Alunos de Minas vão à escola nos sábados, feriados e nas férias

Estudantes reclamam de estudar no período de recesso por causa de greve

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Enquanto a maioria dos alunos brasileiros curte o recesso escolar de dezembro, milhares de alunos de Minas Gerais enfrentam uma maratona de aulas por causa da greve dos professores, que durou 113 dias corridos . O iG acompanhou uma manhã de especial de reposição em uma escola na região norte da capital mineira, que assim como diversas outras cumpre calendário diferenciado.

Leia também: Alunos de 8 Estados têm férias atrasadas por greve de professores

Denise Motta
Aluna do ensino fundamental, Francielle diz que todo mundo tem raiva da reposição de aulas
As aulas que terminariam em dezembro se estenderão até março de 2012, quando finalmente acabará o ano letivo de 2011. São as próprias escolas responsáveis pelo calendário e muitas ampliaram os turnos, incluindo até mesmo sábados e feriados.

“Tá todo mundo com raiva da reposição de aulas. Ficamos parados, sem aulas de ciências e história. Mas a reposição acaba hoje”, contou aliviada a estudante Laila Francielle, 15 anos, da 9ª série do ensino fundamental da Escola Estadual Professora Maria Amélia Guimarães, no bairro Pirajá, Norte de Belo Horizonte. Alguns alunos terão aulas entre o Natal e o revéillon, nos dias 27 e 28. Em janeiro, já no dia 2 as aulas recomeçam. A previsão que as reposições acabem em fevereiro, mas há escolas em que este prazo só termine em março, de acordo com o governo mineiro.

A reclamação geral dos alunos é o fato de terem que acordar cedo em mais um dia para estudar. “Já acordamos cedo todos os dias. Tá dando para aprender nas aulas de reposição, mas é uma injustiça acordar cedo também no sábado. Tem gente que acorda às 5h, porque mora longe da escola", diz Milena de Paula, 12 anos, na 7ª série. "Sábado, feriado e férias não são épocas para a gente estudar. Mas se eu fosse professor e ganhasse pouco, também faria greve”, opina Peterson Matheus, de 13 anos, da 7ª série.

Denise Motta
Arthur de Almeida, 12, Pablo Nery, 13, e Peterson Matheus, 13, recuperam conteúdos que deixaram de receber na greve
Também do 7ª série, Marimar Pereira, de 14 anos, diz que de nove professores, quatro aderiram à greve. Com isso, foi necessário criar um sexto horário e ter aulas aos sábados. Mas a adesão às aulas de reposição nem sempre tem muito quórum. Na sala de Marimar, por exemplo, de 31 alunos apenas nove estiveram presentes para a reposição deste sábado (10). Apesar de reclamarem das aulas extras, os estudantes presentes nas aulas pareceram enturmados tanto com os colegas quanto com os professores. “Sou a favor da greve porque os professores não ganham bem e também sou a favor da reposição porque senão ficamos prejudicados”, afirmou a estudante Eysila Sena, de 13 anos.

“Os alunos que não participam das aulas, ou já passaram ou já desistiram do ano. Na verdade, a greve não é boa para ninguém, mas é a única forma de lutar por nossos direitos. O desgaste é muito grande e muitos professores tiraram licença médica. Depois de ficar sem salário, muitos adoeceram”, conta Idalina Franco de Oliveira, professora do ensino médio que repõe aulas.


Professores trabalham sem receber
O iG também conversou com alguns professores e constatou que há muitas dúvidas referentes ao contracheque. Docentes que estão repondo as aulas perdidas em decorrência da greve da categoria não estão recebendo pelas reposição. O governo admitiu erro técnico no caso de sete professores de Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte, e promete pagar a as aulas a mais em janeiro de 2012. Enquanto isso, o sindicato dos professores de Minas, Sindute-MG, apura se existem outros casos de não pagamento da reposição.

Denise Motta
Professora Idalina Franco de Oliveira diz que colegas adoeceram com a greve
A assessoria de imprensa da Secretaria estadual de Educação não informou os valores que deixaram de ser repassados aos sete professores. Segundo o governo, não houve tempo hábil para reparar uma informação errada nos contracheques. O salário de aulas não referentes à reposição por causa da greve foi pago, de acordo com a secretaria.

Além de Esmeraldas, conforme o sindicato, professores do Norte de Minas também não teriam recebido pelas aulas repostas. A professora Maria Aparecida da Silva Oliveira, do ensino fundamental da Escola Estadual Zoé Machado, em Jaíba, a 630 quilômetros de Belo Horizonte, diz ser uma das prejudicadas. “Peguei um empréstimo com uma irmã para não passar aperto e sei de muitos colegas que estão em situação muito difícil com o corte dos salários.”

No Norte de Minas, o promotor de Justiça da Infância e da Juventude José Aparecido Gomes Rodrigues está investigando a situação, de acordo com informações do coordenador do departamento de Formação e Políticas Sindicais do Sindute, José Luis Rodrigues. O iG não conseguiu contato com a promotoria para averiguar quais medidas estão sendo tomadas.

    Leia tudo sobre: greve de professoresMinas Geraisano letivo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG