Brasil ainda está longe de atingir metas de educação para 2015, diz Unesco

Brasília - O Brasil ainda não está ¿nem perto¿ de atingir as seis metas do compromisso Educação para Todos, estabelecido durante a Conferência Mundial de Educação em Dacar, no ano 2000. A conclusão é do Relatório de Monitoramento de Educação para Todos Brasil 2008, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). ¿Seguindo o mesmo ritmo, o Brasil não vai atingir as metas até 2015¿, diz a consultora do estudo Angela Rabelo Barreto.

Agência Brasil |

Segundo ela, embora o país tenha avançado em alguns pontos, como a educação primária, a evolução não tem sido suficiente para que alcance as metas estabelecidas. Uma das principais preocupações, de acordo com Barreto, é com a taxa de analfabetismo, que vem reduzindo, mas em ritmo lento. Há risco de o Brasil não alcançar a meta de redução de 50% da taxa de analfabetismo que tinha em 2000, disse.

O relatório da Unesco aponta que a taxa de alfabetização passou de 84,4% em 1995 para 88,9% em 2005. Para cumprir a meta do Educação para Todos, o Brasil deverá apresentar em 2015 uma taxa de analfabetismo de cerca de 6,7%. Essa meta dificilmente será atingida se o ritmo de redução permanecer o mesmo da última década, aponta o documento.

A pesquisadora destaca, no entanto, que o relatório foi feito com base em dados de 1990 até 2005, e não levou em conta as ações governamentais que estão sendo implementadas atualmente na área de educação. Essas perspectivas não refletem as políticas atuais, então, o que está sendo feito hoje no campo da educação pode reverter esse quadro com grande probabilidade, diz.

No lançamento do relatório, o ministro da Educação, Fernando Haddad, também ressaltou ações recentes como o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e reconheceu que ainda há muito o que fazer. Há toda uma avenida a percorrer. Mas era uma avenida esburacada, hoje já é uma avenida pavimentada, que vai permitir acelerar o passo e superar as nossas deficiências.

Segundo Haddad, além de elevar as médias nacionais, o Brasil precisa combater as desigualdades de oportunidades na área da educação. O relatório demonstra que temos que enfrentar a desigualdade com muita força e em um ritmo muito mais acelerado do que vínhamos fazendo até aqui, reconhece.

Para o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, o cumprimento das metas não é impossível, mas será preciso um grande esforço por parte do Brasil. Precisa de concentração nos pontos mais fracos com ação determinada para atingir objetivos, disse. Segundo ele, os pontos mais críticos são relacionados à educação infantil e ao combate das desigualdades regionais e de gênero.

Esta é a primeira vez que a Unesco faz um relatório com análises específicas sobre a situação brasileira na área da educação. Segundo Defourny, o documento vai permitir que o Brasil trabalhe internamente nas áreas que precisam de mais esforços, além de possibilitar a comparação e o diálogo com outros países.

As metas que os países se comprometeram a atingir até 2015 são: expandir e melhorar a educação na primeira infância, assegurar o acesso de todas as crianças em idade escolar à educação primária completa, gratuita e de qualidade, ampliar as oportunidades de aprendizado dos jovens e adultos, melhorar em 50% as taxas de alfabetização de adultos, eliminar as disparidades entre gêneros na educação e melhorar todos os aspectos da qualidade de educação.

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