Alunos da UnB dizem que não têm para onde ir durante reforma

Apartamentos estudantis serão reformados. Estudantes alegam que auxílio-moradia concedido pela universidade é insuficiente

Agência Brasil |

Brasília – Às vésperas do fim do prazo para que os alunos da Universidade de Brasília (UnB) que residem na Casa do Estudante Universitário (CEU) desocupem os 92 apartamentos que serão reformados pela instituição, um grupo de 40 jovens afirma que não deixará o local sem o cumprimento do que foi acertado em 2010: que nenhum aluno fique desamparado.

Em outubro de 2010, a universidade se comprometeu a pagar um auxílio-moradia mensal de R$ 510 para cada um dos 240 estudantes residentes na CEU pelo tempo que durar a reforma. Os alunos que preferissem poderiam optar por se mudar para residências alugadas pela própria universidade.

Inicialmente, o acordo parecia pôr fim a um impasse. Dos 240 alunos, 191 desocuparam a CEU e nove foram para apartamentos alugados pela universidade. Os 40 alunos que permanecem nos dois prédios da CEU afirmam, porém, que o valor do benefício fornecido pela universidade é insuficiente para que eles, mesmo em grupos, aluguem um imóvel próximo ao campus, no Plano Piloto de Brasília. Além disso, sem parentes ou amigos que possam ser seus fiadores, eles dizem que têm dificuldades para fechar um contrato de locação temporário.

“Eu não sou daqui, não tenho para onde ir, não tenho parentes no Distrito Federal e vou ter que abandonar o meu curso e voltar para Santa Maria [RS], se tiver que deixar a Casa do Estudante”, afirmou Heitor Claro da Silva, de 24 anos, aluno do primeiro semestre de economia, atualmente morando de favor na CEU, a convite de amigos, enquanto aguardava uma vaga regular.

“Muita gente só deixou a casa e foi morar em situações inadequadas por causa da pressão que a gente vem sofrendo. Por ter medo de perder o direito ao auxílio-moradia”, afirma Bruno Ferreira Couto, de 21 anos, aluno de serviço SSocial que se mudou de Paracatu (MG) para estudar na UnB. O estudante de filosofia David Wilkerson Silva, de 23 anos, diz que a possibilidade de residir na CEU, perto do campus universitário, não é um privilégio, e sim um direito adquirido pelos alunos de baixa renda. “Como a universidade pública exige dedicação integral do aluno, a Casa do Estudante é o fator que permite a muitos de nós continuar estudando da mesma forma que os que recebem auxílio dos pais”.

De acordo com o decano de Assuntos Comunitários da UnB, Eduardo Raupp, após três adiamentos, a data limite para que os alunos deixem a Casa do Estudante será mantida. “Já atendemos a uma série de pleitos dos estudantes e oferecemos uma série de garantias. A universidade sempre esteve aberta a auxiliar os alunos, mas vamos ter que cumprir o prazo. Vamos tratar caso a caso, mas, nas situações em que o estudante não demonstrar o desejo de sair, teremos que tomar as medidas administrativas cabíveis, pois temos um cronograma a cumprir e os estudantes que já saíram, que são a grande maioria, estão aguardando para retornar ao prédio reformado”, garantiu Raupp.

Segundo Raupp, a primeira sanção administrativa aplicada aos alunos que não desocuparem os apartamentos até amanhã (27) será a suspensão do pagamento do auxílio-moradia, que já vem sendo pago desde março, mesmo aos estudantes que permanecem na CEU. “O pagamento do benefício será suspenso até que eles regularizem sua situação, o que só será feito com a desocupação das moradias. No momento em que eles tiverem saído da casa e prestes a alugar um apartamento, nós retomaremos o pagamento”, garantiu Raupp.

Quanto à crítica de que o valor do benefício é baixo, Raupp afirma que ele foi definido com base nos preços médios de aluguel em Brasília e combinado com os próprios alunos. “O acordo foi que os apartamentos seriam alugados nos mesmos moldes da ocupação da CEU, com quatro alunos dividindo um imóvel. Na última reunião com os estudantes, nós apresentamos uma lista com 15 apartamentos de dois quartos, próximos ao campus e disponíveis por menos que o valor dos quatro benefícios somados [R$ 2.040,00]”.

O decano ainda explicou que, no caso dos nove alunos que optaram por se mudar para imóveis alugados pela própria UnB, um decreto do governo federal de março deste ano impediu a universidade de alugar novos imóveis. Enquanto aguarda um posicionamento do Ministério do Planejamento, ao qual pediu que o caso seja tratado como exceção, a instituição promete providenciar hospedagem para os nove alunos.

A previsão inicial é de que a reforma dos 92 apartamentos de cerca de 60 metros quadrados só seja concluída em junho de 2012. Segundo a própria UnB, as obras custarão em torno de R$ 7 milhões. Já os recursos para custear o auxílio-moradia, cerca de R$ 1,5 milhão, virão do Plano Nacional de Assistência Estudantil, do Ministério da Educação.

    Leia tudo sobre: UnBreforma na UnBestudantesmoradia estudantil

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG