Após manifestação na Paulista, professores decidem manter a greve

Os professores do Estado de São Paulo decidiram manter a greve que completa 24 dias. A decisão foi tomada em assembleia realizada na Praça da República, região central da cidade, nesta quarta-feira.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Liderada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), a categoria decidiu realizar uma nova assembleia na avenida Paulista no próximo dia 8, quando a greve dos professores irá completar um mês. De acordo com os manifestantes, nesta data, professores montarão acampamento na Praça da República, em frente à sede da Secretaria de Educação, para exigir que o secretario Paulo Renato de Souza os receba para uma negociação.

A Secretaria de Educação lamentou que novamente "os manifestantes causem transtornos graves no trânsito da cidade e prejudiquem o acesso aos mais de 20 hospitais da região". A Secretaria considera que o movimento é uma "tentativa do sindicato de criar um fato político, já que a rede de 5.000 escolas estaduais funciona normalmente", afirma em nota.

Assembleia

Surpreendentemente, em meio aos pedidos de fala de sindicalistas, um professor subiu ao carro de som e fez um discurso inesperado. Carlos Alberto Bruno, representante de escola junto à Apeoesp de Itanhaem, no litoral sul de São Paulo, subiu no carro de som para defender o fim da greve. "Há 18 anos eu participo de greves da categoria, com acampamento, ocupação da Assembléia Legislativa, mas eu quero aqui colocar a minha opinião sobre esse movimento e no momento eu não vejo como continuar essa greve", disse o professor, que foi vaiado por todos na praça. "Nós não precisamos brigar até a morte num momento em que a maioria está trabalhando", completou.

Bruno foi vaiado pelos grevistas, que arremessaram garrafas de água vazias em direção a ele. Segundo o professor, o movimento não teve grande adesão em Itanhaem. Na escola onde dá aulas, há 80 professores e apenas cinco entraram em greve.

Protesto conjunto

Durante a tarde funcionários públicos da saúde e da educação fizeram uma manifestação na avenida Paulista e atrapalharam o trânsito. Os manifestantes seguiram em passeata até a Praça da República, passando pela Paulista e a avenida da Consolação. Segundo informações da Guarda Civil Metropolitana (GCM), 4 mil pessoas participaram da manifestação. A organização do protesto falou em 40 mil.

Apesar de negarem que esse seja um ato político , os manifestantes comemoraram a saída do governador José Serra  do cargo com um bota-fora e um almoço de gala com coxinha. Segundo os sindicalistas, coxinha é o único alimento possível de se comprar com o atual vale-refeição de R$ 4 dos funcionários da saúde. Quero perguntar se o Serra consegue almoçar com R$ 4, diz Emerson Trindade, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde (SindSaúde).

A manifestação também contou com performances. Vestida com roupa de cozinheiro e uma galinha de plástico pendurada ao corpo, a funcionária do SindSaúde, Rosalaine Cruz foi a responsável por servir o almoço. Serra não cumpriu com as negociações.

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"Almoço de gala" com coxinha para protestar contra valor do vale refeição

Os funcionários reivindicam aumento do vale refeição de R$ 4 para R$ 14, além de 40% de aumento salarial para reposição de perdas, jornada de 30 horas para todos os trabalhadores da saúde e valor do Prêmio de Incentivo igual para todos. Também estiveram presentes na avenida Paulista a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e uma mesa montada pelo Psol.

Conforme o SindSaúde, outras cerca de 42 entidades ligadas ao funcionalismo público participam do ato, incluindo a Apeoesp, sindicato dos professores do Estado. Eles afirmam que a greve continua diante da intransigência e desrespeito do governo Serra, que não apresenta qualquer contraproposta à categoria.

Segundo Marcos José Fernandes, funcionário da Apeoesp e um dos responsáveis pela organização do protesto, o caminhão de som que seria utilizado durante a manifestação retirado pela Polícia Militar (PM) nesta manhã. O veículo estaria estacionado, desde as 5h, em uma rua atrás do Masp, mas foi abordado pela PM e escoltado até a garagem da empresa Sol Nascente, na Barra Funda. A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que o caminhão foi escoltado até a Barra Fundo porque estava em zona de restrição de caminhões.

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Professor em manifestação na avenida Paulista nesta tarde

Representação do PSDB

O PSBD entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Apeoesp e a presidente da entidade, Maria Isabel Noronha, dizendo que a manifestação da última sexta-feira teve caráter eleitoral e contou com recursos do sindicato, como carro de som, para fazer campanha antecipada.

Os manifestantes negam estar em favor de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência e provável adversária de José Serra. O movimento é contra as políticas públicas adotadas pelo governo, mas não contra o partido. Não subestimamos a população. Ela vota em quem achar melhor, afirma Ângelo dAgostini.

No carro de som, os discursos de Maria Izabel na tarde desta quarta-feira foram muito mais maneirados. As manifestações contrárias ao futuro candidato à Presidência da República ficaram em torno das propagandas relacionadas à situação da Educação no Estado.

Diferentemente da semana passada, quando fez discurso inflamado pedindo que não deixassem que o então governador ganhasse as próximas eleições , Maria Izabel dizia nesta semana frases como "dois professores na sala de aula? É mentira!", referindo-se às propagandas do governo sobre as melhorias nas escolas da rede.

* Colaborou Lectícia Maggi, iG São Paulo

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