Escola tradicional de SP tem museu e laboratório sem uso e teatro trancado

Por Cristiane Capuchinho - iG São Paulo |

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Instalada em antigo prédio da USP, Escola Estadual Caetano de Campos sofre com espaços fechados e poucos funcionários

A Escola Estadual Caetano de Campos já foi sinônimo de educação de qualidade em São Paulo. Por seus bancos passaram alunos como o escritor Mário de Andrade e o historiador Sérgio Buarque de Holanda. Mais de um século após sua criação, a escola tem laborários e museu fechados e seus alunos têm desempenho abaixo da média da rede estadual.

"Minha família sempre estudou nessa escola, meus pais dizem que tinham aula nos laboratórios, que tinha feira cultural. Meu pai falava que a escola era muito boa", conta Vinícius Soares, de 16 anos, aluno do 2° ano do ensino médio. Para ele, os professores ainda são o ponto forte da escola —"muito bons"—, mas ele lamenta não poder usar a infraestrutura do prédio. "O laboratório de química está todo arrumadinho e não está sendo usado. Tem um galpão enorme em cima do teatro que fica trancado."

Entrada da Escola Estadual Caetano de Campos, no bairro da Aclimação (SP). Foto: Cristiane Capuchinho/iGÁrea cedida para a secretaria de segurança pública está abandonada e aberta aos estudantes. Foto: Acervo pessoalÁrea da escola que foi cedida à secretaria de segurança pública e está abandonada. Foto: Acervo pessoalÁrea verde na frente da Escola Estadual Caetano de Campos. Foto: Cristiane Capuchinho/iG

O primeiro prédio da Caetano de Campos era na praça da República, onde hoje está a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Desde 1978, a unidade deixou de ser modelo e foi transferida para o antigo prédio da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, no bairro da Aclimação. 

O espaço é grande, tem quadras esportivas, teatro, biblioteca, museu, horta e uma área verde extensa. A unidade reúne alunos do ensino fundamental até o fim do ensino médio. Em 2013, eram 1.725 estudantes matriculados na escola, de acordo com o Censo Escolar.

O problema, segundo professores e funcionários, é que ao longo dos anos a área e a verba usadas pela escola foram sendo limitadas. O teatro, por exemplo, é gerido pela Secretaria de Cultura desde 2005 e usado para ensaios da Osesp (orquestra sinfônica), e já não faz parte da escola apesar de ficar no meio da unidade.

O museu guarda peças do acervo da antiga escola modelo, como animais empalhados, livros e até um piano. No entanto, está trancado e não é usado por professores ou alunos. No dia em que a reportagem visitou a unidade, a diretoria informou que as chaves estavam com o Centro de Referência em Educação Mario Covas, responsável por uma exposição sobre a história da escola.

Parte da área verde foi repassada para a secretaria de Segurança Pública em 2007, no entanto a área com mato alto ainda está aberta para a escola e alunos acessam o espaço sob risco de acidentes. 

O galpão em que, antigamente, eram realizadas as feiras de ciência da escola e festas da comunidade no mês de junho agora permanece fechado.

"A escola é muito grande para poucos funcionários", diz Bryan Aftimus, de 18 anos, estudante do 3° ano do ensino médio e presidente do grêmio da escola.

Professores e funcionários também reclamam da dificuldade de gerir tantos alunos e o espaço com poucos funcionários. Recentemente, o intervalo de aulas foi alterado para que menos alunos estejam no pátio da escola ao mesmo tempo e facilitar o controle.

Desempenho escolar

A escola, que era modelo, hoje tem alunos com desempenho escolar abaixo da média da rede estadual. No ensino médio, a taxa de reprovação da escola em 2013 foi de 15,3%, o equivalente a 88 alunos. Outros 71 (12,4%) abandonaram a escola. A média da rede pública de São Paulo é de 11,6% de reprovação e 4,8% de abandono.

Nos anos finais do ensino fundamental, fase em que estão matriculados a maior parte de seus estudantes, a nota média dos alunos do Caetano de Campos é de 3,9 (de 10 pontos possíveis) na Prova Brasil, abaixo da média da rede estadual, que é 4,4.

Procurada, a Secretaria Estadual de Educação afirma que os laboratórios podem ser usados pelos professores para as aulas e que a direção instrui devidamente os docentes para usar o material que era da antiga Caetano de Campos. 

Sobre o teatro, a secretaria diz que o espaço pode ser usado desde que os alunos peçam permissão para a Associação dos Amigos do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, responsável pelo espaço.

O órgão afirma ainda que o museu fica trancado para preservação do material, mas está disponível para consulta e as chaves estão na diretoria da escola – no dia em que o iG estave na unidade, funcionários afirmaram que as chaves não estavam na escola e professores e alunos afirmaram nunca ter usado o espaço.

Em relação à falta de separação entre o espaço cedido para a Secretaria de Segurança Pública e a escola, a secretaria de Educação diz que tapumes são colocados no local desde 2007 e que não é de responsabilidade da pasta a manutenção daquele espaço.

A Secretaria de Segurança Pública foi procurada e não respondeu à reportagem até o momento da publicação dessa matéria.



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