Brasil participa da construção de instrumento astronômico internacional

Espectrógrafo, que analisa a luz, será criado em parceria com os Estados Unidos e Reino Unido.

Isis Nóbile Diniz |

O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, ganhou concorrência internacional para construir um dos instrumentos astronômicos mais complexos da atualidade: o espectrógrafo Wide-Field Multi-Object Spectrograph (WFMOS). Ele será instalado no telescópio japonês Subaru, localizado no Havaí. As obras estão previstas para serem iniciadas em outubro de 2009 e deverão durar cerca de cinco anos. O valor do investimento ainda é discutido pelos organizadores.

A concorrência entre duas equipes ¿ composta por australianos e outra por brasileiros, americanos e britânicos - foi organizada pela instituição Gemini, responsável pelo observatório de mesmo nome, localizado nos Andes Chilenos. Ele é mantido por um consórcio entre sete países, do qual o Brasil faz parte como sócio minoritário. O grupo vencedor construirá o equipamento utilizando os fundos do consórcio Gemini, o que significa um aproveitamento direto de seu próprio investimento previamente realizado, explica Antônio César de Oliveira, pesquisador principal do WFMOS no LNA.

Os Estados Unidos fornecerão as fibras óticas, enquanto o Brasil será responsável pela construção do cabo delas. O que envolve a confecção dos terminais de entrada e saída do sistema e os conectores de fibras ópticas. Essa é nossa especialidade. Temos nos mostrado imbatíveis nessa tecnologia, poucos grupos no mundo chegam perto de nossa eficiência e qualidade, conta Oliveira.

Com esse trabalho, o Brasil poderá obter cerca de duas patentes na área. Estamos fazendo ciência e, ao mesmo tempo, desenvolvendo tecnologia de ponta, diz Oliveira. Trabalhando em igualdade com as grandes potências científicas do mundo, completa.

O que é um espectrógrafo

O espectrógrafo é um instrumento que decompõe a luz. De modo geral, a análise do espectro da luz mostra caraterísticas físicas de estrelas, galáxias e outros objetos astronômicos. Por exemplo, apresenta a composição química e a idade dos corpos celestes observados. Neste caso, a diferença do WFMOS para os demais é que ele poderá analisar mais de dois mil objetos ao mesmo tempo.

Em última análise, equivale a dizer que será possível quantificar e qualificar o universo com muito mais rapidez do que já se fez com qualquer instrumento criado pelo homem, conta Oliveira. Entre tantos segredos guardados no universo, o WFMOS poderá: descobrir o que é a energia escura; acompanhar pela primeira vez a formação das estrelas mais antigas da Via Láctea; testar a veracidade da teoria da relatividade geral de Albert Einstein em grandes escalas.

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