A segunda opção pode mudar sua vida

A mãe do atual mestrando João Rafael Dias Pinto, 22 anos, reclamou do valor de R$ 90 da inscrição do vestibular. O aluno estava no último ano de um colégio público de referência, da cidade de São Paulo, mas não fazia cursinho preparatório. O estudante esperava acabar o colégio para, então, se dedicar ao vestibular.

Isis Nóbile Diniz |

Acordo Ortográfico

Apenas para treinar, João Rafael fez a prova da Universidade de São Paulo (USP). Conseguiu ir para a segunda fase. Pensei, dessa fase eu não passo, diz. Apesar do nervosismo, com apenas 17 anos, João Rafael entrou na universidade. Com um pequeno detalhe: foi chamado para fazer a segunda opção.

Na realidade, ele queria cursar física. Escolheu a carreira como primeira opção e meteorologia, por ser o curso mais semelhante, como segunda. Fiquei branco quando soube do resultado. Até xinguei. Depois, como descobri que dava para transferir de meteorologia para física, resolvi entrar na faculdade, conta.

Preencher sem cuidado e erroneamente a inscrição ou ignorar a importância da segunda, terceira até quarta opção significa perder a chance de cursar uma faculdade conceituada . A maioria das universidades públicas brasileiras ¿ e algumas particulares - oferecem uma opção para o aluno, caso não seja aprovado no primeiro curso.

A quantidade e a regra para as segundas ou demais opções variam entre as universidades, podendo ser diferente dentro de um único vestibular. As pessoas devem ler o manual de inscrição com calma e esclarecer as dúvidas para não haver engano, diz Maria Beatriz Loureiro, coordenadora do Serviço de Orientação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara.

As regras são diferentes

Por exemplo, na USP, as inscrições são feitas por carreiras. Quem opta por física, pode marcar como segunda opção meteorologia, geofísica, estatística, matemática ou matemática aplicada. Não pode escolher engenharia florestal, por exemplo. Na Unesp, as provas são diferenciadas pelas grandes áreas biológicas, exatas e humanas . Assim, o candidato apenas deve escolher as profissões dentro de cada uma delas.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é diferente. Como a prova é igual para todos, com exceção do teste de aptidão, os vestibulandos podem fazer a combinação de cursos que preferir como engenharia e letras. Aliás, o vestibular da Unicamp, este ano, eliminou a terceira opção . Segundo a universidade, havia muita desistência.

A Unicamp também mudou o modo de chamar os candidatos. Como as demais instituições, até o ano passado, eram chamados todos os que colocavam o curso como primeira opção. Após acabar os candidatos que alcançaram a nota de corte para o determinado curso, eram chamados os que escolheram o de segunda opção .

As instituições convocam, primeiramente, os candidatos que optaram pela matéria como primeira opção. Em seguida, os de segunda e assim por diante. Mas, este ano, a Unicamp mudou o modo de chamar os alunos. Agora, são convocados os que optaram pelo curso de primeira opção. Depois, eles chamam aqueles que tiveram maior nota, por ordem decrescente, independente se são da primeira ou segunda opção. "O objetivo é simplificar o processo e ser mais justo", explica Leandro Tessler, coordenador executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp."

Aliás a nota de corte, no caso da Unicamp, é escolhida pela coordenação de cada curso. A coordenadorias que colocam a nota de corte baixa priorizam os interessados . As altas dão preferência os alunos com melhor desempenho na prova, diz Tessler. Por exemplo, faculdade de engenharia agrícola prefere os interessados. A coordenadoria de estatística, os alunos com maior nota.

A esperança é a última chamada

Claro que, independente da universidade, deve-se marcar os cursos mais concorridos em primeiro lugar. Medicina como segunda é, praticamente, impossível de passar, afirma Tessler. Como existem muitas listas de chamadas, é raro alcançar os alunos de segunda opção, diz Maria Beatriz.

Os alunos que passam pela segunda opção são tão bons quanto os outros . Basta observar o caso do João Rafael. As pessoas entram na faculdade sem conhecer perfeitamente o curso, diz. Ao ingressar em meteorologia, o aluno conferiu as matérias, se ambientou, fez amizades, participou de programas de iniciação científica, conseguiu bolsa, teve contado na área de pesquisa... Quando vi, já estava no mestrado.

Tessler lembra-se de um aluno que queria arquitetura e urbanismo, mas passou na segunda opção de estatística. Ocorreu um erro na correção da prova específica dele. Ao perceber, avisamos que ele poderia fazer arquitetura e urbanismo, mas ele preferiu estatística, conta.

Outros optam por entrar na universidade dessa maneira, para depois pedir transferência. Na Unesp, se o cursos possuem no mínimo duas disciplinas com a mesma nomenclatura e conteúdo, os alunos podem tentar mudar. O que exige vagas remanescentes e há uma seleção . Como, por exemplo, transferir de administração para economia.

Atualmente, o João Rafael até cogita cursar a graduação em física. Afinal, devido à semelhança nas matérias, eliminaria dois anos. Mas não sei como seria minha vida hoje se eu tivesse feito física, conta. O mestrando está satisfeito com sua profissão. Foi uma segunda opção que deu certo, diverte-se.

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