A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) divulgou, nesta quarta-feira, 4, o resultado do vestibular mais concorrido do País. Na briga por uma das 10.707 vagas, estavam 38.606 candidatos, entre eles Sushila, Rubens e Renan, que contam ao iG o desempenho que tiveram e o que farão agora. http://educacao.ig.com.br/us/2009/02/04/fuvest+divulga+lista+de+aprovados+no+vestibular+consulte+3830171.html target=_topFuvest divulga lista dos aprovados; consulte http://minhanoticia.ig.com.br/ target=_topVocê tem mais informações sobre o vestibular? Envie para o Minha Notícia

Eu ia me matricular no cursinho hoje

Arquivo pessoal
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Sushila com livro da lista de obras de 2010
Eu não acredito. Foi assim, aos risos, que a técnica em designer gráfico Sushila Vieira Claro, de 24 anos, atendeu a reportagem. Sushila derrotou dezenas de candidatos e foi aprovada no curso de publicidade e propaganda da Universidade de São Paulo (USP), um dos mais concorridos, com 40,66 candidatos/vaga.

Ela, que se dizia tranqüila com o vestibular por não encará-lo como um bicho de sete cabeças, não considerava que iria passar e já havia separado os documentos sócio-econômicos para se inscrever em um cursinho preparatório gratuito. Eu achei que não ia dar. Eu ia hoje à noite mesmo me matricular. Os documentos já estão em cima da mesa, diz ela, que, enquanto esperava pelo resultado da USP, leu 3 livros da lista de obras obrigatórias para o vestibular de 2010. Agora, vai deixar os livros para trás e sair para comemorar. Hoje é aniversário de uma das minhas melhores amigas e eu disse que não iria porque tinha que entregar os documentos no cursinho. Agora vou sair com ela, anima-se.

Sushila afirmou que não conseguiu ver o resultado imediatamente no site da Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST), mas não estava preocupada. Eu ia entrar no site depois, estava totalmente desencanada. Eu conversei com várias pessoas e elas diziam que tinham acertado mais de 70 pontos. Eu pensei: dançei, ri ela, que fez 68 pontos dos 90 possíveis na 1ª fase. A nota de corte para a carreira que escolheu foi 61.

Após deixar o trabalho de designer em uma fábrica de confecção de roupas, ela agora quer conseguir um estágio de meio período na área de publicidade. Animada, já avisou a família inteira de sua aprovação. Contei para a minha mãe, pai, só falta a minha tia, que foi quem me deu muita força e pagou a minha inscrição, diz.

Estou com esperança

Arquivo pessoal
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Renan prestou 6 universidades
Renan Augusto da Silva Santos, de 17 anos, não passou na USP, mas não perdeu a esperança. Candidato ao curso de bacharelado em química, ele diz que prefere não se desesperar até o próximo dia 7, quando sairá a lista com a classificação dos candidatos. Estou com esperança porque ano passou rodou 21 nomes, diz ele, sem esconder, porém, a decepção. A USP era quase um sonho.

Em 2008, o estudante prestou seis universidades: Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) e Universidade de São Paulo (USP). Na UFMS, Santos ficou na 5ª posição da lista de espera e acredita que irá conseguir uma vaga. Já levou até trote dos amigos. Jogaram ovo, farinha e tinta no meu cabelo, conta. Na UNESP e na UFU, cujos resultados foram divulgados no mesmo dia, Santos passou direto. Na UNESP o resultado saiu às 9h e não acreditei. Fiquei tremendo o dia todo. Na UFU saiu às 17h e também passei. Não achei que iria conseguir isso na minha vida, diz.

Com duas aprovações, o estudante diz que ficou mais confiante". Porém, não por muito tempo. Ontem saiu UFSCAR e não passei. Fiquei com o pé trás, conta. Sem USP, mas com duas universidades já garantidas, Santos é consolado pelos pais. Eles tentaram me animar dizendo que eu não deveria querer passar em todas, diz.

De três vestibulares, passei em dois

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Rubens agora quer UFSCAR
Rubens Eduardo Bozano, de 19 anos, disse que, se passasse na Universidade de São Paulo (USP), iria enviar pelo correio a lista com o nome dos aprovados para uma tia que mora no Mato Grosso do Sul. Após uma briga, ela o provocou dizendo que ele não seria capaz de passar na USP. A lista da USP não poderá ser enviada, mas Bozano se consola sabendo que, se quiser, pode mandar as listas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), onde foi aprovado para o curso de economia. Estou muito satisfeito. Achei que não passaria em nenhuma, diz.

Sem USP, Bozano se convence de que a UFSCAR é uma boa opção. O campus é em Sorocaba, mais perto da minha cidade, enquanto o da USP é em Ribeirão Preto, afirma ele, que mora em Botucatu, no interior de São Paulo.

Bozano conseguiu 58 pontos na USP, dois a mais que a nota de corte para o curso escolhido e diz que, por isso, tinha consciência de que poderia não passar. Eu sabia que era muito difícil, conforma-se. O estudante, que começou a fazer um cursinho preparatório no mês de abril, diz que estudava o dia todo e considera, mesmo sem passar na USP, que o esforço valeu à pena. Das três provas que fiz, eu passei em duas. E não é para qualquer universidade, consola-se.

Vai ser difícil voltar ao cursinho

Arquivo pessoal
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Monique já é formada, mas quer graduação
A ex-professora de português e candidata ao curso de letras, Monique Soares Pereira, de 23 anos, considera que não passou na USP porque ficou doente na época errada. Em setembro, na semana em que iria prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), teve uma trombose cerebral. Além de perder a prova, a recomendação dos médicos foi para que ficasse um mês longe dos livros. Eles falam que fiquei doente por outros motivos, mas eu tenho certeza que foi por causa de estresse e ansiedade, afirma ela, que fez 47 pontos na prova. A nota de corte para o curso de letras foi 40. Para a jovem, o mês que ficou afastada teve papel decisivo no seu desempenho. Era época de revisão.

Monique é licenciada em letras pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e dava aulas para alunos dos ensinos fundamental e médio de uma escola pública da capital paulista quando decidiu que iria prestar USP. Não quero ficar em escola pública, quero área de pesquisa, ser reconhecida, diz. Em 2007, tentou conciliar os estudos com as aulas, mas não foi suficiente. No ano seguinte, pediu demissão e passou a dedicar-se somente ao cursinho.

Para Monique, até a dedicação em excesso influiu negativamente no seu desempenho. Eu fiquei muito estressada. Saia pouco e, quando saia, era com o pessoal do cursinho. A gente acabava falando a mesma coisa só que em outro lugar, conta. Entre as estratégias que ela traça para ser aprovada no vestibular de 2010, está programar melhor os momentos de lazer. Vou dar mais atenção aos meu momentos livres e fazer um check-up todo mês, brinca.

Antes de se matricular novamente no cursinho, Monique diz que vai aguardar a lista de classificação dos candidatos para ver se ainda tem alguma chance. Se não passar volto para o cursinho, mas é muito difícil porque já vou fazer 24 anos. Se tivesse 18, 19 seria mais fácil, confessa.

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