Em greve, professores de São Paulo montam tenda para pressionar negociação

Por Agência Brasil |

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Secretaria Estadual diz que registro de faltas de professores corresponde à média diária de ausências nas escolas

Agência Brasil

Em greve desde o dia 13 de março, os professores da rede estadual de ensino decidiram nessa quarta-feira (25) fazer uma série de ações em todo o Estado de São Paulo para cobrar a abertura de negociação com o governo estadual. Na capital paulista, os professores filiados ao Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) montaram uma tenda em frente a sede da Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, onde pretendem permanecer até que a secretaria os atenda.

Nesta quinta-feira, em frente à sede da secretaria, haverá uma vigília a partir das 18h para pedir pela abertura das negociações.

Protesto dos professores da Rede Estadual de SP, na Avenida Paulista, em São Paulo (20.03.15)
Renato S. Cerqueira/Futura Press
Protesto dos professores da Rede Estadual de SP, na Avenida Paulista, em São Paulo (20.03.15)

Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, presidente da Apeoesp, disse que 139 mil professores aderiram à greve no Estado. Ela disse que o governo chamou entidades ligadas ao magistério para conversar, mas que excluiu a Apeoesp das negociações.

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Os professores reivindicam, principalmente, aumento salarial de 75,33%. “Estamos dizendo que é possível fazer um plano de composição desse valor. É só fazer e querer. Há também a questão referente a desdobrar as salas, que estão superlotadas, e acabar com essa vergonhosa contratação dos professores da categoria O [professores temporários com contrato de um ano, renovável por mais um ano e carga horária máxima de 32 horas/aula semanais]. E também estabelecer um número máximo de alunos por sala de aula. O ideal seria 25 alunos por professor”, disse.

Na próxima sexta-feira (27), os professores farão uma nova assembleia no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a partir das 14h.

A Secretaria Estadual de Educação informou que o registro de faltas de professores em todo o Estado corresponde à média diária de ausências nas escolas e que “todas as ausências pontuais são substituídas pelo quadro de professores eventuais”. A secretaria também pede que os alunos da rede estadual compareçam normalmente às escolas.

“Foi em conjunto com os servidores que a secretaria materializou um plano de carreira que estabeleceu aumento acumulativo de 45% em quatro anos e alçou o piso salarial paulista a patamar 26% maior do que o nacional. Os profissionais da Educação ainda podem conquistar o reajuste salarial anual de 10,5% por meio da valorização pelo mérito. E recebem bônus por resultados obtidos por seus alunos”, diz a secretaria em nota.

A presidenta do sindicato, no entanto, contesta o valor citado pela secretaria. “O governo não repôs perdas e nem deu ganho real. O governo fez um plano de quatro anos, disse que era 45% [reajuste] e, na prática, não é porque nós já recebíamos gratificações. Portanto, elas [gratificações] foram incorporadas no salário-base e nós tivemos 27% em quatro anos”, disse. 

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