¿Oh! Bendito o que semeia/Livros... livros à mão cheia.../E manda o povo pensar!/O livro caindo nalma/É germe ¿ que faz a palma,/É chuva ¿ que faz o mar¿, já anunciava Castro Alves, em 1867, no poema O Livro e a América. Mais de 140 anos depois, nos dias de hoje, os versos do escritor baiano servem perfeitamente para homenagear pessoas como Benedito da Silva, Edson Arthur Alves da Silva e Luiz Amorim, cidadãos que criaram e administram bibliotecas comunitárias voltadas para o atendimento de populações carentes Brasil afora." / ¿Oh! Bendito o que semeia/Livros... livros à mão cheia.../E manda o povo pensar!/O livro caindo nalma/É germe ¿ que faz a palma,/É chuva ¿ que faz o mar¿, já anunciava Castro Alves, em 1867, no poema O Livro e a América. Mais de 140 anos depois, nos dias de hoje, os versos do escritor baiano servem perfeitamente para homenagear pessoas como Benedito da Silva, Edson Arthur Alves da Silva e Luiz Amorim, cidadãos que criaram e administram bibliotecas comunitárias voltadas para o atendimento de populações carentes Brasil afora." /

A boa nova das bibliotecas comunitárias

MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify¿Oh! Bendito o que semeia/Livros... livros à mão cheia.../E manda o povo pensar!/O livro caindo nalma/É germe ¿ que faz a palma,/É chuva ¿ que faz o mar¿, já anunciava Castro Alves, em 1867, no poema O Livro e a América. Mais de 140 anos depois, nos dias de hoje, os versos do escritor baiano servem perfeitamente para homenagear pessoas como Benedito da Silva, Edson Arthur Alves da Silva e Luiz Amorim, cidadãos que criaram e administram bibliotecas comunitárias voltadas para o atendimento de populações carentes Brasil afora.

Redação |

Mas o que é exatamente uma biblioteca comunitária? Em linhas gerais, trata-se de um estabelecimento que empresta livros, geralmente para pessoas pobres que não teriam condições de comprá-los, e que foi criado por algum membro de uma comunidade com a intenção de beneficiá-la.

Bibliotecas comunitárias quase sempre formam seus acervos a partir de doações e são mantidas pelo trabalho de seus criadores e dos que aderiram à iniciativa. Elas fazem os livros chegarem a homens, mulheres e crianças que, de outra forma, jamais teriam acesso a eles.

Benedito da Silva é um destes heróis descritos acima. Nascido e criado em uma favela de Osasco, na grande São Paulo, Benedito trabalhou durante anos em lixões, vivendo do que encontrava em montanhas de detritos. Foi durante anos viciado em bebidas e drogas, mas hoje isso são apenas lembranças tristes. Desde 2002, ele faz parte da CooperYara, uma cooperativa de catadores fundada para resgatar gente como ele do trabalho insalubre em aterros sanitários e lixões.

Benedito da Silva (Imagem/Reprodução)

A CooperYara trabalha apenas com o produto da coleta seletiva do município de Barueri, em um projeto que tem a Fundação AlphaVille como parceira. E é neste projeto que hoje Benedito separa livros, revistas e cadernos para a biblioteca comunitária da entidade, criada por ele e batizada de Espaço de Leitura.

Temos perto de 5000 livros e estamos sempre crescendo, com doações ou encontrando novas obras aqui na reciclagem, que recuperamos e colocamos na biblioteca, conta. O Espaço de Leitura começou a ser formado na cooperativa por Seu Benê, como ele é conhecido, em 2001 e teve grande êxito: Fazemos mais de 500 empréstimos por mês, de todo tipo de obra. Os catadores, suas famílias e todas as pessoas pobres que frequentam o Espaço tem aqui um lugar saudável para se educarem e se distrairem com a leitura.

Uma história semelhante a esta é a da biblioteca comunitária da UNAS (Unidade de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis). Situada na maior favela da cidade de São Paulo, a biblioteca do local serve aos mais de 120.000 habitantes de Heliópolis e funciona como um referencial de inclusão social via educação e cultura para os jovens do local. É o que garante Edson Arthur Alves da Silva, membro da UNAS e responsável pela iniciativa: Temos perto de 7500 livros em nosso acervo e contamos com o apoio de grandes empresas, como os supermercados Extra e Pão de Açucar, para continuar servindo à comunidade.

Outro exemplo extraordinário, e inusitado, deste tipo de ação social é o da Biblioteca T-Bone, que surgiu em Brasília a partir de um... açougue. É isso mesmo. A idéia desta biblioteca veio em 1994, quando Luiz Amorim comprou o açougue em que era até então funcionário e percebeu que os antigos donos tinham abandonado, no imóvel, dez livros em uma estante. Apreciador de romances e obras de filosofia, ele resolveu que aquele seria o acervo inicial de uma biblioteca que montaria para atender às pessoas mais pobres da região, em especial aos habitantes das cidades satélites.

A história desta biblioteca comunitária é quase uma saga: o próprio açougue de Luiz chegou a ser interditado pela Vigilância Sanitária da capital federal por causa da iniciativa --- os fiscais alegavam que o entra-e-sai de livros no estabelecimento poderia pôr em risco a assepsia do lugar. Hoje, a Biblioteca Comunitária T-bone funciona em sede própria, que fica na SHCG quadra 712/13 Norte, Bloco H, loja 30. É a única biblioteca comunitária da Asa Norte da cidade, e conta com um acervo de mais de 20.000 obras.

É impressionante como, quando lhe é dada a oportunidade, o brasileiro desmente a fama que carrega de não gostar de livros. Emprestamos uma quantidade enorme de exemplares todo mês, e desde o surgimento do projeto já formamos gerações de leitores, o que me enche de felicidade, conta Luiz, idealista.

Recentemente, o criador da T-bone teve mais uma iniciativa pioneira: lançou o projeto batizado de Bibliotecas Populares, que consiste em 26 estantes colocadas em pontos de ônibus na avenida W3 Norte de Brasília, onde qualquer pessoa pode pegar um livro ou uma revista que deseje ler. Ao contrário do que muitos pensavam, não houve casos de vandalismo contra as estantes e todas permanecem intactas, proporcionando cultura e educação aos passageiros de ônibus da capital.

São exemplos impressionantes. E o poder público está atento a estas iniciativas: ajudar na criação ou na manutenção de uma biblioteca comunitária pode ser o meio mais barato e eficiente de levar cidadania a comunidades desfavorecidas.

É o que acha Ricardo Montoro, secretário municipal de Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo: Iniciativas que nascem da sociedade civil e se disseminam fazendo o bem são preciosas para nossa cidade e para o nosso País. Aqui na prefeitura buscamos sempre apoiar ações como estas das bibliotecas comunitárias, cedendo locais para funcionarem e acervos, por exemplo. É agindo assim que o Brasil acertará o passo com o futuro e dará a seu povo a instrução tão necessária para os dias que correm.

Informações

Biblioteca Comunitária Espaço de Leitura
Tel.: (11) 4198-8835 

Biblioteca Comunitária de Heliópolis
Tel.: (11) 2272-0140
Site: http://www.unas.org.br

Biblioteca Comunitária T-bone
Tel.: (61) 3201-9360
Site: http://www.t-bone.org.br

Secretaria municipal de Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo
Tel.: (11) 3113-8000
Site: http://www2.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/participacao_parceria

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