Além das paredes da sala de aula

Escolas buscam alternativas para ensinar conceitos de forma lúdica, interativa e próxima da vida cotidiana dos estudantes

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Seja para aproximar a escola da vida real ou trabalhar conteúdos diversos de uma forma mais lúdica, escolas procuram novas formas de ensinar. Mais interativas e práticas. O colégio Oswald de Andrade, da zona oeste, de São Paulo, introduziu em 2010 no 3º ano do ensino médio uma disciplina chamada Projetos de Intervenção. A ideia é que, a partir de um tema principal, os alunos apresentem um problema concreto para resolver e desenvolvam um projeto ao longo do ano. “Sentimos que havia uma demanda dos alunos e uma vontade da escola de colocar em prática os conceitos acadêmicos aprendidos em sala de aula. Os estudantes queriam colocar a mão na massa”, explica André Meller, professor e coordenador do 3º ano do ensino médio.

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Felipe Chacon e Ligia Rothstein, alunos do 3º ano do ensino médio do colégio Oswald de Andrade
Diante da questão, “Como melhorar a qualidade de vida em São Paulo?”, o grupo dos estudantes Felipe Chacon e Ligia Rothstein, ambos de 17 anos, decidiu analisar as praças do entorno da região do colégio e descobrir como melhorá-las, deixando-as mais arborizadas e atraentes para os pássaros.

No projeto, os alunos estudam conceitos de botânica, biologia e zoologia. Pesquisam quais espécies de árvores atraem pássaros, quais são mais adequadas ao espaço urbano, como atrair os pássaros que compõem a fauna urbana de São Paulo e trabalham em um planejamento biológico das espécies para realizar a intervenção. Como parte do projeto, os estudantes chegaram a montar um pequeno viveiro no teto do colégio. “Durante o processo eles aprenderam quais cuidados a muda precisa ter para sobreviver, em termos de quantidade de água, luz, vento”, explica Meller.

A ideia do grupo é formar um caminho que atraia os pássaros entre a Cidade Universitária (USP), o parque Villa-Lobos e as praças da região do Oswald de Andrade, no Alto da Lapa. Para isso, eles se debruçam sobre a tese “Aves no campus”, de Elizabeth Höfling, Frederico Lencioni Neto e Hélio de Almeida Camargo, que mapeou a fauna de pássaros da USP, e contam com a ajuda de uma bióloga do colégio e de pais de alunos que trabalham com meio ambiente.

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Mudas de árvores plantadas por alunos crescem no telhado do colégio Oswald de Andrade
“Percebemos que é preciso recompor os frutos nativos da mata atlântica, que foram desmatados em São Paulo, para atrais os pássaros. Quando planta-se árvores estrangeiras, que não fazem parte da flora original, os pássaros não se adaptam”, conta Felipe. O estudante se identificou tanto com os conceitos aprendidos que pretende prestar vestibular para biologia. “Sempre me interessei pela matéria, mas agora, tocando o projeto, vi que é com isso que eu quero trabalhar”, explica.

Ligia Rothstein não “curte” muito biologia, mas descobriu que conduzir um projeto está entre suas habilidades. “Encaixei o que eu gosto de fazer no projeto do grupo. Acho importante realizar um bem coletivo”, conta a estudante. Entre suas funções está a parte burocrática e legislativa, pesquisar, por exemplo, se é possível plantar árvores por conta própria em espaços públicos da cidade e como a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente trata a questão ambiental urbana.

“Tanto na faculdade, como na vida profissional, os nossos alunos terão de utilizar toda a informação agregada e transitar por diferentes áreas do conhecimento para solucionar problemas. Este projeto é uma forma de fazer isso ainda no colégio e fechar a experiência escolar”, define o coordenador da turma.

Aula na cozinha

Na outra ponta do período escolar, na educação infantil, o colégio Augusto Laranja trabalha com os alunos na cozinha. É brincando de fazer panquecas que as crianças têm contato com conceitos iniciais de matemática, geometrica e trabalham a coordenação motora.

“Quantos ovos vamos usar para fazer a panqueca? De que cor ela ficará se eu colocar a beterraba?” É  com essas perguntas que a professora Márcia Tin conduz a aula para a turminha de crianças com idades entre 1,5 ano e 3 anos. Atentos, os alunos acompanham todas as fases da receita e disputam para ajudar a professora a colocar os ingredientes no liquidificador.

Márcia prepara três massas diferentes, uma alaranjada, de cenoura, uma verde, de espinafre, e outra rosa, de beterraba. Depois de assadas, as crianças enrolam a panqueca com uma fatia de queijo. “É um projeto pedagógico que abrange todos os conhecimentos trabalhados na educação infantil. Exercita todas as percepções das crianças – cheiro, textura, paladar –, mexe com a coordenação motora e também trabalha com os hábitos, como se sentar a mesa, como comer, a postura adequada”, aponta a professora.

“Temos também uma preocupação com a alimentação e com a participação dos pais. Marcamos a visita deles para que ensinem pela culinária um pouco da cultura e da tradição da família”, conta Sílvia Stéfano, coordenadora da educação infantil do Augusto Laranja. As aulas e atividades culinárias são desenvolvidas em todas as salas, com crianças de idades entre 1,5 ano e 5 anos.

Vez ou outra a professora erra propositalmente a receita da massa. “Coloco muitos ingredientes secos, por exemplo, e mostro que deu errado. Assim eles compreendem que tem o jeito certo.” 

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