Aluno de São Paulo é enviado para escola em Santo André

Endereço antigo causou erro na matrícula de criança de 6 anos. Após correção, aluno terá que ir a escola diferente das irmãs

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Davi, 6 anos, concluiu a educação infantil em dezembro de 2010 no Centro Educação Unificado (CEU) - Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Na hora de conferir a matrícula no primeiro ano do ensino fundamental, no começo deste ano, seus pais tomaram um susto: a criança havia sido alocada em uma escola estadual em Santo André, na região metropolitana e a mais de 40 quilômetros de seu atual endereço.

A nova escola fica próxima ao antigo endereço da família, que morava em Santo André até julho do ano passado. No entanto, os pais já haviam feito a transferência dos três filhos – Davi e suas duas irmãs mais velhas que estudam no 5º e no 8º ano do ensino fundamental – para o CEU Parelheiros e todos concluíram o segundo semestre de 2010 na escola municipal.

As irmãs tiveram a vaga garantida no mesmo CEU, que é da rede municipal, porque já estavam matriculadas no ensino fundamental. Como Davi concluiu a educação infantil e deve agora ingressar no fundamental, o aluno passou pelo processo de “compatibilização de vagas”, aplicado a todos os estudantes que deixam um ciclo para entrar em outro. O sistema eletrônico integra as vagas da prefeitura e do Estado e distribui os alunos de acordo com a distância entre a casa da criança e a unidade escolar, e a disponibilidade de vagas nas escolas mais próximas.

O sistema utilizou o endereço antigo de Davi, em Santo André, e colocou a criança na rede estadual, separado das irmãs. Apesar de a família preferir o CEU Parelheiros, a criança terá que ser matriculada na escola estadual mais próxima de sua casa, porque agora sua matrícula pertence à rede estadual e não há vagas na unidade municipal. Segundo a diretora do ensino fundamental do CEU Parelheiros, há apenas duas turmas de primeiro ano, que não absorvem a demanda local.

“Para nós é muito complicado logisticamente desmembrar o Davi pra outra localidade. O ideal seria que ele estudasse com as irmãs”, reclama Carlos Biaggioli, pai de Davi. Além disso, os pais pretendiam matricular o filho em tempo integral no CEU, e reclamam da qualidade das escolas estaduais próximas de sua residência. “Agora tenho que matricular meu filho em uma escola que eu sei que não é boa.”

A Secretaria Municipal de Educação admite que o sistema de distribuição de vagas “pode apresentar falhas”, mas afirma que todas estão sendo corrigidas para evitar que estudantes sejam prejudicados. Segundo a secretaria, mesmo que o endereço de Davi estivesse certo no sistema, não havia garantia de que ele conseguiria uma vaga no CEU Parelheiros, apesar de ter concluído o ano anterior na unidade. Como a educação infantil é de responsabilidade apenas do município, a rede municipal não consegue absorver todos os estudantes que deixam esta etapa e ingressam no ensino fundamental. É preciso distribuir a quantidade de alunos com a rede estadual.

A espera de uma solução para o problema, Davi segue em casa, sem estudar desde o dia 7 de fevereiro. Seus pais cancelaram a matrícula na escola de Santo André e preencheram uma solicitação de vaga no CEU, mas segundo a secretaria, haverá possibilidade de vaga somente em 2012. E a recomendação é matriculá-lo na rede estadual. Separado das irmãs.

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