Alunos do antigo supletivo "desprezam" Enem

Apenas 4,7% dos estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos das escolas participantes do exame responderam às questões

Priscilla Borges, iG Brasília |

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não está na lista de prioridades dos estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o antigo supletivo. Dados dos resultados da avaliação aplicada pelo Ministério da Educação em 2009 mostram que a participação de alunos matriculados nessa modalidade de ensino no exame ainda é muito baixa.

Nas escolas que oferecem EJA e obtiveram médias totais calculadas pelo Inep (média das provas objetivas mais redação), um total de 1.391 colégios, havia 625.212 matriculados em condições de participar do Enem. Porém, apenas 4,7% do total (pouco mais de 29 mil) fizeram o exame.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, a participação do número de escolas que só oferecem EJA no Enem aumentou 16%, passando para 7,5 mil colégios, aproximadamente. Para os especialistas, os números servem de alerta em relação ao desinteresse desses alunos em prosseguir os estudos.

Angela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que os dados revelam objetivos de vida desses alunos, que não podem ser esquecidas durante a elaboração de políticas públicas para a área. Os números mostram que a maioria dos estudantes da EJA não se interessa pela universidade.

“Muita gente procura a EJA porque não se escolarizou no período correto, mas acredita que o estudo pode ser um diferencial importante para o trabalho, que, em geral, ele já desenvolve. Eles não têm perspectiva de entrar na universidade. O Enem não faz sentido para esse aluno”, diz. “ Apesar de o Enem servir como certificação para a educação básica, essa possibilidade ainda não está clara para as pessoas. Ele está mais vinculado ao ingresso na universidade”, diz.

Clélia Brandão, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), acredita que seria interessante analisar as idades dos estudantes da EJA que participaram do Enem. Na opinião da conselheira, os participantes do exame estariam restritos à amostra mais jovem. “O EJA abrange muitas faixas etárias, idealizações e sonhos diferentes. Essa é uma discussão que precisa ser feita para que formulações pedagógicas sejam feitas nessa modalidade”, pondera.

A professora da Unicamp defende revisões nas propostas pedagógicas para a EJA. “O sistema é acelerado e mais superficial. Mas é destinado especialmente aos que perderam o período correto da escolaridade. O ensino nessa modalidade deveria ser organizado de uma maneira melhor, tentando recompor o que eles perderam. Eles têm de ser bem preparados e decidirem sozinhos se querem ou não continuar”, opina.

Angela ressalta que o desempenho dos estudantes da EJA não é diferente dos que estão matriculados no ensino regular. A menor média obtida, pela Escola Estadual Osvaldo C. Pereira de Paranatinga (MT), foi 307,42. A nota mais alta ficou com o Ciep Brizolão 488 Ezequiel Freire, em Itatiaia, no Rio de Janeiro. A média dos dez alunos que participaram da prova (374 estão matriculados na etapa) ficou em 595,29.

Confira o desempenho das escolas brasileiras no Enem
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

    Leia tudo sobre: educaçãoenemrankingeja

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG