As explosões solares e sua influência na Terra

Há mais mistérios entre o Sol e a Terra do que supõe nossa vã filosofia. Brincadeiras à parte, a estrela que dá nome a nosso sistema e o planeta em que vivemos, apesar de bem distantes, influem significativamente um no outro.

Ana Clara Werneck |

O meio interplanetário está em constante transformação. Ventos solares, por exemplo, podem chegar à Terra e provocar fenômenos como a Aurora Boreal , que ocorre no Pólo Norte. A Aurora Boreal se caracteriza por um brilho difuso acompanhado de uma "cortina estendida em sentido horizontal.

O fenômeno é causado por uma tempestade magnética oriunda de explosões solares, que podem reagir com o nitrogênio e o oxigênio presente na Terra, fornecendo energia e retirando átomos da atmosfera, como explica o professor Nelson Vani Leister, do Instituto de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP).

Quando algum elemento sai da Terra em direção ao espaço, essa interação é mais profunda. Foi o que aconteceu com o satélite SkyLab, em 1973. Vibrações no lançamento do foguete causaram a separação do escudo protetor contra meteoróides, o que acabou arrastando um dos painéis solares da estação. O Skylab foi então manobrado para que um outro painel captasse o máximo de energia, mas isso provocou um super-aquecimento.

A outra interação possível é nas comunicações terrestres, especificamente a rádio. Isto porque a descarga eletromagnética provocada pela explosão de gases solares chega à Ionosfera terrestre. Em geral, o campo eletromagnético existente na Terra impede que as partículas carregadas entrem. Mas se forem muito fortes, podem atingir esta camada da atmosfera e causar um blecaute nas comunicações via ondas curtas, como explica Rogério Leite, diretor do site Apolo11, especializado em astronomia, geografia e fenômenos naturais.

O pulso, quando atinge a ionosfera, interfere diretamente na reflexão de ondas curtas, impedindo as comunicações a longas distâncias. Outra preocupação com os pulsos eletromagnéticos vindos Sol é que podem acarretar vários prejuízos, sendo o pior deles a queima de transformadores de energia e de circuitos eletrônicos dos satélites , diz Rogério.

Segundo Nelson, a atividade solar obedece a ciclos de 11 anos. Cada um deles vai de um período de atividade máxima até chegar a um de atividade mínima. Atualmente, o Sol está praticamente inativo, o que pode ser comprovado pela aparência do astro, que se encontra quase sem manchas. Há seis anos, foi observada uma grande movimentação solar.

Naquela época, cada explosão poderia movimentar bilhões de megatons em energia. A próxima época de grande atividade está prevista para o ano 2012, de acordo com os especialistas no assunto.

Mas apesar de tanta energia proveniente do Sol, não se pode dizer que uma explosão possa acarretar aumento de temperatura na Terra. O professor Nelson baseia-se no fato de que a atividade solar máxima diminui a cada ciclo, enquanto a temperatura média terrestre segue ritmo crescente.

Como nem tudo são certezas nesta área da Astronomia, em 2007 foi enviado o satélite Stereo, cuja função primordial é ajudar no estudo da origem das explosões. Pois, por enquanto, só se sabe que elas têm a ver com alterações o campo magnético solar , mas suas causas continuam sendo um mistério. O Stereo registra as explosões do Sol com imagens em 3D, fato inédito até então.

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