Estudantes do 6° ano de Botucatu afirmam que fantasia de festa era de carrasco. Faculdade vai instaurar CPI sobre o caso

Os calouros de medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, foram recepcionados durante uma festa por veteranos fantasiados com roupas semelhantes à da seita norte-americana Ku Klux Klan, grupo que prega a supremacia da raça branca . A festa aconteceu no dia 5 de março. 

O evento, chamado de "Batizado de Medicina", foi organizado pelos alunos do 6° ano de medicina de Botucatu. 

Estudantes do 6º ano de medicina da Unesp recebem calouros com roupas que remetem a Ku Klux Klan
Reprodução/Facebook
Estudantes do 6º ano de medicina da Unesp recebem calouros com roupas que remetem a Ku Klux Klan

O caso foi denunciado pelo grupo Opressão na Medicina, no Facebook. "Com a morte de centenas de milhares de pessoas não se brinca. O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência", publicou.

Nas redes sociais, o grupo Rede de Proteção às vítimas de violência nas universidades afirmou que o acesso e o currículo dos cursos de medicina devem ser repensados.

"Não é possível tolerar "brincadeiras" como a de vestir-se à la Ku Klux Klan, acender tochas e colocar calouros ajoelhados para serem batizados, conforme está na foto anexa. A KKK é exemplo de ódio, de eugenia, intolerância e morte. O que pensar de médicos que se predispõe a emular coisas que existiram de pior na história da humanidade?"

A Unesp é a primeira universidade estadual de São Paulo a aderir ao projeto de cotas que prevê a meta de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas até 2016. 

A Faculdade de Medicina de Botucatu afirmou que instituirá uma CPI para investigar a festa. A comissão vai apurar se hpouve infração ao Regimento Geral da universidade. 

Análise: Estupro na USP é culpa da negligência da faculdade com trote, diz especialista 

Tema de festa era carrasco

Em nota divulgada pela turma do sexto ano de medicina, os estudantes afirmam que a roupa não fazia referência ao grupo racista e afirma que não houve atos de preconceito durante a festa. 

"Esse evento é realizado anualmente, sendo que o 6° ano vigente é responsável por elaborar uma fantasia para a festa, sempre de caráter misterioso. No caso referente a nossa turma, o tema da fantasia escolhido foi de “Carrasco”, utilizando roupas pretas e máscaras. As fantasias foram utilizadas apenas para a entrada da turma, sendo que foram retiradas logo após a entrada, dando início a confraternização com os calouros no evento".

Em nota, a turma pede desculpas "a quaisquer pessoas que tenham se sentido ofendidas com essa interpretação. Nós, alunos do 6° ano da Faculdade de Medicina de Botucatu, abominamos qualquer prática de preconceito, seja ele devido a etnia, credo ou opção sexual e estamos dispostos a dar mais informações quando tivermos todas as condutas acertadas".

Veja trotes e casos de violência em universidades do País


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.