Apenas metade das escolas cumpre Ideb 2009

Escola Municipal Aparecida Elias Draibe, de Cajuru, em São Paulo, é a melhor instituição pública do País

Priscilla Borges, iG Brasília |

Metade das escolas de ensino fundamental brasileiras avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não conseguiu atingir a meta de qualidade estabelecida pelo Ministério da Educação para as séries iniciais e finais da etapa. Os dados do Ideb 2009 divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação mostram que a melhoria do índice nacional não é realidade em milhares de estabelecimentos.

Ao todo, há cerca de 150 mil escolas de ensino fundamental no País. No Ideb, são avaliadas apenas as escolas que participam da Prova Brasil (com mais de 20 alunos nas turmas de 4ª série/5º ano, 8ª série/9º ano do ensino fundamental e ensino médio). Só são divulgados os dados dos colégios públicos do ensino fundamental, já que as escolas privadas e os estudantes do ensino médio são escolhidos em amostras.

Com isso, o universo do Ideb é composto por 43.400 escolas que lecionam a 4ª série do ensino fundamental e 31.781 da 8ª série. Das séries iniciais, 24.359 colégios cumpriram a meta de qualidade estabelecida para 2009: 4,2. O restante, que representa 43,9% do total, teve desempenho abaixo do esperado. Considerada a média nacional alcançada (4,6), o resultado piora: mais da metade (56,2%) não conseguiu a nota.

Nas séries finais, a situação se repete. A maioria (61,6%) está longe da média brasileira de 4 pontos no Ideb e quase a metade (48,5%) não alcançou os patamares esperados para 2009. Vale lembrar que o objetivo do Ministério da Educação é fazer com que todas as escolas atinjam os padrões de qualidade educacional dos países desenvolvidos. Em 2021, as redes que oferecem as séries iniciais deveriam estar nesse patamar. Isso significa obter Ideb 6.

De acordo com esses critérios, estabelecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 3.345 escolas do ensino fundamental teriam a mesma qualidade educacional dos colégios estrangeiros. Desse total, 3.235 são estabelecimentos das séries iniciais e somente 110 dão aulas para os estudantes do 9º ano.

Séries iniciais
Das 3.245 escolas que obtiveram Ideb igual ou maior a 6, 1.315 são estaduais, 1907 municipais e 13 federais. Há sete instituições com as cinco maiores notas dessa etapa. Entre elas, quatro são do município de Cajuru, em São Paulo. A primeira é a Escola Municipal Aparecida Elias Draibe, que obteve nota 9 (a escala varia de 0 a 10). O crescimento de 2007, quando o Ideb foi conferido pela última vez, para 2009 foi de 1,8 ponto.

Em segundo lugar, duas escolas da cidade dividem o posto: Andre Ruggeri e Bairro Dom Bosco, com 8,8 pontos. A terceira melhor nota é um colégio estadual do município de Eirunepe, no Estado do Amazonas. A Escola Estadual Dom Bosco melhorou o índice em 5,1 pontos. De acordo com os dados, a justificativa está nas notas da Prova Brasil, que subiram muito em dois anos. Em 2007, os estudantes tiraram 169,15 pontos em matemática e 156,84 em língua portuguesa. Em 2009, o salto superou 100 pontos em cada: 314,03 em matemática e 285,50 em português.

Há 24 colégios dividindo os 10 melhores índices das séries iniciais (17 são municipais e nenhum é federal). Desses, 11 são do estado de São Paulo (seis do município de Cajuru, sendo que todas tiveram Idebs superiores a 8,0). Por Estado, Minas Gerais obtém o melhor desempenho nessa fase. Entre as 24 melhores escolas, oito são mineiras. A melhor delas fica em Coromandel, a Escola Estadual Osório de Morais obteve índice 8,3.

Séries finais
Apenas 110 das 31.781 escolas que oferecem a última série do ensino fundamental avaliadas no Ideb possuem a mesma qualidade de ensino dos países desenvolvidos. Do total, 19 são federais, 47 estaduais e 44 municipais. Com as dez melhores notas, há 22 colégios dos quais praticamente a metade é dirigido pelo governo federal (dez). O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) obteve o melhor desempenho: 8,0.

Em seguida, aparecem o Colégio Dom Pedro II (7,6) do Rio de Janeiro; o Colégio Estadual Oscar Batista – localizado em Cambuci, Rio de Janeiro – com nota 7,4, e os Colégios Militares de Santa Maria (RS), com nota 7,3, de Salvador (BA) e de Campo Grande (MS), ambos com 7,1. O colégio Oscar Batista também obteve um aumento impressionante de 4,1 pontos no Ideb.

A taxa de aprovação na escola é alta, 98%, mas está estável há pelo menos quatro anos. A grande diferença, à semelhança do que aconteceu com a escola estadual amazonense, está na melhoria das notas da Prova Brasil. Em 2007, elas foram de 213 pontos em matemática e 201,23 em língua portuguesa. Subiram para 351,28 e 307,17.

É curioso observar que São Paulo – Estado que ficou em primeiro lugar nas médias estaduais nessa etapa do ensino – possui apenas três escolas entre as dez melhores notas. Em 8º lugar está a Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, de São Caetano do Sul; em 9º lugar, a Escola Municipal Wanderith Victal Ferreira Alves, de Jeriquara, e a Escola Municipal Maria Theodora Pedreira de Freitas, localizada em Barueri.

Entre as 110 com qualidade de país desenvolvido, há 28 do Estado, sendo que 11 são estaduais e apenas uma da capital, a Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Cinco são de São José dos Campos.

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