Amazonas lança política para garantir ensino superior aos índios

MANAUS - A partir desta semana, o Amazonas começa a implantar a Política Pública Universitária para as Populações Indígenas, anunciou o governador Eduardo Braga. Portaria assinada por ele estabelece os parâmetros, prioridades e procedimentos de normatização do projeto.

Agência Brasil |

A Política Pública Universitária para as Populações Indígenas, por meio da qual o governo amazonense pretende garantir aos índios a inclusão no ensino superior, será executada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Para implementar a nova política pública, enfatizou Braga, não haverá necessidade de novos investimentos. De acordo com ele, os recursos e a infra-estrutura da UEA permitem a qualificação dos indígenas nos cursos de graduação, pós-graduação e mestrado.

O governador explicou que a idéia também é preparar os indígenas para atuar em escolas e outras instituições de nível superior, aliando suas tradições culturais à formação técnica. Os resultados dessa política, destacou Braga, serão colhidos a médio e longo prazos.

"Queremos garantir que os povos indígenas tenham acesso ao ensino superior por meio de uma alternativa pensada em termos de política pública específica para eles. Contudo, os resultados não poderão ser colhidos de imediato, mas sim ao longo desse período de estudos que se inicia para os indígenas", afirmou o governador.

Com a Politica Pública Universitária para as Populações Indígenas, o estado pretende desenvolver diversas propostas. Entre elas, as de formação de professores indígenas, capacitação de corpo docente para atuar na UEA, ensino de disciplinas orientadas para o desenvolvimento sustentável ¿ como a piscicultura e o manejo ambiental -, produção de material didático intercultural e inclusão digital dos indígenas por meio das cybermalocas - espaços que possibilitarão o uso de computadores e o acesso à internet.

A assinatura da portaria que instituiu a nova politica universitária do Amazonas reuniu representantes de várias tribos indígenas, como Bernadino Tikuna. Segundo ele, os cerca de 80 membros de sua etnia que vivem há 12 anos em uma comunidade na zona Leste de Manaus têm vontade de estudar.

"Nossos filhos não têm como ir além do ensino fundamental e médio. A gente quer dar a eles essa oportunidade, mas precisamos de ajuda para isso. Se o governo nos ajudar a estudar e a resgatar nossa cultura, jamais perderemos nossas tradições e costumes. É por isso que temos que ter os professores indígenas. Nossos filhos vão levar tudo isso adiante", disse o Tikuna.

Para a reitora da UEA, Marilene Corrêa, o lançamento dessa política representa uma verdadeira "tomada de consciência" do poder público e das instituições educacionais diante da necessidade de oferecer aos indígenas o acesso aos cursos de graduação, pós-graduação e mestrado. "É adequado que os povos indígenas tenham tratamento diferenciado do estado brasileiro. Esse fato é inadiável. Muitos indígenas estão sofrendo um processos de transição e adaptação de suas identidades étnicas e nacionais. Creio que essa política universitária vai nos ajudar a enfrentar essas diferenças", disse a reitora.

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