Após greve no Ceará, escolas não têm plano de reposição

Paralisação dos professores da rede estadual durou 64 dias e sem estratégia coordenada, aulas devem ir até março

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Desde que a paralisação dos professores da rede estadual de ensino do Ceará terminou há dois meses, as aulas nas escolas seguem em ritmo normal como se os 64 dias de greve não tivessem comprometido o calendário escolar oficial do Estado.

Daniel Aderaldo/iG
Estudantes do último ano temem pelo prejuízo no vestibular
A Secretaria de Educação do Ceará (Seduc) deixou a direção de cada escola encarregada de organizar seu próprio plano de reposição das aulas. Como resultado, os 500 mil alunos do Estado devem terminar o ano letivo de 2011 em meses diferentes e somente a partir do mês de fevereiro de 2012, provocando um descompasso na rede. Algumas escolas entrarão no mês de março ainda em aula.

Segundo o governo do Ceará, 23% dos estudantes da rede pública do Ceará tiveram o calendário atrasado por causa da greve. A maioria na capital Fortaleza, onde a adesão à greve se concentrou. A previsão é que os reflexos dessa greve alcancem o ano letivo de 2013.

Por nota, a Seduc afirmou que no interior a greve aconteceu apenas nos grandes municípios e nos demais casos as escolas apresentaram poucos dias de paralisação, “o que evitou prejuízo no calendário nesses locais”. A secretaria diz ainda que a partir do número de dias parados, as unidades farão suas reposições dando continuidade ao que foi planejado para o ano de 2011. “No momento, a Seduc organiza o calendário de matrícula para 2012. Já é possível adiantar que a rede estadual terá calendários letivos diferenciados em função do número de dias paralisados por parte das escolas”.

Entretanto, mesmo entre as escolas onde houve paralisação total ou parcial durante os dois meses de greve os impactos serão sentidos de formas distintas. Professores ouvidos pelo relataram situações bem peculiares, de acordo com as características das instituições em que ensinam. A recomendação da Seduc é que os professores não acelerem a exposição dos conteúdos e que se cumpram os 200 dias letivos previstos na íntegra para todos os turnos. Algumas escolas estão dando aulas extras aos sábados. Contudo, as iniciativas alternativas são pontuais e não seguem uma estratégia coordenada.

Na Escola de Educação Profissional Joaquim Albano, localizada em Fortaleza, no bairro Dionísio Torres, por exemplo, ainda não se sabe se o ano letivo termina em fevereiro ou março. Lá, os alunos ainda farão as avaliações referentes ao conteúdo do terceiro bimestre. Caso os professores das disciplinas profissionalizantes concluam suas matérias mais cedo, os professores das disciplinas do currículo de ensino básico utilizarão os horários livres para adiantar aulas.

Universidade

Entre os 550 alunos do 3º ano da Escola Governador Adauto Bezerra – localizada no bairro de Fátima, também em Fortaleza – que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a incerteza é sobre como será o ingresso nas universidades públicas. É que as matrículas para os aprovados na Universidade Federal do Ceará (UFC) serão na primeira semana de fevereiro e o início das aulas na segunda quinzena do mês.

Os estudantes da Escola Adauto Bezerra Judson Pontes, 18 anos, Fábio Ferreira Menezes, 18 e Isabella Mota, 17, mesmo durante a greve não deixaram de comparecer as escolas. Os três participaram durante seis dias por semana de aulas, simulados e plantões de redação no auditório da instituição. Com boas chances de ingressar em uma das universidades públicas do Ceará, agora eles temem o choque dos calendários. As aulas de reforço não contaram como dias letivos e lá a adesão a greve foi total, por isso as o final do ano letivo para eles só deve chegar em março.

Rede municipal de Fortaleza

Na rede municipal de ensino de Fortaleza, que também enfrentou dois meses de greve, mas ainda no primeiro semestre do ano, as aulas estão sendo respostas três sábados por mês. Ainda assim, mesmo com um planejamento comum a todas às instituições, como a rede da capital já havia passado por outras greves recentes, o calendário escolar deve ficar parecido com o do Estado. Para as escolas que não entraram em greve, o fim do ano letivo será 21 de fevereiro de 2012. Para as que entraram, será 30 de março. Em torno de 50% das escolas municipais tiveram paralisação total ou parcial durante 38 dias úteis.

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