Adolescentes adaptam cadeira de rodas para melhorar mobilidade de deficientes nas ruas

CURITIBA - Uma história de inclusão social que surgiu na escola e já começa a ser contada em feiras de ciências e mostras de engenharia. Dois estudantes de Curitiba, Gabriel Tadeu Sanson, de 15 anos e Bruno Abdala Cândido Lopes, de 16 anos, desenvolveram uma cadeira de rodas adaptada para superar pequenos obstáculos como, por exemplo, subir nas calçadas.

Agência Brasil |

Eles contam que a idéia surgiu após assistirem uma reportagem num canal de televisão que mostrava os problemas de acessibilidade enfrentados por cadeirantes. Segundo Bruno, eles pesquisaram pelas principais ruas da capital, ouviram pessoas com necessidades especiais e visitaram algumas instituições que atendem estas pessoas e concluíram que , em muitos trechos da cidade, não há quantidade suficiente de guias rebaixadas, o que dificulta a locomoção.

Os dois fizeram uma experiência utilizando uma cadeira de rodas do colégio onde cursam o 2º ano do ensino médio. Decidiram experimentar a sensação de se locomover com ela por alguns bairros e sentiram dificuldades para acessar vários locais. A partir daí, deram início a um projeto, segundo eles, muito simples e de baixo custo.

Eles adaptaram a cadeira, a um custo de R$ 100, acoplando uma espécie de rampa em cada roda, feita com materiais reaproveitados e reciclados, como dobradiça de porta, imã e corrediça de gaveta. Achamos que a solução mais viável, rápida e barata seria adaptar as cadeiras e não fazer obras nas calçadas, contou à Agência Brasil o estudante Bruno.

Os garotos apresentaram o invento pela primeira vez, em Curitiba, na Mostra de Soluções para uma Vida Melhor, em outubro do ano passado.

Depois disso, eles foram convidados para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Febrace 2009), realizada entre os dias 17 e 21 de março, onde apresentaram a cadeira já mais aperfeiçoada, sob a orientação dos graduandos do curso de engenharia mecânica da Universidade Positivo.

Segundo Bruno, o projeto está sendo melhorado ainda mais para apresentação numa mostra que será promovida pela escola no final deste ano. Queremos fazer essas adaptações em cadeiras mais simples, que não são automatizadas, utilizadas pela população de baixa renda. Ouvimos muito falar em inclusão social, queremos contribuir, disse o adolescente.

O presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, Mauro Nardini, considerou a iniciativa muito interessante, mas advertiu os jovens cientistas que cuidem para que o cadeirante tenha autonomia para manobrar sem correr riscos. A segurança é o fator mais importante. A associação estima que vivam em Curitiba cerca de mil cadeirantes.

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