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Mesmo com condições tranquilas de financiamento, o índice de calote do programa chega a 49% dos contratos em fase de amortização; veja como escapar de problemas financeiros futuros, segundo especialista

Pagamento do Fies: principal passo para se organizar financeiramente é controlar o que entra e o que sai do orçamento
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Pagamento do Fies: principal passo para se organizar financeiramente é controlar o que entra e o que sai do orçamento

Entrar na faculdade é o sonho da maioria dos jovens, mas não são todos que conseguem uma bolsa integral numa instituição privada ou, mesmo, passar em uma universidade pública. Para muitos, a solução é recorrer ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que tem “condições tranquilas” para quitar a dívida. Porém, uma auditoria realizada pelo TCU constatou que a inadimplência no programa, em 31 de dezembro de 2015, chegava a 49% dos contratos em fase de amortização – e desses, metade tinha atrasos superiores a 360 dias.

Mas, como fazer para não se descontrolar financeiramente e acabar dando calote no pagamento do Fies ? E mais: vale a pena investir neste financiamento? Para responder a essas perguntas (básicas) e outras possíveis dúvidas acerca do tema, o iG conversou com especialistas. 

Tranquilo e favorável? Depende do estudante. O economista da Toro Investimentos, Nicolas Lavzaretti, explica que as condições para o financiamento são “excelentes” uma vez que os juros de 6,5% ao ano são muito mais atrativos quando comparados aos de outros empréstimos, como o consignado (cujas taxas podem chegar a mais de 30% a.a), e à taxa de juros básica do País (atualmente, de 14% a.a).

Outro benefício oferecido pelo fundo de financiamento, é que o aluno poderá esperar 18 meses para começar a pagar, tendo mais de 12 anos para quitar a divida – dependendo da duração do curso.

Contudo, apesar das condições favoráveis, o economista lembra que é preciso fazer um planejamento para não adquirir problemas financeiros no futuro. Por isso, o primeiro passo que se deve tomar ao optar pelo programa é ter disciplina e controle de gastos. Com isso, ficará muito mais fácil enfrentar o financiamento ao longo do tempo e sem isso a pessoa pode assinar um documento de risco. “Quando o aluno entra no Fies, ele já entra endividado na vida profissional”, pondera. 

Como se preparar

Ok, já sabemos que disciplina e organização são necessárias. Mas, por onde começar? Lavzaretti afirma que o principal caminho para se organizar financeiramente é controlar o que entra e o que sai do orçamento. Para isso, o economista recomenda que o estudante crie uma “Planilha de Fluxo de Caixa”, disponível no site da BM&FBovespa, por exemplo, onde é possível calcular todos os ganhos e custos mensais. 

“Controlar os gastos desde o início da faculdade é fundamental para que a pessoa crie uma consciência, principalmente, quando começar a pagar o Fies", pontua. 

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Economista explica que é preciso guardar o máximo possível, mas considera 30% uma porcentagem ideal
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Economista explica que é preciso guardar o máximo possível, mas considera 30% uma porcentagem ideal

O especialista também destaca que o aluno precisa se dedicar aos estudos, buscando adquirir boas notas, especializações e tentar uma vaga de estágio durante a graduação. “Isso deve facilitar a ingressão desse jovem no mercado de trabalho”. Para Lavzaretti, é fundamental encontrar maneiras de obter renda, seja pelo estágio, bolsas de iniciação cientifica ou arrumando alguma forma de empreender.

Poupar, poupar e poupar

Deixar de gastar 75% do salário pode parecer impossível, mas, apesar de não ser a regra, foi a solução que o estudante de jornalismo Renan Muniz de Sales, de 20 anos, encontrou para se preparar para pagar o financiamento.

Faltando poucos meses para se formar, Sales conta que só conseguiu entrar na faculdade por meio do Fies. Ele tem 50% de bolsa pela universidade e os outros 50% são financiados pelo programa. “Eu não teria dinheiro para pagar de forma alguma”, afirmou o estudante, que começou a trabalhar depois de um ano e cinco meses de curso.

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Mesmo com o baixo salário do primeiro estágio, Renan abriu uma poupança e começou a guardar dinheiro. “Sempre tive consciência de que a maior parte do meu salário seria para pagar a faculdade”, contou.

Agora, já no segundo emprego, o estudante investe também no Certificado de Depósito Bancário (CDB) – uma espécie de “empréstimo” que a pessoa faz para a instituição bancária, em troca de uma rentabilidade diária. 

Segundo Lavzaretti avalia, as formas que Renan Sales encontrou para guardar dinheiro são as melhores opções, mostrando, portanto, ser possível encarar o Fies. O economista explica que é preciso poupar o máximo possível ao mês, mas considera 30% uma porcentagem ideal. "O importante não é a quantidade é a disciplina", disse o especialista que também recomenda o investimento no Tesouro Direto – compra de títulos do governo, maneira mais segura e rentável para investidores pequenos e iniciantes.


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