Crise faz alunos de escolas privadas migrarem para instituições públicas

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Escolas particulares perderam entre 10% e 12% de suas matrículas em 2016; classes sociais C e D são as mais afetadas

Agência Brasil

Saída de estudantes de escolas privadas cresce no ano em que Brasil se vê em sua maior crise
Pedro Ribas ANPr
Saída de estudantes de escolas privadas cresce no ano em que Brasil se vê em sua maior crise

Com a crise econômica, muitas famílias tiveram de cortar gastos e transferir seus filhos da rede de ensino particular para a rede pública. Diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios diz que as escolas particulares perderam entre 10% e 12% das matrículas em 2016, devido, principalmente, à crise financeira.

A Fenep identificou a saída de estudantes de escolas privadas, principalmente das classes C e D – parcela da população que teve ganho de poder aquisitivo antes da crise e agora sente mais os efeitos da desaceleração econômica.

“Essas classes tinham o sonho de colocar os filhos na escola particular e, com os cortes que fizeram no orçamento, a escola não coube mais”, analisa Amábile. Segundo ela, houve aumento de 3% a 4% de matrículas nas escolas que atendem predominantemente as classes A e B.

Somente no Distrito Federal a rede pública recebeu 10 mil solicitações de matrículas a mais neste ano do que em 2015. O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da Secretaria de Educação local, Fábio Pereira, concorda que o principal motivo para o aumento da demanda foi a crise e o encarecimento das mensalidades escolares.

“A Secretaria de Educação recebe em média 30,32 mil solicitações de novas matrículas a cada ano. Neste foram cerca de 42 mil. Isso certamente reflete a transferência desses alunos da rede particular para a pública e também a chegada de novas crianças ao Distrito Federal”, avalia.

Retorno
De acordo com Fábio Pereira, além da crise há também um movimento de retorno da classe média para a escola pública motivado por incentivos como a reserva de vagas em universidades para estudantes vindos das rede pública.

Segundo ele, a rede pública do DF se preparou para receber mais estudantes: “Isso já era esperado. Então, ao longo de 2015 buscamos reorganizar a rede, ampliamos escolas, fizemos reformas e locamos novos espaços justamente para atender essa demanda".

O diretor executivo da Associação Lecionar Unificada de Brasília (Alub), Alexandre Crispi, afirma ter observado intenso movimento de migração de estudantes mesmo entre escolas privadas – das mais caras para as mais baratas. Ele conta que as matrículas nas unidades da rede Alub, com na classe C, cresceram 14% neste ano.

Segundo Crispi, muitos pais fazem cortes e remanejam gastos para manter os filhos na escola particular. Além de mudá-los de escola, em função do preço, as famílias têm recorrido ao corte no transporte escolar, cursos de línguas e aulas de esportes.

Menos despesas
Frederico de Carvalho, que trabalha na área de marketing esportivo e cultural, recorreu a duas alternativas para reduzir os gastos com os estudos dos filhos para este ano: transferiu o mais velho, de 17 anos, da rede particular para a pública, e migrou a mais nova, de 4 anos, a uma escola privada mais barata do que a anterior.

Para o filho, Carvalho procurou uma instituição pública com bons resultados na aprovação de estudantes na Universidade de Brasília – e a mudança foi aprovada. “Ele está satisfeito porque sabe que quem faz a escola é o aluno. E o terceiro ano lá é bem puxado para quem está querendo realmente estudar”. O produtor diz que, com a economia do remanejamento, será possível usar parte do dinheiro da mensalidade para abrir uma poupança ao filho mais velho.

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