Abandono no ensino fundamental chega a 10% na Paraíba, em Alagoas e na Bahia

Há muitos estados brasileiros longe ainda da taxa de abandono no ensino fundamental registrada no País em 2008, de 4,4%. Das 1.411.815 crianças que deixaram de frequentar as aulas, 374.330 são de três estados do Nordeste. Eles lideram as tristes estatísticas de estados brasileiros com o maior índice de abandono no ensino fundamental. Na Paraíba, a taxa ficou 10,3% (72.926 estudantes). Em Alagoas, 10% (66.028). Na Bahia, 9% (235.376).

Priscilla Borges, iG Brasília |

Neilton Nunes, superintendente de Gestão da Educação Básica da Secretaria de Educação de Alagoas, reconhece que o número ainda é alto. Mas ressalta que houve avanços. Em 2000, a taxa de abandono do ensino fundamental no estado era de 19,1%. De lá para cá, o investimento das redes municipais e estaduais mudou e adotamos políticas de acesso à escola e redução da distorção idade-série, comenta Neilton.

A garantia de transporte escolar, merenda e materiais didáticos contribuíram muito para que os estudantes permanecessem mais tempo na escola. Agora, ele acredita que é hora de pensar em programas para melhorar a formação do professor e garantir alfabetização e letramento nos anos iniciais do ensino fundamental. Para mim, é preciso monitorar melhor a aprendizagem da criança e incentivar programas de suporte a elas, diz.

Na Bahia, a queda de 23% de abandono em 2000 para os 9% atuais também não conforta. As taxas nos incomodam. São muito elevadas. Mas temos feito um esforço muito grande para identificar as causas e investir em projetos que tornem a escola mais atrativa, pondera Eni Bastos, superintendente de Acompanhamento e Avaliação do Sistema Educacional da Secretaria de Educação da Bahia.

A secretaria criou projetos de oficinas culturais, cursos e atividades esportivas oferecidos no contraturno das aulas. A ampliação do tempo de permanência na escola é um fator considerado fundamental para a melhoria dos índices. Na medida em que a escola melhora o seu funcionamento, o aluno se sente mais atraído por ela, afirma Eni. Mas precisamos lembrar também que resultados educacionais não são construídos em curtos espaços de tempo.

Êxodo rural

As mudanças constantes das famílias que procuram empregos nos canaviais preocupam os gestores responsáveis pela educação nesses estados. Segundo eles, essa é uma das justificativas para o abandono. Os pais são nômades. Mudam de região de acordo com as safras e as colheitas para trabalhar e levam toda a família. Nessas áreas, estão concentrados o analfabetismo e a distorção no estado, garante Neilton.

Eni conta que há projetos de adaptação do calendário escolar às necessidades locais, como o caso da Ilha de Itaparica. De outubro a fevereiro, o turismo cresce e, com isso, as oportunidades de emprego. Para garantir que as crianças não larguem a escola, há estudos para modificar a rotina dos estudantes.

Os municípios que estão no cinturão da cana-de-açúcar e na zona do agreste sofrem muito com a migração. É importante pensarmos em estratégias de conscientização e responsabilização nesses locais, defende Mozart.

    Leia tudo sobre: ensino fundamental

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG