SÃO PAULO - A limitação ou o baixo acesso de jovens brasileiros ao ensino médio é um dos fatores que preocupam e explicam a falta de pesquisadores em São Paulo, embora o estado seja atualmente responsável por quase a metade da pesquisa científica produzida no país. O gargalo, segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), não é apenas um caso específico do estado, mas de todo país. Segundo ele, 67% dos jovens em São Paulo chegam ao ensino médio, mas a média nacional é de apenas 40%.

O grande desafio para o Brasil é melhorar a qualidade da educação fundamental, melhorar a qualidade e a quantidade da educação média e usar mais a capacidade instalada de pesquisa nos principais centros para formar pessoal científico para o país inteiro, afirmou ele, em entrevista à Agência Brasil.

Outros fatores que explicariam a falta de pesquisadores em São Paulo, de acordo com o diretor da Fapesp, é o pouco apoio dado pelo governo federal às atividades de pesquisa e de pós graduação. E isso acontece, segundo ele, por causa do menor número de universidades federais instaladas no estado. São Paulo é o único estado brasileiro que não tem uma grande universidade federal, afirmou.

E o esforço que o governo federal dedica ao ensino superior no estado de São Paulo representa apenas 8% do total do esforço de apoio ao ensino superior federal que o governo faz no país todo. E isso é muito pouco porque São Paulo tem 21% da população brasileira, disse.

Para o pesquisador, todos esses fatores combinados provocam a falta de pesquisadores nas universidades, nos institutos de pesquisa e nas empresas brasileiras. Um problema que pode contribuir para a perda de desenvolvimento e de competitividade do país.

Em 2008, o volume total de investimento em pesquisa em São Paulo foi de R$ 15,5 bilhões, o que representou 1,5% do Produto Interno Bruto ( PIB) do estado. Segundo ele, esse percentual vem crescendo em São Paulo e o ideal seria ser mais perto de 2,3% do PIB.

Desse total de investimentos, 63% foi feito por empresas. Quanto ao financiamento público à pesquisa produzida em São Paulo, a maior parte provém de recursos estaduais. O recurso estadual que é destinado ao financiamento à pesquisa, em São Paulo, é quase duas vezes maior do que o recurso federal. E a principal razão para isso é o fato de haver poucas universidades federais no estado de São Paulo, disse.

O estado de São Paulo conta atualmente com 1,2 mil pesquisadores a cada milhão de habitantes, enquanto a média brasileira é de 600 pesquisadores por milhão de habitantes. O número, quando comparado com o de outros países, é muito baixo.

O Japão, por exemplo, tem 5,5 mil pesquisadores por milhão de habitantes, enquanto a Espanha tem 2,6 mil na mesma comparação. A quantidade de pesquisadores, a porcentagem da força de trabalho que o Brasil e São Paulo dedicam à pesquisa é pequena em comparação à de outros países. Se for pequena em relação à dos Estados Unidos ou do Japão, pode ser que não seja muito problemático. Mas é pequeno em comparação com Portugal e Espanha, criticou.

Segundo Cruz, além de priorizar o ensino médio em seu programa educacional, o Brasil precisa usar, de forma mais eficiente, a capacidade de pesquisa disponível em cada região, valorizando os grandes centros.

O Brasil, ao mesmo tempo que precisa desenvolver as atividades de pesquisa e de pós graduação em todas as regiões do país - porque isso é muito importante para o desenvolvimento do Brasil - também precisa usar, de maneira mais eficiente, as regiões que têm mais capacidade de formar pessoas que vão trabalhar no Brasil inteiro. Por exemplo, quando o governo federal decide que não vai fazer investimento em ensino superior federal em São Paulo, isso é algo que prejudica o Brasil e os jovens paulistas que não têm chance ou têm pouca chance de ir para uma universidade federal, afirmou.

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