Após crise, reitor da Universidade Federal de Rondônia renuncia

Segundo o Ministério da Educação, a decisão foi tomada por causa das suspeitas de fraudes em fundação que serve à universidade

iG São Paulo |

nullO reitor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), José Januário de Oliveira Amaral, entregou nesta quarta-feira (23) o pedido de desligamento do cargo ao ministro da Educação, Fernando Haddad. O reitor vai oficializar a renúncia ao Conselho Universitário da Unir na próxima semana, segundo o ministério. O pedido feito ao MEC será encaminhado ao Palácio do Planalto, uma vez que o cargo é de provimento da Presidência da República.

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Segundo o Ministério da Educação, a decisão foi tomada porque Amaral não se sentia em condições de continuar no cargo, depois das denúncias de desvio de recursos na Fundação Rio Madeira (Riomar), que serve à universidade, o que motivou a constituição de comissão de investigação formada por representantes do MEC e da Controladoria-Geral da União (CGU), para auditar as contas da universidade e da Riomar.

O ministro Fernando Haddad constituiu também comissão para apurar as condições de funcionamento da Unir, atendendo ao pedido de professores e de alunos. A comissão iria apresentar relatório nesta quinta-feira (24), mas teve os trabalhos prorrogados por mais dez dias.

Greve e investigações

A universidade está em greve há 70 dias, e já 50 dias, estudantes grevistas ocupam o prédio da reitoria. A Unir é a única instituição pública de ensino superior do Estado.

Januário é alvo de mais de dez investigações no Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual, que acusa o reitor de participar de um esquema de desvio de verbas da Fundação Rio Madeira, ligada à instituição através de convênios ilegais, como pagamento de diárias, ajudas de custo, suprimentos de fundos e viagens sem comprovação da legalidade, funcionários fantasmas, compras e serviços superfaturados ou simplesmente não executados, contratados junto a empresas de fachada.

Januário está no segundo mandato, que deveria terminar só em 2015, e vinha se defendendo das denúncias alegando que não foi indiciado e que as investigações do Ministério Público não conseguiram comprovar a participação dele em nenhuma ilegalidade.

A situação de alguns cursos da instituição é precária, sem laboratório ou salas. O curso de medicina não tem ainda um hospital universitário. Um laudo do Corpo de Bombeiros sobre a situação do Campus de Porto Velho detectou mais de 30 irregularidades, que incluem problemas na rede elétrica e falta de medidas contra incêndio. Professores da instituição também denunciam falta de condições de trabalho.

Após receberem a notícia da renúncia estudantes e professores anunciaram comemorações em todos os municípios que possuem campi. Januário deve se manifestar apenas amanhã durante entrevista coletiva. Na última manifestação pública, na segunda feira, 21, Januário apenas se defendeu das denúncias de desvio na Riomar, em resposta à matéria veiculada pelo Fantástico no domingo.

* Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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