Banco Mundial reconhece progressos na educação básica brasileira, mas ressalta que é preciso acelerar o ritmo

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Mundial destaca a consolidação das avaliações educacionais no Brasil e cita como um grande avanço a criação, em 2005, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O indicador atribui notas, em uma escala de 0 a 10, a cada escola pública do País. “Nenhum outro grande país com regime federativo no mundo conseguiu esse feito”, diz o estudo.

O Ideb mede a qualidade do ensino oferecido pelas escolas públicas com base na nota da Prova Brasil e dos índices de reprovação. Ele atribui uma nota a cada escola, assim como às redes municipal e estadual, que precisam cumprir metas bienais para melhorar seus índices. De acordo com o Ideb de 2009, a média nacional foi de 4,6. Até 2022, a meta é chegar a 6 pontos. O relatório destaca que cada segmento do sistema educacional brasileiro tem um ponto de referência para medir o grau de aprendizado de seus estudantes e a eficiência da escola ou sistema escolar.

O estudo reconhece “progressos notáveis” na educação básica brasileira nos últimos 15 anos, mas ressalta que o País precisa acelerar o ritmo se não quiser perder espaço no mercado global para países com populações mais preparadas para o trabalho. Ainda conforme o estudo, o Brasil teve o mais rápido aumento do nível educacional da força de trabalho em todo o mundo, ultrapassando a China – entre 1990 e 2010, a escolaridade média da população passou de 5,6 para 7,2 anos de estudo.

Segundo o Banco Mundial, tais resultados são fruto de uma política que começou em 1995, quando o governo federal assumiu a tarefa de equilibrar o financiamento da área, com o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental, a criação de avaliações como o Saeb e de programas de distribuição de renda condicionados à frequência escolar, como o Bolsa Escola. A ampliação dessas políticas e a adoção de novas medidas na área resultaram na melhoria do ensino brasileiro, afirma o relatório.

“Em 1993, aproximadamente 70% da força de trabalho não haviam completado o ensino médio. Hoje este número é de 40%. A maior mudança não é o acesso ao ensino fundamental, mas sim a proporção muito maior de crianças que permanecem na escola até completar o ensino médio”, diz o Banco Mundial. Hoje os estudantes brasileiros completam entre nove e 11 anos de escolaridade, independentemente do nível escolar de seus pais. “Em 1993, a criança [filha] de um pai sem educação formal completaria em média somente quatro anos de escolaridade.”

Apesar dos avanços no acesso à educação, o Brasil ainda está “muito longe” de alcançar os níveis de aprendizagem e a eficiência de fluxo estudantil dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Banco Mundial alerta, porém, que o nível de aprendizado dos alunos é que “realmente conta para o crescimento econômico e não quantos anos de escolaridade eles completam”.

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