Salomão é uma figura descrita tanto no Velho Testamento como no Corão. Segundo a Bíblia, teria sido o terceiro rei dos hebreus, depois de Saul e Davi, de quem era filho. Há poucas evidências históricas do período estimado em 30 anos no qual Salomão teria conduzido a chamada Monarquia Unida, que ao fim de seu reinado seria dividida nos reinos de Israel e Judá. Mas as lendas são numerosas.

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A ideia de opulência no reinado de Salomão, tornada possível pela existência de minas de ouro praticamente inesgotáveis, foi aumentada pelo livro As minas do rei Salomão, publicado em 1885 pelo inglês Henry Rider Haggard (1856-1925), primeiro romance de aventura na língua inglesa que se passa na África. A aventura liderada pelo aventureiro Allan Quatermain por uma região inexplorada no continente é considerada a precursora dos livros sobre mundos perdidos.

Um novo estudo, que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), destaca que as minas teriam existido em período coincidente com o descrito nos relatos bíblicos. Segundo a pesquisa, o controle da exploração do minério, no caso cobre, em região localizada na atual Jordânia, teria se iniciado durante o reinado de Davi.

Liderado por Thomas Levy, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, e Mohammad Najjar, da instituição Amigos da Arqueologia, da Jordânia, um grupo internacional de pesquisa escavou um antigo centro de produção de cobre em Khirbat en-Nahas, ao sul do mar Morto.

A escavação foi feita até se atingir terreno não explorado, após mais de 6 metros de detritos. Os pesquisadores encontraram artefatos e, por meio de datação por radiocarbono, verificaram que o auge da produção das minas ocorreu no século 10 a.C., o que se encaixa com a narrativa bíblica dos reinados de Davi e Salomão.

A data é três séculos anterior ao que estudos arqueológicos anteriores haviam concluído. O estudo também identifica um aumento na atividade metalúrgica no local no século 9 a.C., o que estaria em conformidade com a história do povo edomita também relatada no Velho Testamento.

Não podemos acreditar em tudo que os escritos antigos dizem, mas o estudo indica uma confluência entre as datas arqueológicas e científicas com as contidas na Bíblia, afirmou Levy.

De 1925 a 1948, período conhecido como era de ouro da arqueologia bíblica, os cientistas tentaram encaixar suas pesquisas na cronologia do Velho Testamento. A partir da década de 1970 a tendência mudou, depois que escavações na Jordânia indicaram que a metalurgia não teria se iniciado na região até o século 7 a.C. Agora, o novo estudo indica que a exploração de minérios começou mesmo mais cedo.

Nosso trabalho também demonstra métodos objetivos que permitem a análise de dados de modo neutro e isento. Isso é especialmente importante em lugares onde os registros arqueológicos e a análise de textos sagrados ¿seja o Mahabharata, na Índia, ou as Sagas, na Islândia ¿ tornam-se arenas para calorosos debates ideológicos e culturais, disse.

Segundo Levy, o grupo pretende centrar futuros estudos no sítio arqueológico em Khirbat en-Nahas em quem controlava a produção de cobre na região, se os reis Davi e Salomão ou líderes edomitas, e também no impacto ambiental promovido pela antiga indústria.

Assinantes da Pnas podem ler o artigo High-precision radiocarbon dating and historical biblical archaeology in southern Jordan , de Thomas Levy e outros.

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