Alunos confirmam fraude no Saresp à comissão de investigação

Estudantes dizem que tiveram ajuda de professores durante prova da rede estadual em Sorocaba. Coleta de informações termina sexta

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Alunos formados na escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado, em Sorocaba, foram entrevistados pela comissão de averiguação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e reafirmaram que tiveram ajuda de professores durante a realização do Saresp , conforme denúncia publicada pelo iG . Os estudantes foram ouvidos na presença dos pais, que assinaram a declaração prestada.

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Marina Morena Costa
Fachada da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado que é acusada de fraude no Saresp
No Saresp de 2011, todos os 27 alunos tiraram 10 em matemática – fato raro e único na rede – e a média da turma em português foi 9,1. O desempenho garantiu à escola nota 9,3, a maior entre todas as unidades da rede estadual de São Paulo. A média do Estado de São Paulo para a série foi 4,24 e das escolas de Sorocaba, 4,61. O resultado também significou bônus de 2,9 salários aos profissionais da escola.

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De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, os relatos dão conta de que professores ajudaram e até mesmo refizeram a avaliação para os alunos. As folhas de papel em que estão as provas do Saresp feitas nesta escola foram entregues à Comissão e não têm aparência de terem sido manuseadas e preenchidas por crianças com idades entre 10 e 11 anos.

Os trabalhos de coleta de informações devem ser encerrados nesta sexta-feira. A comissão de averiguação conta com o acompanhamento da ouvidoria da Secretaria de Educação.

Entenda o caso:

- No dia 30 de março a Secretaria Estadual de Educação divulgou as notas no Idesp de cada escola de São Paulo.

- No dia 2 de abril , o iG visitou a Reverendo Augusto Silva Dourado, em Sorocaba, para saber o que levou a instituição à maior nota. Alunos e pais contaram à reportagem que uma professora ajudou os estudantes que não sabiam responder algumas perguntas e que a docente que aplicou a prova chegou a fazer sozinha os testes dos alunos ausentes. A nota do Idesp é o critério de cálculo para o bônus de todos os profissionais da escola.

- Na primeira nota oficial sobre o caso, a Secretaria de Educação, apesar das denúncias, informou que não houve fraude. Após a publicação da matéria, outra nota dizia que o caso seria investigado. O Ministério Público e a Comissão de Educação da Assembléia Estadual disseram que pediriam explicações e outros pais confirmaram a história em novas reportagens. O secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald, não aceitou dar entrevista e, mesmo em um evento público durante esta semana, não falou com a imprensa.

- Nova reportagem do iG em 11 de abril mostra que professores que receberam os alunos em 2012 avaliaram seus desempenhos como incompatíveis com a nota obtida. Enquanto isso, pais comentaram que havia a ameaça de fechamento da escola se os boatos fossem confirmados. A Secretaria de Educação enviou nova nota em que chamou de "má fé" o veiculação destes fatos.

- Neste dia 12, uma comissão iniciou a investigação do caso.

Novamente, a Secretaria informou que não se pronunciaria enquanto as investigações estivessem em curso e não autorizou entrevistas. 

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