EUA e Reino Unido apontam um aumento na procura de brasileiros por vagas em faculdades

Seja em busca de um diferencial no mercado de trabalho ou de uma experiência única, cada vez mais estudante brasileiros estão ingressando em faculdades dos Estados Unidos e do Reino Unido. Os jovens buscam cursos diferenciados, instituições com melhores recursos e a imersão integral em outra cultura.

A carioca Clara Ferraz, de 18 anos, está de malas prontas para iniciar o ano letivo em agosto na Oberlin College , no estado norte-americano de Ohio. “Gostei da faculdade porque no primeiro ano alunos de humanas, exatas e biológicas estudam juntos. Eu não preciso escolher a área que quero seguir. Penso em estudar Teatro ou Meio Ambiente, mas só vou decidir no segundo ano”, conta.

Estudar nos EUA tornou-se possível para Clara graças a uma bolsa de estudos de 80%, que cobre a anuidade do curso e gastos com moradia, alimentação e livros. “O custo total da faculdade, com os gastos pessoais, é de US$ 55 mil anuais. Algo totalmente fora da minha realidade, mas com a bolsa para estrangeiros ficou acessível”, afirma a estudante.

Mahyara Izidoro se formou em 2009 na Berkeley College, em Nova York
ARQUIVO PESSOAL
Mahyara Izidoro se formou em 2009 na Berkeley College, em Nova York
Dados do Instituto de Educação Internacional (IIE) dos EUA apontam um crescimento de 13% em 2009 no número de estudantes de graduação brasileiros. Em 2008, 3.712 estudantes deixaram o Brasil para estudar em instituições norte-americanas. No ano seguinte, o número atingiu 4.201 e colocou o Brasil em 15º lugar no ranking dos países que mais mandam estudantes deste nível acadêmico para os EUA.

Mahyara Izidoro, de 22 anos, fez uma escolha profissional ao se matricular na em Fashion Merchandising na Berkeley College , em Nova York. “Aqui as oportunidades no meio da moda são maiores do que no Brasil. Além disso, na Berkeley encontrei o curso específico que eu queria, Admistração para moda”, conta a jovem que mora em Nova York e cursa sua segunda faculdade, de Design de Joias, na Fashion Institute of Technology (FIT).

Sem bolsa de estudo, Mahyara arcou com custos anuais de aproximadamente US$ 23,6 mil para pagar a faculdade. A estudante estima o custo de vida e os gastos com livros sejam por volta de US$ 2.400 por ano. “Foi uma das melhores experiências da minha vida. Aprendi muito, cresci muito, e sou muito grata pelos meus pais terem me apoiado nesses quatro anos longe deles”, avalia.

Reino Unido

De acordo com o British Council, a procura de estudantes brasileiros por cursos de graduação no Reino Unido também cresceu. Com números mais modestos, porém um crescimento significativo de 51% nos últimos quatro anos, a região recebeu 500 estudantes em 2009. Em 2005 eram 330.

“Atribuímos este crescimento ao aumento do número de jovens, em idade de iniciar uma graduação, com inglês fluente, e a necessidade de buscar uma diferenciação no mercado de trabalho. Para esses estudantes, a graduação no Reino Unido é vista como um investimento de carreira. Tanto é que a área mais buscada entre as instituições britânicas é a de negócios”, destaca Rodrigo Gaspar, gerente de Marketing do British Council Brasil. As universidades mais populares entre os brasileiros estão duas instituições de Londres: a University of the Arts London , com 40 estudantes, e a London Metropolitan University , com 25 alunos do Brasil.

John Evans estudou cinema na London Metropolitan University
ARQUIVO PESSOAL
John Evans estudou cinema na London Metropolitan University
Formado pela London Metropolitan University em Film and Broadcast Production (cinema), o paulista John Evans, 23 anos, destaca a importância de estudar em um país de primeiro mundo. “Tenho parte da cultura inglesa na forma como trabalho”, avalia.

Quem pretende cursar uma faculdade no Reino Unido deve contar com um alto investimento, pois para graduação, as oportunidades de bolsa são praticamente inexistentes. “Para pós, mestrado, doutorado e pesquisa, há diversos programas. Na graduação é muito raro”, explica Gaspar.

A anuidade dos cursos, no entanto, se assemelha aos preços pagos em universidades particulares de São Paulo. Por ano, a graduação no Reino Unido custa cerca de 10 mil libras (R$ 27 mil reais). O que encarece é o custo de vida de morar na Europa.

“Os custos aqui são altos. Bem mais altos que no brasil. Se eu tivesse estudado Cinema em São Paulo, teria estudado na FAAP, que tem uma mensalidade de aproximadamente R$ 2.000. É quase o que eu pagava em Londres. Mas o que é mais caro aqui não são os cursos, mas os custos de vida, aluguel comida e entretenimento”, destaca Evans.

Oportunidades

Graças a uma bolsa para estudantes estrangeiros, Flavia Paolucci, 41 anos, esticou seu intercâmbio na Southern Vermont College , nos EUA, em 1987, quando tinha 18 anos. Sem condições de arcar com os custos da faculdade, ela procurou a direção da instituição e descobriu que o número de vaga para estudantes estrangeiros não estava preenchido.

Flavia Paolucci no campus da Southern Vermont College, nos EUA
ARQUIVO PESSOAL
Flavia Paolucci no campus da Southern Vermont College, nos EUA
“Estive na hora certa e no local certo. Foi quase um milagre conseguir bolsa integral. Se você quer estudar fora, se você tem um objetivo, não espere sentado cair no seu colo. Vá em busca das informações, de contatos, porque as oportunidades existem. Não desanime com as dificuldades, não deixe de correr atrás porque vai ser difícil”, aconselha.

Encontrar programas de bolsas de estudos, preparar a documentação para se inscrever em uma faculdade fora do Brasil, realizar testes de proficiência é uma burocracia que pode assustar os estudantes. Porém há instituições que facilitam esse trabalho.

Para estudar nos EUA, os estudantes podem contar com a Education USA e a Comissão Fulbright . “Para um estudante do Ensino Médio não são óbvias as oportunidades e os mecanismos para financiamento que ele dispõe para estudar fora do Brasil”, avalia o diretor executivo da Fulbright, Luis Loureiro. “Ajudamos a redigir cartas, a realizar as provas, aplicações e até pagamos os certificados necessários para estudantes carentes. Viabilizamos pra que eles encontrem uma oportunidade nos EUA”, elenca Loureiro.

Thais Pires, supervisora da Education USA e da Associação Alumni, afirma que as universidades norte-americanas também estão interessadas nos alunos brasileiros. “No ano passado tivemos 25 instituições participantes na feira ‘Education USA’ e este ano estamos com 38 inscritos”, conta. A feira irá acontecer no dia 8 de setembro no Hotel Intercontinental, em São Paulo, e em 9 de setembro no Hotel Marriot, no Rio de Janeiro.

Para as universidades britânicas, todo o processo de candidatura é feito no Brasil pelo site da UCAS . O British Council possui um serviço gratuito de informações e dicas para quem quer saber como se candidatar: centro.info@britishcouncil.org.br / (11) 2126-7500.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.