Ministro diz que violência no Paraná é chocante, mas MEC não pode interferir

Por Cristiane Capuchinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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O ministério da Educação, Renato Janine Ribeiro, faz apelo para negociação entre governo estadual e professores

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, chamou de chocantes as cenas de violência contra os professores do Paraná, mas disse que o Ministério da Educação (MEC) não pode interferir no confronto entre docentes e o governo estadual. 

Antonio Cruz/ABr

"Os Estados são autônomos, cada um deles tem sua carreira, cada um deles tem sua política salarial e o ministério não está capacitado tecnicamente nem é autorizado legal e constitucionalmente para interferir nessa situação", afirmou o ministro em entrevista ao iG nesta quinta-feira (30).

Janine disse que a União não pode tomar o lugar de Estados ou municípios em negociações salariais por conta do pacto federativo.

Sobre a manifestação de quarta-feira (29) em Curitiba, em que mais de 200 pessoas saíram feridas após confronto com a Polícia Militar, o ministro considerou chocantes as cenas. "As cenas de ontem são chocantes, com professores feridos. A violência não tem valor educacional, ao contrário, a violência é o contrário da educação."

Janine rejeitou a possibilidade de participar da negociação entre professores e governo estadual, mas pediu para que haja negociação. "Agora nós apelamos para que as autoridades do Paraná negociem para que não haja mais greve".

Veja imagens do protesto dos professores no Paraná

Professor fica ferido em confronto com policia. Foto: SMSC/29.04.15Feridos foram levados a hospitais da região, que ficaram lotados. Foto: SMSC/29.04.15Policiais usaram balas de borracha para conter manifestantes. Foto: SMSC/29.04.15Mais de 100 pessoas ficaram feridas. Foto: SMSC/29.04.15Professores do Paraná e PM entram em confronto no centro de Curitiba (29.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoPolícia usou bombas de gás, balas de borracha e jatos de água para dispersar manifestantes. Foto: SMSC/29.04.15PM usou bombas de gás lacrimogênio durante protesto de professores do Paraná (28.4.2015). Foto: Divulgação/APPPM usou bombas de gás lacrimogênio durante protesto de professores do Paraná (28.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoProfessores estaduais e PM entram em confronto no centro de Curitiba (29.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoApós confronto com PM, professores mantiveram acampamento em frente à Assembleia Legislativa (28.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoEm greve, professores do Paraná passam noite em frente à Assembleia Legislativa´(29.4.2015). Foto: Divulgação/APP Sindicato


Carreira docente federal

O ministro apontou ainda como desejável a criação de uma carreira docente federal, que defina diretrizes básicas para o plano de carreira, avanço na carreira e sistema de aposentadoria de todos os Estados e municípios. 

"Temos hoje quase 5.600 diferentes carreiras entre Estados e municípios. Eu acho que será uma avanço quando conseguirmos isso, agora isso depende de demoradas negociações com 5.600 atores sentados à mesa. Isso tudo tem esse espírito da negociação de que estou falando. Assim como toda vez que existe um conflito entre governo e servidores, que não se recorra a violência. Violência nunca deve ser aceita, venha de quem vier", afirmou.

O estabelecimento de uma carreira docente para todas as redes municipais e estaduais é uma das metas do Plano Nacional de Educação, sancionado em 2014.

Atos contra mudança da previdência

Na última segunda-feira (27), os professores da rede estadual do Paraná entraram em greve contra um projeto de lei que altera a previdência dos servidores estaduais. A categoria armou acampamento em frente à Assembleia Legislativa em protesto na semana em que seria feita a votação do projeto de lei.

Na terça-feira (28), houve confronto entre policiais militares e os manifestantes. A PM, que cercou o prédio da Assembleia Legislativa, chegou a usar bombas de gás lacrimogênio e gás pimenta para dispersar o protesto.

A votação do PL que muda a previdência foi marcada para a última quarta-feira. Para garantir o cerco ao prédio da Assembleia, o governo do Paraná chegou a convocar tropas de outras cidades. Por volta das 15h, quando a sessão começou, começou um grave confronto entre professores e a Polícia Militar, que usou bombas de gás, balas de borracha e jatos de água na repressão do ato.

Segundo a prefeitura de Curitiba, mais de 200 pessoas ficaram feridas durante o ato.

O governo do estado, em nota, defendeu que as agressões partiram de manifestantes “estranhos ao movimento dos servidores estaduais”. Na versão do governo, teria havido “reitadas tentativas” de invasão à Assembleia Legislativa.

Apesar das cenas de guerra do lado de fora, os deputados federais do Paraná votaram e aprovaram o projeto de lei.

No início do ano, os profissionais da rede estadual de ensino já tinham feito greve por 29 dias contra projeto semelhante. Na época, eles chegaram a ocupar o plenário da Assembleia Legislativa.

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