Acesso de negros ao ensino médio ainda é restrito, mostra Ipea

BRASÍLIA - A terceira edição preliminar do estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que questões raciais ainda restringem o acesso da população brasileira à educação. No ensino médio, a taxa que mede a proporção da população matriculada no nível de ensino adequado à sua idade para a população branca era de 58,4, em 2006, enquanto para negros era de 37,4.

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"O acesso ao ensino médio ainda é bastante restrito em nosso País, mas significativamente mais limitado para a população negra, que, por se encontrar nos estratos de menor renda, é mais cedo pressionada a abandonar os estudos e ingressar no mercado de trabalho", conclui o levantamento. De acordo com a pesquisa, mesmo no ensino fundamental, 95,7 da população branca estava matriculada no nível de ensino adequado, em 2006, enquanto, entre os negros, a taxa era de 94,2.

O estudo também mostrou diferenças representativas no que se refere ao acesso à saúde. Para os brancos, 54% dos atendimentos e 59% das internações foram cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já para os negros, as proporções foram de 76% e 81,3%, respectivamente. "Este fato dá fortes indícios do quanto a população negra é SUS-dependente", aponta a pesquisa.

Mesmo quando levada em conta a condição financeira das famílias, o número de negros que utilizam o SUS é maior que a de brancos. Entre os indivíduos com rendimentos acima de três salários mínimos, 21% dos atendimentos e 23,8% das internações da população negra são cobertos pelo SUS, enquanto estas mesmas proporções são de 14% e 13,5% para brancos.

A relação é invertida em relação ao uso de planos de saúde privados. O Ipea aponta que 33,2% dos brancos possuem planos de saúde privados, enquanto 14,7% dos negros estão na mesma situação. Mesmo entre os que recebem mais de três salários mínimos, os brancos ainda são maioria: 75% dos brancos possuem plano, contra 66% dos negros.

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