Acesso a oportunidades de trabalho é maior demanda de jovens na América do Sul

RIO DE JANEIRO - O acesso mais amplo a oportunidades de trabalho é a principal demanda da atual geração de jovens em países da América do Sul. Essa questão foi apontada como a mais importante por seis em cada dez jovens brasileiros e cinco em cada dez argentinos. O item estudo e conquista de um diploma universitário aparece em seguida, tendo sido destacado no Brasil como prioridade por dois em cada dez jovens e na Argentina, por três em cada dez.

Agência Brasil |

As conclusões fazem parte da pesquisa Juventude e Integração Sul-Americana: Diálogos para Construir a Democracia Regional, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) em parceria com o Instituto Pólis. Ao todo, foram aplicados questionários com 50 perguntas a 14 mil pessoas, entre jovens e adultos, do Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, da Argentina e Bolívia.

De acordo com a socióloga Helena Abramo, consultora do Instituto Pólis, atualmente os jovens veem o trabalho como um caminho para a inserção social. Antigamente o jovem estudava para se qualificar e aí sim entrar no mercado de trabalho. Hoje a vida juvenil comporta diversas dimensões que envolvem estudo, atividades culturais, sociais, muitas vezes o sustento de uma família, e por isso eles precisam circular por diversos espaços. Para isso é preciso ter dinheiro para pagar um ingresso, para pagar os estudos, já que nem todos são gratuitos, disse.

Segundo ela, por conta de todas essas demandas é que o trabalho assume uma dimensão tão importante para a juventude. "Ele passa a ser fundamental para a construção da trajetória de inserção na sociedade e não só um ponto de chegada, ressaltou a socióloga.

Para o representante do Coletivo Nacional da Juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Vinícius Sartorato, essa grande demanda por trabalho entre a juventude resulta da defasagem educacional associada a um modelo econômico ainda excludente.

O jovem pensa o trabalho como uma perspectiva de autonomia, de poder comprar uma roupa, sair com os amigos, uma possibilidade de superar sua condição social e ascender. Infelizmente um sistema de educação ainda marcado por muitas deficiências, apesar dos avanços dos últimos governos, somado a um modelo econômico que visa somente ao lucro e não a um projeto de desenvolvimento nacional, com distribuição de renda, acaba produzindo esse cenário em que os jovens são os mais atingidos e muitos são deixados de fora do mercado de trabalho formal.

Para ele, um esforço conjunto entre os movimentos sociais para a juventude, os governos e a classe empresarial pode permitir a geração de empregos de qualidade para essa parcela da população.

A pesquisa revela ainda algumas diferenças entre a geração de adultos (de 30 a 60 anos) e a de jovens (de 18 a 29 anos) nos seis países. De acordo com os dados, a juventude atual é mais escolarizada do que o conjunto de pessoas com idade mais avançada. No Brasil, por exemplo, enquanto 17% dos adultos são analfabetos, o índice cai para 3% entre os jovens. Outra diferença diz respeito ao acesso à internet. Metade dos jovens é usuária do serviço, mas somente 21% dos adultos utilizam a internet com frequência.

Por outro lado, quando as perguntas envolvem questões morais e éticas, as diferenças entre as gerações diminuem. Tanto jovens quanto adultos no conjunto dos seis países analisados afirmaram, em sua maioria, serem contrários ao aborto. No Paraguai, que apresentou o maior grau de rejeição, apenas 11,2% de adultos e 14,6% de jovens disseram ser favoráveis à legalização da prática. No Brasil, a ideia é aprovada por 22,3% dos adultos e 23,5% dos jovens, de acordo com a pesquisa.

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