"Professores sofrem descaso de todos os lados", diz docente em greve em SP

Por iG São Paulo - Milena Carvalho* | - Atualizada às

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Paralisação de profissionais da rede estadual já dura duas semanas e será mantida, decidiu categoria nesta sexta-feira

A decisão de manter a greve que já dura duas semanas, votada em protesto do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) nesta sexta-feira (27), foi celebrada por Mariellen Colares. Professora de língua portuguesa em escolas estaduais de Suzano, a professora de 28 anos desabafou ao iG que só com luta a categoria conseguirá pressionar o governo pelas mudanças reivindicadas, especialmente a exigência de reajuste salarial de 75%, principal foco da paralisação.

Mariellen Colares, que ensina português em Suzano: temos de pressionar governo
Milena Carvalho/iG São Paulo
Mariellen Colares, que ensina português em Suzano: temos de pressionar governo

"A maior dificuldade de ser professor é o descaso que vem de todos os lados. Além dos salários baixos, não temos infraestrutura para trabalhar, temos de dar aula para 50 alunos em sala de aula e isso é totalmente impossível, ilógico. O que queremos é mais respeito", disse Mariellen durante a caminhada que foi iniciada com assembleia no Museu de Arte de São Paulo (Masp), passou pela Rua da Consolação e foi encerrada na Praça da República, em frente à Secretaria de Educação do Estado. Dez mil pessoas compareceram ao ato, segundo a Polícia Militar.

"Quero pedir para a população, principalmente para os estudantes, também fazerem alguma coisa. A luta não pode ser unilateral, precisa ser de todos os lados da sociedade."

Entre as reivindicações dos professores da rede estadual está o fim da duzentena, regra praticada em cargos públicos estaduais que obriga docentes temporários a ficarem duzentos dias afastados das salas de aula, sem direito a ganhos financeiros, a cada dois anos de trabalho.

A prática, aliada ao fechamento de salas de aula no início deste ano letivo, levou milhares de docentes a ficarem sem emprego, de acordo com a Apeoesp, obrigando-os a fazer bicos, como faxina, para se sustentar, conforme revelou o iG no mês passado.

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"O governo parece tentar cada vez mais colocar as categorias para baixo. Como é possível ficar sem possibilidade de trabalho nesses 200 dias? Vamos morrer de fome? Vamos roubar, vamos matar? Não tem como!", critica Mariellen.

"Estamos pedindo reajuste salarial de 75%, porque não tem como continuar com os menores pisos do setor. Além disso, quando você aposenta, perde todas as garantias de bônus e queremos que o bônus se junte ao salário para termos um benefício a longo prazo."

A Apeoesp estima que 75% dos professores da rede estadual estejam paralisados. A Secretaria de Educação paulista, no entanto, rebate os dados do sindicato – no início da semana, o órgão afirmou que o índice de profissionais que não têm comparecido às aulas era de 2,5%.

Veja fotos dos atos de docentes realizados na quinta e sexta-feira em São Paulo:

Frase escrita por professores, nesta sexta-feira, 27 de março, reforçando continuidade da greve. Foto: Milena Carvalho/iG São PauloFrase escrita com giz de cera pede fim de prática do governo estadual, neste dia 27 de março, na Avenida Paulista. Foto: Milena Carvalho/iG São PauloA professora Mariellen Colares, que ensina português em Suzano: temos de pressionar governo. Foto: Milena Carvalho/iG São Paulo26.03.2015 - Professores e alunos da rede estadual de São Paulo, em greve desde o dia 13, pedem que governo do Estado negocie reajuste salarial. Foto: Reprodução/Apeoesp Guarulhos26.03.2015 - Professores e alunos da rede estadual de São Paulo, em greve desde o dia 13, pedem que governo do Estado negocie reajuste salarial. Foto: Reprodução/Apeoesp Guarulhos26.03.2015 - Professores da rede municipal e estadual fazem protesto em Manaus por aumento salarial e mudança na carreira docente. Foto: Reprodução/Facebook Juntos26.03.2015 - Estudantes do ensino médio protestam em frente ao Colégio Protássio Alves, em Porto Alegre (RS). Foto: Reprodução/Twitter Decadermatori26.03.2015 - Grupo de estudantes realizam protesto em frente ao Ministério da Educação, em Brasília. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS26.03.2015 - Estudantes da Universidade Federal do Pará fazem protesto pela manutenção de verba para educação. Foto: Reprodução/Facebook Juntos

A Secretaria Estadual de Educação informou que o registro de faltas de professores em todo o Estado corresponde à média diária de ausências nas escolas e que “todas as ausências pontuais são substituídas pelo quadro de professores eventuais”. A secretaria também pede que os alunos da rede estadual compareçam normalmente às escolas.

“Foi em conjunto com os servidores que a secretaria materializou um plano de carreira que estabeleceu aumento acumulativo de 45% em quatro anos e alçou o piso salarial paulista a patamar 26% maior do que o nacional. Os profissionais da Educação ainda podem conquistar o reajuste salarial anual de 10,5% por meio da valorização pelo mérito. E recebem bônus por resultados obtidos por seus alunos”, diz a secretaria em nota.

A presidente do sindicato, no entanto, contesta o valor citado pela secretaria: “O governo não repôs perdas e nem deu ganho real. O governo fez um plano de quatro anos, disse que era 45% [reajuste] e, na prática, não é porque nós já recebíamos gratificações. Portanto, elas [gratificações] foram incorporadas no salário-base e nós tivemos 27% em quatro anos".

* Com Cristiane Capuchino

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