Alunos de semipresencial da USP estão sem aulas há duas semanas

Por Cristiane Capuchinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Com problemas na renovação de contratos de tutores com a USP, professores suspenderam aulas no dia 28 de março

Os alunos do curso semipresencial de licenciatura em ciências da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com a Univesp, estão sem aulas desde o dia 28 de março. O problema é a falta de tutores para o módulo do terceiro semestre, cujos contratos terminaram no meio do semestre. 

"Um dia antes da aula do dia 28 mandaram uma mensagem afirmando que a equipe estava sendo reformulada e que as aulas voltariam no dia 11 de abril e só. Tínhamos prova nesse dia e ficamos sem saber o que estava acontecendo", afirma Flávia Ferrari, de 29 anos.

Computadores da Faculdade de Educação da USP
Marcos Santos/USP Imagens
Computadores da Faculdade de Educação da USP

O curso semipresencial tem aulas de sábado em sete polos do Estado de São Paulo. Na capital, as aulas são dadas no Instituto de Biociências da USP. Tanto as atividades presenciais quanto as atividades virtuais são orientadas por tutores, normalmente mestrandos ou doutorandos da faculdade.

Flávia conta que os alunos não foram informados sobre o que aconteceu com os contratos dos tutores e nem sobre o que seria feito com o calendário de aulas. "Fomos descobrindo o que estava acontecendo conforme recebíamos e-mails de despedida dos tutores."

Em uma das mensagens, o antigo tutor conta que houve problemas no aditamento dos contratos de tutores e que a equipe será reduzida por causa de restrições orçamentárias. 

Sem comunicado oficial, os estudantes dizem que cresce a insegurança em relação à continuidade do curso. "Não sabemos o que vai ser feito do curso, há muita especulação de que ele vai acabar", diz uma estudante do segundo ano da licenciatura. "Toda hora tem boato de que não vamos nos formar", reclama. 

Segundo eles, o problema atinge todos os estudantes do segundo ano do curso. 

As aulas do curso são são dadas em uma parceria entre a fundação Univesp e a Universidade de São Paulo, que é responsável pelas aulas. Todos os anos, são abertas 360 vagas para a licenciatura em ciências, que dura oito semestres.

Crise

Criado em 2010, o curso passa por uma crise por falta de procura no vestibular e altos índices de evasão. No fim do ano passado, uma reportagem da Folha de São Paulo chegou a apontar que 2015 seria o último ano de ingresso no curso. 

Procurada, a Universidade de São Paulo não informou quantos são os alunos nesta situação, nem informou qual foi a razão para a interrupção do curso, nem quantos tutores estão trabalhando e quantos foram afastados. Tampouco respondeu se o problema tem relação com a crise orçamentária da universidade. Em nota, a USP diz que a "coordenação do curso está tomando as providências necessárias para regularizar a situação com a maior brevidade possível de forma a não prejudicar os alunos".

Saiba o que toda graduação a distância tem de ter:

NÃO É TUDO VIRTUAL - Pelas regras do MEC, o curso de graduação a distância não é feito totalmente a distância. Provas e atividades laboratoriais devem ser feitas no polo presencial. Foto: Flávio Arns/FlickerEAD PRECISA DE LIVROS - Além do material didático das disciplinas do curso de graduação, o polo presencial deve ter uma biblioteca com livros teóricos necessários ao curso. Foto: Comunicação EADSALA DE AULA E TUTORIA - O polo educacional deve ter espaço para aulas presenciais e atendimento de tutores para as disciplinas dos cursos de graduação. Foto: Carlos Chagas/Comunicação EADAVALIAÇÃO - Ao menos uma vez por semestre, o curso de graduação deve ter uma prova presencial de nível de dificuldade adequado ao conteúdo do semestre. Foto: Carlos Chagas/Comunicação EADPOLO PRESENCIAL - Os cursos de graduação a distância devem ter um polo educacional onde o aluno recebe atendimento administrativo para, por exemplo, pedir documentos. Foto: Secretaria polo educacional da Universidade Aberta do BrasilDIPLOMA - Os diplomas de cursos de graduação a distância ou presenciais são iguais. No título não há qualquer referência à modalidade de ensino. Foto: Luiz Filipe Barcelos/Agência UnB


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