Antes tarde do que nunca

Nunca é tarde para aprender. Pelo menos é isso que pensa Zildi Alcântra, aluna do curso de Alfabetização Digital da Universidade São Judas Tadeu. Aos 54 anos, a aposentada decidiu investir nos estudos e ficou surpresa quando passou no processo de seleção da instituição.

Tariana Hackradt |

Achei que não ia dar conta, o computador era como um bichinho pra mim, não entendia como funcionava, mas agora, que as aulas começaram, estou começando a aprender. As professoras ensinam tudo direitinho, só preciso treinar mais.

Assim como Zildi, milhares de brasileiros, que por falta de oportunidade ou condições não puderam estudar na infância e adolescência, recorrem às aulas de computador ou alfabetização depois que entram na idade adulta. Para suprir essa demanda, cada vez mais surgem programas de alfabetização e inclusão digital dedicados a esse público.

Nos casos de alfabetização, os cursos procuram desenvolver as habilidades de leitura e escrita necessárias para que os alunos ajam com desenvoltura em ações sociais e profissionais. Já nos cursos de inclusão digital, o foco costuma ser a internet. Os professores buscam usá-la como ferramenta para melhorar o trabalho e a vida pessoal do aluno e, para isso, ensinam a usar, além do teclado e do mouse, programas como navegadores, Word e Excel.

Zildi não é a única com sede de aprendizado. Nos quatro cantos do País, pessoas que desejam reciclar a si mesmas buscam novas oportunidades na vida. A motivação varia de indivíduo para indivíduo, porém, independente dos que há por trás dos estudos, o importante é aprender. Para Maria Salete Bevenuto da Silva, por exemplo, saber assinar o próprio nome foi motivo suficiente para começar a estudar. A empregada doméstica começou a freqüentar a escola pública onde, superando as dificuldades, aprendeu a ler e escrever, além de assinar o próprio nome, claro.

Já para Luiz Carlos da Silva Filho, voltar para a escola foi uma maneira de melhorar sua perspectiva de vida. Trabalho foi meu maior motivo para voltar a estudar. Eu queria conquistar um maior espaço no mercado e ter chances mais bacanas, o que sem estudo não dá. O manobrista de carros contou ainda acreditar que a idade o ajudou a aprender melhor. Por ser mais maduro, foi mais fácil prestar atenção e me dedicar às aulas. Eu queria realmente estudar, o difícil era ter que andar 3 km todo dia para chegar à escola estadual mais próxima da minha casa, explicou.

As dificuldades, porém, não param por ai. O medo é o maior empecilho para que adultos voltem a estudar. Eles acham que isso é coisa para jovem, que não têm capacidade, explica a professora Elaine Cristina Galo. No caso das aulas de computador, há ainda o problema da coordenação motora. Quando não se é mais jovem, as mãos já não têm aquele molejo, a visão não ajuda, fica tudo mais difícil, completa Zildi.

Superando Desafios

Após enfrentarem os problemas, é chegada a hora de encarar as alegrias do aprendizado. Zildi acredita que seu curso a ajudará a voltar a trabalhar como auxiliar de enfermagem.

Hoje é preciso saber mexer no computador até para fazer contagem de estoque, explica. Já Luiz vai mais a fundo e afirma que terminar seus estudos foi muito importante, não deu para deixar passar a chance. Além de ter me ajudado no trabalho, o que aprendi na escola levo como uma lição e tento passar para as pessoas que conheço, diz Luiz. O manobrista defende ainda que a escola o ajudou a se conhecer e a abrir seus horizontes. Percebi que o que vale é o que está dentro de nós.

Para a professora Elaine, os alunos querem se inteirar do que está acontecendo a sua volta. E, para isso, dedicam-se aos estudos, digitais ou não. O importante para esses alunos é aprender, se renovar, inovar para saber como utilizar as ferramentas que estão ao nosso redor, sejam elas livros, computadores ou papel e caneta.

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