Ex-secretário de FHC: versão de Richa para conflito é 'conversa para boi dormir'

Por Vitor Sorano , iG São Paulo |

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Paulo Sérgio Pinheiro considera desproporcional reação da polícia a protesto; ação deixou 200 feridos

Secretário de Direitos Humanos durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e nomeado para a Comissão Nacional da Verdade (CNV) no governo Lula (PT), o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro considerou "uma conversa para boi dormir" o argumento do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), de que a Polícia Militar apenas reagiu a ataques de manifestantes no confronto que deixou 200 pessoas feridas nesta quarta-feira (29) em Curitiba.

"Evidente que isso é conversa para boi dormir. A polícia do Paraná não sabe lidar com manifestações pacíficas de professores. Não eram delinqüentes", disse Pinheiro, durante evento contra a redução da maioridade penal promovido pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), do qual ele é integrante.

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A manifestação liderada por professores visava impedir a aprovação, na Assembleia Legislativa paranaense, de um projeto que altera o sistema previdenciário dos servidores e, segundo o governo Richa, resultaria em economia de recursos públicos. O Estado enfrenta dificuldades financeiras.

A reação da polícia, que acusa os manifestantes de tentarem invadir a Assembléia, ocorreu por volta das 15h. O confronto transformou o saguão da Prefeitura de Curitiba em posto de atendimento a feridos. Dos 200, 35 tiveram de ser encaminhados a hospitais. O prefeito, Gustavo Fruet (PDT), condenou a ação policial.

Veja imagens dos conflitos entre professores e PM:

Professor fica ferido em confronto com policia. Foto: SMSC/29.04.15Feridos foram levados a hospitais da região, que ficaram lotados. Foto: SMSC/29.04.15Policiais usaram balas de borracha para conter manifestantes. Foto: SMSC/29.04.15Mais de 100 pessoas ficaram feridas. Foto: SMSC/29.04.15Professores do Paraná e PM entram em confronto no centro de Curitiba (29.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoPolícia usou bombas de gás, balas de borracha e jatos de água para dispersar manifestantes. Foto: SMSC/29.04.15PM usou bombas de gás lacrimogênio durante protesto de professores do Paraná (28.4.2015). Foto: Divulgação/APPPM usou bombas de gás lacrimogênio durante protesto de professores do Paraná (28.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoProfessores estaduais e PM entram em confronto no centro de Curitiba (29.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoApós confronto com PM, professores mantiveram acampamento em frente à Assembleia Legislativa (28.4.2015). Foto: Divulgação/APP SindicatoEm greve, professores do Paraná passam noite em frente à Assembleia Legislativa´(29.4.2015). Foto: Divulgação/APP Sindicato

"Mas o relato que recebo da Segurança Pública é que não houve violência, só contenção da massa que vinha para cima deles, tentando invadir a Assembleia, principalmente com spray de pimenta e gás de efeito moral", disse Richa ao jornal "Folha de S.Paulo".

Pinheiro, que também é coordenador da Comissão Internacional de Investigação para Síria, da ONU, considerou "totalmente desproporcional" a reação da PM paranaense.

"É absolutamente revoltante que em plena democracia do século 21 o governo do Estado do Paraná trate os manifestantes pacíficos usando bala de borracha, cachorro pit bull, bombas de gás lacrimogênio", disse. "Os Black blocs são uns gatos pingado. Agora, para enfrentar os black blocs, a PM usou uma força totalmente desproporcional.

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