% dos negros.

Diferenças regionais na avaliação do ensino

A percepção sobre a educação pública varia entre as regiões. A melhor visão do ensino está no Centro-Oeste (em %)

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SIPS Ipea/2011


No quesito renda, apenas 19,3% dos entrevistados com renda de até dois salários mínimos acreditam que o ensino está pior no Brasil, enquanto mais de um terço dos entrevistados (34,2%) com renda entre dez e 20 salários mínimos têm essa visão. Na região Centro-Oeste, está o maior índice de percepção positiva da educação: 62,9% defendem que o ensino melhorou. O menor, por sua vez, está no Sudeste. Apenas 40% têm a mesma opinião e quase a mesma quantidade de pessoas (36,1%) avalia que piorou.

“O maior índice de percepção de melhora na educação no Centro-Oeste, no Nordeste e no Norte, e o menor índice no Sul e no Sudeste podem ser uma evidência de que foram ampliados os investimentos nas três primeiras regiões, onde se encontram os piores indicadores educacionais do País”, afirma o relatório do estudo. Os especialistas do Ipea alertam, porém, que pode haver “uma estagnação ou diminuição do ritmo de avanço da qualidade da educação em regiões brasileiras onde os índices são melhores, mas ainda inferiores aos patamares internacionais de qualidade”.

Merenda e livros

Dois programas do governo federal importantes para a educação básica foram alvo das perguntas da pesquisa: o de alimentação escolar e o do livro didático. De modo geral, a quantidade e a qualidade das refeições servidas nas escolas públicas do País são consideradas boas pela população (59,5% dos entrevistados). Porém, no Norte e no Nordeste, o índice de reclamação é maior.

No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, a satisfação com a qualidade da merenda escolar está acima da média nacional, respectivamente: 75,8%, 70,9% e 65,5%. Nas regiões Norte e Nordeste, o índice de avaliação positiva é de apenas 39,1% e 38,6%, respectivamente. Para a maioria das pessoas que mora nos Estados dessas regiões, a qualidade do lanche é regular (39,7% e 47% do total, respectivamente). No Norte, 21,7% dos entrevistados consideram a merenda servida aos alunos ruim.

Visão sobre a qualidade da merenda escolar

Há muitas diferenças regionais entre a percepção dos brasileiros sobre os alimentos servidos na escola (em %)

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SIPS Ipea/2011


Na quantidade servida, as diferenças regionais se repetem. Para os participantes da pesquisa que moram no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a quantidade é suficiente. Opinião que no Norte e no Nordeste é compartilhada por 47,4% e 46,3% dos entrevistados, respectivamente. Nas duas regiões, mais de 50% dos participantes da pesquisa acreditam que se serve pouco ou muito pouco alimento nas escolas. A maioria dos brasileiros (66%) defende a ampliação do programa e 32% querem que programa seja mantido.

Para os entrevistados pelo Ipea, também é unânime a necessidade do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que distribui livros didáticos para todos os alunos dos ensinos fundamental e médio na rede pública. Pelo menos entre os que conhecem o programa: 64% acham que deve ser ampliado, enquanto 34% querem que seja mantido. Apesar de não ser uma novidade, 68% dos entrevistados desconheciam a existência do programa do MEC. As pessoas menos escolarizadas (estudaram só até a 4º série do ensino fundamental) e as mais velhas (com 55 anos ou mais de idade) são as menos informadas.

Entre os que conheciam a proposta, a avaliação dos três quesitos perguntados – quantidade de livros distribuídos, estado de conservação dos exemplares, conteúdos e métodos utilizados e qualidade da encadernação e impressão gráfica – é positiva. Apenas na quantidade há um número expressivo que considera insuficiente o número de livros distribuídos: 45%. Sobre a conservação do material, 31,7% dos homens consideraram regular ou ruim e 22% das mulheres entendem o mesmo.

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