Brasileira ganha prêmio inédito na Intel

Tamara Gedankien apresentou um trabalho que mistura matemática à cultura judaica na International Science and Engineering Fair

Gabriela Dobner, iG São Paulo |

Divulgação
Tamara Gedankien ficou em primeiro lugar
Tamara Gedankien ganhou na semana passada um prêmio que pode mudar sua vida acadêmica: uma bolsa de estudos no valor de US$ 60 mil para cursar psicologia na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. O “presente” deve-se à conquista do primeiro lugar na International Science and Engineering Fair (Intel/Isef), a maior feira de tecnologia do mundo, com o projeto “Gemara e Gematria: um estudo de caso sobre os efeitos do uso do contexto sócio-cultural na aprendizagem matemática”.

Ex-aluna da Nova Escola Judaica (Biakik + Renascença) de São Paulo, onde concluiu o ensino médio no ano passado, Tamara competiu com mais de 1.600 estudantes, finalistas de feiras de ciências de 59 países, que compartilharam idéias, demonstraram invenções e pesquisas inovadoras. Em 60 anos, foi a primeira brasileira a levar o primeiro lugar.

“Ainda estou chocada com o prêmio. É tudo o que eu sempre quis. Estudar e aplicar a psicologia na área de educação. Quero atuar na área de pesquisa, e estudar nos Estados Unidos será uma oportunidade única”, conta.

Matemática e cultura judaica

A pesquisa começou em 2008. “Pensei: o que aconteceria se um aluno fosse ensinado por meio da cultura em que estivesse inserido? A partir disso, desenvolvi o projeto utilizando a gemara e gematria na matemática e o apliquei a 87 alunos das 4ª e 8ª séries do ensino fundamental da Nova Escola”, explica.

Tamara pretendia demonstrar a importância do contexto sociocultural na educação escolar por meio de uma aplicação que integrasse a cultura judaica e a matemática. Como resultado, percebeu que os alunos aumentavam sensivelmente seus desempenhos quando trabalhavam os conteúdos matemáticos a partir de uma abordagem que levava em conta sua cultura.

“Entendo que uma educação que desenvolva habilidades para o mundo do trabalho será obtida por meio de um programa de ensino que reconheça as diferenças e desigualdades entre os estudantes, promovendo propostas diferenciadas, mas que culmine em resultados semelhantes. É o que eu chamo de epistemologia da pluralidade, a multiplicidade de saberes em um mundo globalizado”, afirma.

Tamara estuda da Nova Escola desde os 4 anos. Ela diz que a instituição foi a grande incentivadora do seu projeto. “A escola incentiva a educação humanitária, o que me proporcionou a sensibilidade para questionar o mundo. Ela me deu conhecimento e não só jogou informação. “

International Science and Engineering Fair

Divulgação
Tamara Gedankien ganhou prêmio inédito para o Brasil
A delegação brasileira na International Science and Engineering Fair era formada por 18 trabalhos selecionados pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) e pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). O País conquistou, além do primeiro lugar com Tâmara, três terceiros lugares e dois segundos lugares.

“A qualidade dos trabalhos era incrível. Cada participante ficava em um estande para apresentar o seu projeto a avaliadores, que circulavam pelo Centro de Convenções. A gente tinha 15 minutos para apresentar o trabalho”, relata Tamara.

“Estamos vivendo em um mundo de grandes desafios, mas as escolas podem permitir que seus alunos usem esses desafios como grandes oportunidades. A Intel / Isef foi mais uma oportunidade de ver o talento, o trabalho duro, entusiasmo e diversão de todos os jovens presentes, com uma grande diversidade de origens e uma paixão comum para a investigação científica, inovação e descoberta”, afirma Rogério Giorgion, coordenador do Projeto Monográfico e do Centro de Estudos de Linguagens e Tecnologias (Celtec), da Nova Escola Judaica e coordenador do trabalho de Tâmara.

Veja os outros brasileiros premiados:

Segundo lugar em Microbiologia

William Lopes, Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, com o projeto Utilização do fungo Aspergillus niger em Tratamento de Águas Residuais II.

Segundo lugar em Projetos em Grupo

Eduardo Trierweiler Boff e Lucas Strasburg Ferreira, Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, com o projeto: Prótese ortopédica de baixo custo para amputação de membros inferiores produzida a partir de Materiais Recicláveis.

Terceiro lugar em Bioquímica

Leonardo de Oliveira Bodo, Dante Alighieri, São Paulo, com o projeto Tecelagem de Saúde: A Tecelagem antimicrobial de substâncias da Ootecas da aranha, Phoneutria nigriventer.

Teceiro Lugar em Gestão Ambiental

Karoline Elis Lopes Martins, Centro Federal de Educacao Tecnologica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, com o projeto Construção de um Sistema de Fluxo Contínuo SODIS com garrafas PET integrado a um sistema de água e tratamento de águas residuais.

Terceiro lugar em Medicina e Ciências da Saúde

Joao Batista de Castro David Junior, Colégio Estadual Liceu de Maracanau, Ceará, com o projeto Identificação larvicidas biológicos.

    Leia tudo sobre: intelprêmiomatemáticacultura judaica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG